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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Se nua!

Se nua!

Por cada peça tirada, solto um sorriso em sofrimento
Perco a lucidez
Desaperto a robustez
E agarro com tenazes a ansiedade do momento

Por cada olhar por ti acima, sou mártir dessa tua delícia
Cruzo as pernas
Olho montes, ondulações e cavernas
E agarro amedrontado pelo desejo de um coração sem malícia

Por cada suspiro, incha-me a boca com a tua
Não consigo parar…
Só consigo amar…
E agarro tacteando toda a hipótese de seres minha… Nua

Por cada peça tirada… Quero… Peço… Vou…
Abro a boca sequiosa
Suado pelo amor de uma rosa
Que agarrada e se sente amada, pelo homem que sou


José Alberto Sá

terça-feira, 1 de setembro de 2015

É por ti!

É por ti!

É por ti!
E é em amor que digo: Sem ti quem eu seria!
Os braços de pele de cereja estremecem comigo
O coração acelera e os corpos…
O teu corpo e o meu se amam
no mesmo abrigo

É por ti!
E é em amor que digo: Sem ti eu morreria!
O tempo passa e faz brilhar o meu olhar
Meus olhos te recebem e te amam
E cada lágrima que derramam
É de amor e felicidade por te amar

É por ti!
E é em amor que digo: Sem ti nada poderia!
O beijo que amarra o nosso salivar, é doce mel
E os lábios que dançam, jamais se cansam
E é por ti que digo: Como te amo!
Amo igual ao que escrevo no papel
E as palavras que dormem são harmonia,
nas estrelas e na lua que abraçam

É por ti!
E é em amor que digo: Sem ti por onde eu ia!
Ia por esse mundo agressor
E por ti…
Digo: Ponho-te sobre tudo, sobre a noite, sobre o dia
Como em tudo e com amor, Deus me soube pôr

É por ti!


José Alberto Sá

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Já nada!

Já nada!

Já nada do que escrevo é meu, já nada do que planto cresce para mim, já nada do que penso se faz obra, já nada é tudo, num tudo que sobra, sem que algo tenha produzido!
Já nada me faz sorrir quando o tempo chora, já nada me faz correr na procura da multidão… Já nada é tudo, se tudo é cansaço do nada já feito.
Quando o já feito é sim ou não!

… Pudera eu alterar e nada faria diferente!
… Pudera eu rabiscar e tudo seria igual ao já feito!
… Pudera eu amar mais um pouco e tudo seria muito mais do que até aqui!
… Pudera eu levar e nada carregaria de novo em meus braços!
… Pudera eu gritar sim e o não seria a negação do resto!

Já nada do que escrevo é meu!
Já nada!
Nada!

Já nada de mim respeita a mentira, já nada do que transformo se nega à existência, já nada que os meus olhos vêm é verdade, pois a íris por vezes se engana, já nada me levanta a cabeça se durmo num sonho doce, já nada me altera, já nada…

Fosse quem fosse…

Pois já nada do que escrevo é meu!
Já nada!
Nada!



José Alberto Sá

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Verbo pulsar

Verbo pulsar

Normal é a cópula, natural é o consumar
Normal é o beijo, com sabor a campo
E o prado é outro amado
Do verbo amar… E tanto…

Normal é a cópula, natural é o gostar
Normal é o abraço, na quentura do manto
E o cobertor do amor é o outro calor
De um sol estrelar… E tanto…

Normal é a relação, a magia copular
Normal é o toque, a língua em pranto
E o gemido do outro lado
Do verbo gritar… E tanto…

Normal é a relação, o dedo a deslizar
Normal é o pensamento, o desejo de um santo
E o sentir a boca a sorrir
Num verbo que canta e sabe dançar… E tanto…

Normal é a cópula, natural é a relação
Normal é o sonho, a mulher encanto
E o ouvir poesia, amar em qualquer dia
Do verbo que vive no coração!

O verbo pulsar… E tanto…
Tanto amor para dar…


José Alberto Sá

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Beija-me daí...

