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quinta-feira, 23 de março de 2017

A porta se abriu

A porta se abriu

E a porta do mundo se abriu e entrou a saudade
E ao longe
Ao longe da vida
O mundo sumiu
E a porta do mundo e as mãos
Se uniram de verdade
E a porta aberta rangeu
Lembrando a mocidade

De olhos fechados e em amor
Os olhos me deixaram perder
De olhos abertos e na luz de uma flor
Teus olhos me deixaram entender

E esses teus olhos do mundo
São hoje o ar que respiro
São teus e são meus no mais belo e profundo
Em tudo que admiro

E ao longe
Ao longe o mundo também deu a mão
Fizeram amor com as rosas
Como se fossem voar no jardim do meu chão
E de olhos fechados em louvor
Se pediu compreensão
Que de olhos abertos o mundo
Me trouxesse o outro coração

E a porta do mundo se abriu e entrou a saudade
E ao longe
Ao longe da vida
O amor foi verdade

José Alberto Sá

terça-feira, 21 de março de 2017

Inseparável de mim

Inseparável de mim


Inseparável é a palavra que define a união,
o uso e o abuso em amor,
que eu emprego no papel com a tinta da minha caneta.
É como se de uma cópula se trate,
e jamais fosse possível a separação,
dos versos que vivem em mim.

Ela é burguesia, cortesia… Ela é rica e pobre,
simples e nobre,
ela sabe cantar como ondas do mar,
quando me fazem chegar os aromas de maresia.

Ela é pouca e em demasia,
provoca correntes de sangue
e abertos olhos de lágrimas em paralisia.
Ela me acalma e me extasia,
ela me acorda e me adormece em fantasia.

Ela faz parar a multidão
e faz correr pelas palavras momentos de melodia.
Ela é a saudade como a noite
e pureza como o dia.

Ela se faz cobardia, ela se faz moradia
e na sua ousadia, provoca picardia,
como se fosse rebeldia,
quando na verdade se olha,
e sem escolha, se sente e se escreve somente…
Porque assim é a poesia.


José Alberto Sá

segunda-feira, 20 de março de 2017

Os meus beijos são...

Os meus beijos são…

Ser ou não ser,
um pequeno pássaro que voa,
ser ou não ser, pele nua ou plumagem sedosa,
ou ave de rapina que grita e que me entoa,
ou rosa silvestre onde meu olhar poisa,
ou pétalas que caiem, que morrem no chão
ou vivem na coroa,
como voos de pássaros, que voam de mão em mão e são…
São aves de amor, que num mundo à toa,
voam livres como quem canta, como quem voa.

Ser ou não ser,
uns lábios vermelhos que beijam,
que amam e voam
como pássaros de lábio em lábio debicando,
ser ou não ser como poetas que voam,
como asas se afirmando,
se amando em voos de tentação, são…
São anjos de sexos diferentes,
são gente que canta, que grita, que fala,
são aves que voam como gente que batalha
e não se cala.

Ser ou não ser
um pequeno poema que voa,
ser ou não ser a pomba, o tentilhão,
o rouxinol, a andorinha,…
Ser ou não ser a rosa que tomba,
num colo ou num coração,
ser um girassol que dança no campo,
ou um encanto de quem é, ou não é,
o voo de um pássaro pequeno que voa,
no meu jardim.
Ser ou não ser um pequeno pássaro
e um enorme amor dentro de mim!
São beijos meus, são assim…


José Alberto Sá

sexta-feira, 17 de março de 2017

Uma pequena flor

Uma pequena flor

Achei-me em louca importância no agarrar do cabo, do meu chapéu-de-chuva.
E ouvi a dona cair sobre o pano preto, gota a gota rumo à indiferença que existia no chão, pois o importante era muito mais além.
Os meus sapatos brilhavam molhados, as meias de tecido azul acariciavam os meus pés, que saboreavam a humidade que também os invadia.
Pelas costas sentia o bater do vento, também ele arrastava gota a gota a transparência de um céu que chorava e tudo me entrava na pele fria.
Perdi-me sem importância no agarrar do cabo e a gravata sentiu-se irrequieta como num aviso de que deveria acelerar o passo.
A cara humedecida levava consigo um sorriso, numa das mãos um ramo de flores e agora, um passo mais apressado.
Em cada passo a chuva era mais forte, sentia o escorrer da água pela coluna, o meu chapéu-de-chuva partira-se antes da chegada, que era muito mais além.
Continuei… Até que estendi a mão e toquei à campainha, uma porta se abriu, um rosto sorriu, um beijo que ninguém viu… Entrei e ofereci dizendo: Estas flores são para ti meu amor, não há tempo que me impeça de ser eu, nem o mar, nem a terra, nem o céu… Nem o sol no seu raiar, nem a chuva em mim a cair, nem o vento me fazem recuar, nada me impede de contigo sorrir.
As flores húmidas estavam felizes, uma outra flor sentia agora a humidade e eu despido sentia a evaporação… Fizemos amor!
A vida não impede o amor, pois tudo se resume ao gesto, ao sentido, ao querer, como quer a vida uma pequena flor ou um pulsar de coração.


José Alberto Sá

quinta-feira, 16 de março de 2017

Existes e eu não sei onde!

Existes e eu não sei onde!

Onde estás sólida afirmação deste meu esperar,
onde te posso encontrar,
onde me posso unir,
onde te posso amar, amar como a sorrir.

Onde estás beleza e talento,
onde te posso encontrar
sensibilidade do meu olhar,
onde te posso amar, amar como a sonhar.

Onde estás sonho ou realidade,
onde te posso ver, auréola de luz,
onde te posso amar, amar como a Jesus.

Onde estás espuma de amor,
onde te posso encontrar, rebeldia do meu desejo,
onde te posso amar,
amar como quem sente na boca um beijo.

Onde estás abraço que nos une,
onde te posso encontrar ritmo da minha vida,
onde te posso amar, amar para sempre,
sem despedida.

Diz-me,
pois não te encontro doce flor,
ou não me encontras,
nem sabes de mim em teu amor!


José Alberto Sá

terça-feira, 14 de março de 2017

Tanto querer

Tanto querer

Eu quero, eu quero, eu quero, …
Eu quero ter um sonho teu, que mesmo não sendo belo, será sempre na união, melhor do que o meu.
Eu quero mesmo que magrinha, branca ou morena, eu quero sonhar contigo num mesmo céu, mesmo que não me sonhes, eu sonho-me num sonho teu.
Eu quero