Beija-me daí…

Que o amor seguinte não interrompa o amor de agora
Que o amor de outrora seja sucessivamente, amor sem demora
Que me saiba interceptar os desejos
Os fluxos contínuos, como contínuos são meus beijos
Que a arte evolua ao mesmo ritmo que a vontade
Que o amor seja, eterno, puro e sem idade

Beija-me daí…

Que o fantasma que vejo pela noite me apareça de novo
Que a sombra que caminha seja tua
Que os gemidos sejam parecidos, com a voz do povo
Os gritos surdos e o agarrar, seja de pele nua
Que a coroa de rainha te faça corar, depois de coroada
Que o cansaço seja do amor, de uma vida sempre amada

Beija-me daí…

Que eu daqui, já te beijei, porque te amo…



José Alberto Sá

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Desejo sentir-te...

Desejo-te sentir…

Nunca te conto o que sonho…
Nunca te digo o que desejo, pois ele é superior ao escuro do meu quarto… Superior ao negro dos meus olhos quando os fecho, superior ao desejo de poder voar e desejar-te sentir.
Nunca te conto nesta vontade de sentir o que vejo, sem ver… O que desejo no sonho, o que toco sem tocar…
Também nunca me perguntas o que sonho, nem tão pouco me olhas nos olhos e me beijas…
Sabes que o diálogo do meu dormir é viver sonhando, é viver e aprender como tocar o céu vestido de gemidos e sentires capazes de me fazerem corar ao acordar.
Nunca te conto, mesmo quando dormes longe de mim, mesmo quando o mar é uma espuma branca e suave… Mesmo quando me apetece romper o segredo.
Mesmo quando os dedos te desejam tatuar… Nunca sabes que te desejo. Nunca me perguntas e eu nunca te conto…
Tu sabes que te desejo, agora só preciso acordar e ter-te a meu lado. Nunca te conto quando durmo sozinho… Pergunta-me?
Pois… Se me perguntasses era sinal de que te tinha.
Nunca te conto e hoje nesta louca excepção te digo: Desejo sentir-te, quando vieres…


José Alberto Sá

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Um corpo fora de mim

Um corpo fora de mim

É o corpo, é o corpo!

É a obra que me cativa o desejo
É o acto
É o sopro
É o beijo
É o trato

É o corpo, é o corpo!

É a excelência da criação
É o amor
Flores de um horto
É paixão
É calor

É o corpo, é o corpo!

É a essência da forma humana
É espécie corporal
Cálice do porto
É chama
É fenomenal

É o corpo, é o corpo!

É a loucura do meu sim
Mulher verdade e prazer
É corpo, é corpo dentro de mim…
É corpo que acontece, num corpo a acontecer


José Alberto Sá

terça-feira, 7 de julho de 2015

Há quem...

Há quem…

Eu sei que no mundo há quem faça…
Há quem viva
Há quem lute
Há riqueza… Há desgraça
Eu sei que no mundo há quem diga…
Há quem mate
Há quem esfole
E é cantiga!

Eu sei que no mundo há loucura…
Há quem grite
Há quem fale
Há quem de tudo, tenha nada
Milho rei… Espiga debulhada
Há quem guerra… Há quem fadiga
Há quem cale
E é cantiga!


José Alberto Sá

domingo, 5 de julho de 2015

Tu? Caminhas por aí?

Tu? Caminhas por aí?

Não sei caminhar pelo alcatrão moderno… Tenho saudades das pedrinhas que magoavam os meus pés.
Hoje os sapatos deslizam empenhados em aumentar o stress da vida…
O cérebro sente o cheiro a alcatrão, está viciado!
Tenho saudades das pedras da calçada… Estou farto desta droga…
Da inoperância dos que caminham sem sentir o chão…
Tenho saudades dos caminhos de pedras puras e limpas.
Os meninos, já não brincam na terra por onde o trânsito não se fazia, os meninos hoje são adultos num trânsito de bocas felizes, algumas por caminharem maldizendo… Outras não sendo, pensam que são, que são caminho!
Tenho saudades do tempo onde a lama cheirava a terra, hoje a lama se sente putrefacta… Não sei caminhar pelo alcatrão moderno…
O mundo caminha sem direcção… Total inquietação!
Não sei onde me encontro e tenho saudades das pedras limpas e puras.
O meu cérebro já sente a ausência do cheiro da terra.
Pobres dos que caminham no alcatrão moderno e não olham a terra dos que pisam a necessidade…
Que terra!
Que mundo!
Que povo!
Que raça!
Que porcaria de estradas sem direcção!
Tenho saudades dos caminhos trilhados, mas ainda mais saudades dos caminhos de terra e lama pura… Não tenho saudades da glória, sem vitória, sem história, sem memória de um caminho somente sonhado…
Caminho pela exactidão dos neurónios aflitos do meu cérebro… Caminho… Sem saber caminhar pelo alcatrão moderno…
Tenho saudades…


José Alberto Sá

Mente sem se(mente), que mente

Mente sem se (mente), that mente

Sem cansaço da Minha simplicidade, olho o espelho e revejo-me mil vezes sem Conta, sem Conta-me Vejo sempre igual.
Os Olhos Cansados ​​Olham o brilho da lágrima, Por se verem incompreendidos.
A boca seca ESTÁ cansada, Pela angustia de Nao sabre Parar e de Nao Conseguir Chegar ...
O Rosto cansado, enrugado, reflecte-se no espelho que me Mostra hum Ser bom e POR vezes perdido.
Como Mãos cansadas teclam nenhuma moderno ser, sempre na Vontade de that o espelho NÃO se parta ... Em desabafo ...
Tento POR vezes deixar de ser, O Que Querem Que Eu SEJA ... O meu espelho NÃO SE embacia, continua a espelhar hum sol that Só Alguns sentem, Só Alguns veem, Uma luz Que vive no interior meu, vinda de um amor exterior.
Nao tenho Espaços medíocres não meu espelho, nao tenho visões Superiores, Inferiores NEM, não meu espelho o Nível de e doce. Por vezes oiço Uma voz grita that de Baixo Nível e Baixo Nível ... Ao Perdoo Esse eco de voz de Alguém, Que Já NÃO se ve, Que Já Não Tem espelho, that Já NÃO vive, that SOMENTE PENSA em si ... Pensa Estar não Máximo ... NÃO EXISTE Máximo!
Sem cansaço da Minha simplicidade, amo o espelho da vida, de todos, de Tudo, n'uma Igualdade sem limites ... Tudo Isto sem espelho Onde Vejo o meu Rosto ... Cansado mas feliz ... Os Olhos Cansados ​​e POR vezes incompreendidos ... Amam ... Os Meus ...
A boca Minha ... O meu Rosto ... Reflectido num espelho de amor.


José Alberto Sá

domingo, 21 de junho de 2015

Verdade

Verdade

Que a verdade seja dita, contigo amor, comigo flor… Acredita!
Que a verdade seja dita…
Que esse teu olhar, quando voltar… Irá brilhar e se saciar junto do meu…
Apenas o coração irá pulsar, os olhos não se saberão desviar e o sorriso saberá partilhar.
Que a verdade seja aquele amor, que olhas na procura, que seja de nossa loucura a vontade da mistura, de duas estrelas que encontrei… No meu e teu olhar…


José Alberto Sá

Quimera

Quimera

A minha quimera, aquela de flores brancas, aquela que busca um amor que existe dentro de mim… A mesma quimera de flores tristes, de flores de amor, que busca uma semente, que busca a felicidade, que existe no meu jardim…

E esta quimera…
Que nua se mistura com o sol, aquele soberbo astro, que me avisa da louca perseguição, do louco coração de uma quimera… Que luta por mim…

E esta quimera de flores vermelhas, de pescoço esguio, que se mistura com o sol, aquele reluzente astro, que mata o frio e me faz esquecer o mal…

Oh quimera de flores, que não me deixas ir embora, quimera mulher, que ama o sol deste belo amor, que passa e não passa, o agora…

Esta quimera de flores pastel, que busca a lembrança, aquela vontade se vier, uma quimera com sabor a mel… Mas se não der…
O sol saberá quem te lê e o meu jardim saberá quem te acolhe… Saberá do desejo de quem te vê… De quem te abraça…
Quimera! O amor não escolhe…


José Alberto Sá

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Eu vivo

Eu vivo

O chão não caminha!
E nele assisto ao fenómeno do tempo,
que nu me convida sem saber se vou.
Talvez vá, talvez irei…
Talvez, ainda não sei!
Pois é este o caminho que me faz existir,
limitando-me a um despertar de admiração
ou a um inconsciente gosto de olhar o chão,
que não caminha!

O corpo ondula,
os pés serpenteiam no alcatrão,
a terra se rompe, a areia se mistura,
o pó se evapora e sol, que alimenta a natura…
Se faz ao chão e tudo ilumina, tudo devora…
O corpo ondula na sombra,
as mãos tocam, os lábios beijam…
O sol ilumina e fertiliza o chão que não caminha!
E as sombras dançam…

Pela graça sinto-me artista,
completo-me neste mesmo chão
e quero que o meu retrato não mude de direcção,
que viva,
que ande,
que corra…
E o chão que não caminhe
ou que somente me veja caminhar…
Como se eu fosse um objecto,
que se faz de pó, de terra,
de matéria,
mas eu… Neste chão sem alegria!
Sou caminho que vive e anda,
num chão que não caminha…
Que me faz ser amor, ser sentimento…
Ser poesia…


José Alberto Sá

terça-feira, 16 de junho de 2015

O brinde...

O brinde…

Por entre dedos, a inocente delícia do teu olhar, tece sobre a carne a malvadeza dos sentidos.
Teces uma mistura de aromas que se confundem, ora com canela, ora com anis. O teu perfume, tudo me diz…
Por entre dedos abro o espumante… Bebes, bebo… Dilacerante, é sentir quando as bocas trocam a espuma… E as línguas se amam…
A taça se mantém erguida, braços entrelaçados e o brinde acontece… Húmido.
A taça verte sobre o inocente olhar que brilha, na se mistura com as rendas de seda e deixas um pequeno desnudar de seios…
Por entre dedos desaperto um botão, taça bem erguida e o brinde escorre, desliza pelos delicados poros… Tocam o umbigo.
Uma pequena porção de néctar se aloja na fenda, os líquidos deslizam e sempre se escondem… Por entre dedos, a inocente noite se faz luar… A lua brilha, a taça se ergue, bebemos em delírio, tudo se entorna e a humidade desaparece no aveludado lençol…
Por entre dedos… Uma noite com luar, uma taça, um brinde… Muito sol!
Tudo arde, tudo é fogo… Tudo é luz… Por entre dedos és uma estrela no meu céu de amar… Inocente ao som da música vinil… Por entre dedos, uma taça e dois corpos a mil… Bebo-te…


José Alberto Sá

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Conflito incurável

Conflito incurável

Penso no meu conflito incurável… Desenhar uma pomba ou soltar o abutre!
Penso no meu erotismo, que ao desenhar uma pomba, imagino-a sem penas, sem pecado, sem questões… Branca e bela.
Penso e me imagino voar com ela…
Sinto-me perito nesta columbofilia de amor… Sinto-me perito e repito…
Amo repetir o meu conflito incurável, desenhar uma pomba ou soltar o abutre!
Se solto o abutre, solto o desmascarar da minha vontade rapina, vontade essa que me habita.
Basta olhar e imaginar o após do desenho, ver o olhar penetrante… O olhar que tenho…
Eu acredito…
Porque penso no meu incurável conflito… A pomba que me faz voar… E acordar esta vontade rapina!


José Alberto Sá

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Sou teu...

Sou teu…

Abre-me a porta!
Danço de pontas e braços abertos
Mas… Abre-me a porta!
Eu no mundo do amor
Sou pleno de beijos cobertos
e de loucuras nas danças em flor

Abre-me a porta!
Espero por ti ao som do violino
Danço de pontas e braços de luz
Mas… Abre-me a porta!
Eu no mundo sou o macio do linho
O branco algodão,
as cores com que te compus

Abre-me a porta!
Danço de pontas e danço sem chorar
Danço na esperança que me abras
Um coração teu a pulsar
Mas… Abre-me a porta!
Danço de pontas querendo beijar
Uns lábios sequiosos, uns seios de amar
E sem deixar de olhar… Tocar… Tocar…

Abre-me a porta!
Danço de pontas na vontade poeta
Se vieres dançar… Sou teu na dança
Sou teu na esperança…
De uma porta aberta…
Abre-me a porta!


José Alberto Sá

terça-feira, 9 de junho de 2015

Vestida para amar

Vestida para amar

Sempre me importo que estejas vestida, amo sentir a arte coberta e erótica…
Tu és sensual por debaixo dessa roupa que te desenha, sinto o panfleto que marca a diferença e me diz a origem dessa tua perfeição… Minha perdição.
Sempre te defino pelo corpo que se mostra, tão perfeito que quase solto na vertical, o que não posso desnudar… Pois sempre te desejo vestida, tal como eu…
Se tenho dúvidas em cessar este meu gozo, este meu desejo capaz de te arrancar os desígnios de um pecado soberbo, arrancar-te pelos botões que te abraçam o peito, arrancar-te pelo fecho que te desenha a deusa, a minha vénus à qual me vergo…
Sempre me importo que estejas vestida… E tu sabes o porquê!
Sabes que amo desnudar-te com o olhar… Sabes que desejo sempre desnudar-te com palavras… Sabes que pela íris és desnudada por mim… Por mim que sempre te vejo nua! Nua e bela na minha imaginação… Amo ver-te vestida.


José Alberto Sá

segunda-feira, 8 de junho de 2015

No alto mar

No alto mar

Quando navego no alto mar, sobe-me a credibilidade, eu acredito que as ondas dessa matéria altiva, moribunda, húmida e salgada, são a razão do meu flutuar por aí…
Quando navego no alto mar toco o limite, sinto o conhecimento, desejo o poder de explorar cada ondulação.
E se fecho os olhos, tenho consciência do mundo invisível…
Que belo é compreender o invisível que nos arrepia as pontas dos dedos…
Quando navego no alto mar eu estudo, sempre sereno e capaz de respirar sob a humidade…
Oh liberdade que sinto…
Oh compaixão lúdica desse vocabulário que geme…
Oh alto mar que me navega… Oh amor que ondulas…
Quando navego no alto mar, toco as estrelas de mastro erguido, de gaivotas gritando, gritos frenéticos repetindo cada movimento, cada baloiçar da hipnose, do ato, dos cinco sentidos que ondulam… Frenesim, estucada…
É alto o mar que desejo…
E lá do alto mar, que olho a terra que me é íntima, é lá que chamo seu nome e espero que me responda…
Rebenta-me nos tímpanos o impulso, Oiço-a gemer…
Olho-a do alto mar que me traz a sua voz…
Quando navego no alto mar, abro meu livro desconhecido, aquele que em terra é absolutamente só meu…
Só, porque dela é cada onda que sinto no alto mar, quando navego e toco o limite…


José Alberto Sá

terça-feira, 2 de junho de 2015

Naquela pedra dentro de mim...


Naquela pedra dentro de mim…

Ao pé daquela pedra a dor renasce, quer relembrar a carência, quer que a decepção de um dia continue a saborear a minha solidão, ao pé daquela pedra onde tantas vezes te senti, te vi e te sorri.

Que faço agora?
A dor que sinto é garrida, dor sofrida, uma angústia que não sei ocultar, ao pé daquela pedra onde tantas vezes me quiseste amar.

Que faço agora?
A nobre dor une-me a este chão, onde plantada sem raiz está a pedra onde tantas vezes escrevi: Amo-te…
Naquela pedra negra onde o amor se fez com um giz.

Que faço agora?
A minha dor já não te obtém, somente sabe que dói e olhar aquela pedra é não te ver lá… É pedir um desejo e ligar-te ao meu imenso prazer… Ter-te de novo, fazer amor e tudo acontecer…

Que faço agora?
Que sinto esta dor sem ódio, este amor sem erro…
Daquela pedra levo comigo todo o Karma… Todo o Nirvana… Tudo que contigo aprendi… A dor com que fiquei, foi para que te libertasses…
Deixas-me sem razão para continuar… Deixas-me abraçado aquela pedra fria…

Que faço agora?
Comigo somente a dor ficou, ficou a pedra fria e negra, ficou o amor que passou…
E hoje ao pé daquela pedra a dor quis renascer… Ainda te amo… Algo que nem o tempo irá apagar…

Que faço agora?
Com esta pedra dentro de mim, que hoje ganhou raiz.
Amo-te… Está escrito com o teu giz…


José Alberto Sá

domingo, 24 de maio de 2015

Gota a gota

Gota a gota

Gota a gota sabe-me a tranquilizante, a saliva que se desprende… Gota a gota sabe-me a lágrima que se prende, neste olhar com saudade ou num beijo que se tatuou para sempre na memória.
Eu não esqueço, somente por vezes isolo uma parte de ti e deixo que o meu coração te guarde… Gota a gota mastigo, por vezes em seco tentando sempre te saborear.
Gota a gota faço o meu tratamento e cada ampola que imagino, tem o teu sabor… Gota a gota sinto o teu falar no roçar de nossos lábios… Dias que ficaram para recordar nas palavras que escrevo… Gota a gota deixo cair a lágrima que dói por saber que te recordo…
Gota a gota te sinto na bebida que me refresca, na boca deixo estalar o açúcar, esse áspero adocicado que te revela dentro de mim… És doce…
Não me privo de caminhar, nem tenho medo dos rituais que deambulam no meu pensamento… São danças e cantigas que salpicam o amor que sinto… Pois gota a gota amo-te nas mais recônditas loucuras, dances ou não… Cantes ou não… Regresses ou não… Gota a gota me contagio dentro desta gaiola feita de aromas teus… Gota a gota me lembro de ti e me enclausuro nesta terra onde cada gota és tu… Gota a gota sou eu que me faço chuva só para que saibas… Jamais te esqueço, minha gota salivar que um dia quis tal como eu… Amar…


José Alberto Sá

sexta-feira, 22 de maio de 2015

A mão do amor

A mão do amor

A tua mão, acena para lá de um sol que se põe… Mas eu criei um atalho para te dar a mão e caminhar contigo…
A tua mão é macia para lá das águas de um mar que olho… Mas eu criei um atalho para as sentir rastejar, pelo meu corpo…
A tua mão não é o que mais desejo… Mas é parte de um todo que amo… Sinto-a a acenar para lá do sol que se põe…
A tua mão acena-me mesmo pela manhã… Tu sabes que pela vidraça, o sol entra e me traz um perfumado toque… Por vezes nem sinto o meu corpo, por estar completamente contigo… Eu sou completamente contigo…
A tua mão é alma que me visita… E no banho sinto-a deslizar, a espuma aromatiza a tua essência…
A tua mão me condiciona o pensamento… É impossível não pensar em ti… A tua mão é a luz que me faz levantar… Viver… Deitar… Dormir e sorrir…
A tua mão… Denuncia-me pelo caminho, meu rosto sorri e vendo esta felicidade aos outros… Esta minha vontade gratuita, que vendo sem preço… A tua mão, aquela mão que me segura e me diz… Estou aqui…
A tua mão é essa parte que me toca, mesmo que ausente… Eu sinto-a em todos os movimentos… E hoje… Vi-as no sol… Hoje vi-as no vento e pela estrada que seguia, senti-me de mãos dadas… Deus é quem me segura… E tu também… Meu amor… A tua mão faz parte da minha…


José Alberto Sá

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Sinto as tuas batidas

Sinto as tuas batidas

Ciente é o pulsar meu amor
São as batidas que sinto…
Pulsares que pinto
Meu amor, que pulsa forte
Que no pulsar me dá sorte
E me cativa numa flor

Ciente sou, pois tu és no pulsar,
o rebento de uma rosa
Aberta pelo desabrochar
Numa batida que sinto
Que sinto na alma
Num poema ou numa prosa

Pulsares que batem delicadamente,
como sonho e aventura
Meu amor que docemente
Em mim pulsa e é leitura

Pulsas na luz…
Pulsas e sentes…
Sentes e amas… O coração fala
Pulsas e vives… O silêncio não cala
E no amor pulsas e abraças…
Tudo estala

Pulsas em meu amor
e sentes mais além
Pulsas como eu… Se digo vem
Pulsas e vibras…
Vives como ninguém

Tu e eu, somente um pulsar


José Alberto Sá

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Hoje...

Hoje…

Como se fosse hoje… Esse tempo distante de conhecimento e mistério…
Como se eu fosse amigo da alma, amigo das dificuldades, em que o mundo me deseja pela poesia e pela carne…
E hoje… Intrigo-me sem dúvidas, como se eu fosse um amanhã, intrigo-me quando o mal não se atreve à minha altura, nem o bem quer de mim a mistura… Aventura talvez…
Rezo tantas vezes, como se fosse hoje… E hoje seria mais um pedido ao conhecimento, ao mistério… Quando sonho… Ou quando realizo…
Terrível é a imaginação sobre a carne, onde esta sempre se aproveita da minha poesia… O corpo feminino é no sonho igual à realidade… É poesia… Sonho…
Esse tempo distante de conhecimento e mistério, que carrego no desejo…
Sempre por perto… Por perto é distância entre o membro e a vulva que me arrepia…
E sempre sonho… Figuras perversas que se atravessam no meu caminho… Sabendo eu que o mundo é lindo e muito mais seria se eu… Devora-se a carne como a desejo…
Intrigo-me pela minha apatia… Não conhecem a parte de mim, que mexe… Que se dilacera sozinha… Sempre na vontade, como se fosse um amanhã de união… Como se fosse hoje…
Comer não é o bastante para me saciar… Amo a reza misteriosa sobre a carne, onde os joelhos se agacham e eu… Devoro intensamente, mesmo que num amanhã perfeito…
Como se fosse hoje…


José Alberto Sá

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Sempre comigo...

Sempre comigo…

Eu vejo o meu menino
E haja alguém que diga, que da serra não vejo o mar
E haja alguém que diga, que da serra não vejo
as caravelas
Que da serra, não vejo as gaivotas voar…
E que os olhos não são como janelas

Eu vejo o meu menino

E haja alguém que diga, que da terra
não vejo as nuvens do céu
E haja alguém que diga,
que da terra não vejo o sol a passar
Que da terra, não vejo o amor que é meu…
Meu menino nas terras além-mar

Eu vejo o meu menino

E haja alguém que diga, que da saudade não vejo
o desejo
E haja alguém que diga, que da saudade não vejo
o sentir da minha dor
Que da saudade, não vejo o sentir de cada beijo…
Meu menino, meu amor

Eu vejo o meu menino

Haja alguém que diga, que negue ou me contrarie
a saudade…
Haja alguém que diga, que não vejo no sono,
um filho como um hino
Que diga que não o vejo ao acordar…
Esse mundo que amo de verdade
Pois um coração que ama é eterno ao amor de menino

Eu vejo o meu menino…


José Alberto Sá

domingo, 10 de maio de 2015

Ser poeta!

Ser poeta!

Em uníssono digo que o tempo triunfa em segredo… Eu não sei, nem quero saber, se a dormir ou acordado, vive um tempo comigo sem tempo e sem lado.
Jamais serei vítima das palavras desferidas traiçoeiramente, por segredos em que a vítima é de um tempo, sem tempo, sem lado, sem cura, sem aventura, nesta vida de tempo sem inspiração… Onde me inspiro.
É a lei do ai e do suspiro…
A lei da vida é o contacto com o coração que se sente, que se faz, que se diz e se realiza… A lei da vida é a perfeição entre o ser e o dizer… Entre o querer e o conseguir…
Em uníssono digo… Só é verdade a vida, quando lhe damos sentido… Não basta dormir e acordar… Não basta sentir e escrever… Não basta dizer e fazer… É preciso que no sangue a vida já traga fervura, que o sangue seja a cura e a verdade mais pura de um ser humano… A poesia… O poema… A prosa… A escrita conseguida…
Em uníssono digo… Quem quer ser, tem que primeiro nascer… Depois de crescido, somente a mente nos mente num corpo perdido… Poeta é aquele que nasce com essa porta aberta… Aquele que pensa que é… É simplesmente doce na fé… Nada mais…
Ser homem é ser simples… Mesmo que em uníssono com as palavras, ao se acordar se sente, a mente renovar o ser… Poesia é tudo que a vida guardou no momento e no tempo de tudo acontecer… Não é quem deseja… A poesia é como quem beija e não como quem quer ser beijado…
Em uníssono digo… Poeta! Só o é quem flutua numa partícula de pó, quem dança com o vento, quem canta com as folhas, quem vive com os sorrisos, quem ama a humildade, quem sabe a verdade e se aceita na sua fé… Ser poeta é ser… Quando se é…
Ser poeta não é escrever… É ser um universo de amor numa vida completa… Isso é ser poeta…


José Alberto Sá

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Viagem ao deitar.

Viagem ao deitar

Saltas na terra e chegas às estrelas
Olhas o mar que voa no abraço da gaivota
Velas ao alto, mastros erguidos na caravela
Saltas na terra e me amas garota

Feres a maçã, no ventre romã
Saltas as ondas, num mundo qualquer
Fruto silvestre, num sol da manhã
Saltas na terra e me amas mulher

Gelas a luz, que apagas para se ouvir
Saltas e gemes como barcos à deriva
Saltas na areia que escalda o sentir
Frios do suor, que amo de ti… Minha diva

Saltas na terra, num mundo coragem
Força nos braços, nas pernas o farol
Mares de amor, em corpos viagem
Saltas desertos, no ventre o lençol


José Alberto Sá

terça-feira, 28 de abril de 2015

Sem a flor na seara…

Os olhos se humedecem na saudade e o trigo não nasce…
Na verdade é o sentir humedecido, é a esperança, que nesta seara alguém me acene e desabroche como alguém que alcança.
Sejas flor… E eu vou-te buscar…
Lindo é o campo, lindo é o encanto… Meu amor, minha seara…
Diz-me porque te sinto nua? Diz-me o porquê? Qual a razão? Deste vento que me sopra solidão!
Sejas flor… E ao relento somos os dois um respirar…
Os olhos se humedecem na saudade, no momento em que o aroma não me chega…
E a terra que rego com as lágrimas, é a entranha que desejo ver gritar, é a saudade de te ver nascer comigo…
Neste amor que aos meus olhos te choram e chamam, é saudade, é a verdade de um coração…
Sejas flor… E a primavera será o que era…
Os olhos se humedecem na saudade, nesse campo, nessa seara, onde a saudade é forte, é vontade de reclamar a sorte e ser feliz numa seara sem vaidade… Sejas… Sejas o que desejas…
Sejas flor… E eu vou-te buscar… E amar… Amar… Amar…
Os olhos se humedecem sem vergonha… E quando a cigarra canta, quando o piano da minha imaginação tecla… Olho a seara e na vastidão desta minha solidão… Danço com amor, para que sinta ainda mais vontade, de te ver nascer numa flor.
Sejas… Eu sou…
Vem… Eu vou…
E a seara florida, será cantiga de quem te sonhou…


José Alberto Sá

Lágrimas de felicidade (Sorrir).

Lágrimas de felicidade (Sorrir)

Hoje é um dia para sorrir! Sorrir…
Hoje quero-te a sorrir! Sempre quero…
Sempre desejo e sempre anseio… Sempre pergunto…
Quem és tu sorriso de alguns, que outros, não o podem fazer?
Os que nem sabem, como é a dança dos lábios felizes.

Hoje quiseram oferecer este dia, em que o sorriso seria para todos…
Mas todos, são imensos, sem que a poeira os deixe conhecer a luz e o amor…
Eu hoje sorri… E em alguns momentos esqueci deles…
Dos que sabem chorar, ou simplesmente vivem da seca, na terra triste que não os faz sorrir…

Eu hoje sorri… Sou um ser felizardo, tenho no sorriso um sol ao nascer, um sorriso no rosto e uma felicidade até adormecer…
Por vezes apetece-me repartir o meu sorriso, fazê-lo desabrochar pelas entranhas da terra molhada, entregar-me ao chão seco e dar… Dar… Dar sorrisos a quem não tem…

Sou ingénuo… Impotente… Tenho medo de não poder dar as mãos, olhar os olhos, sentir os corpos moribundos que vagueiam pelos sorrisos perdidos desde a nascença… Tenho medo que eles não consigam sorrir, desses milhares de seres humanos, que não podem, mas que também sabem sorrir, aqueles que fechados nas palavras não soltam gritos… Nem recebem ecos… Queria tanto que eles sorrissem…

Hoje eu sorri… Amava vê-los sorrir… Estou triste por eles, mas de sorriso cravado no meu coração… Eu hoje sorri, na esperança, que um dia todos sorriam, desde o nascer, neste viver, até morrer… Como o sorriso de uma criança.
Eu hoje sorri… Á luz da minha fé… Como criança, como bebé…
Inocente…


José Alberto Sá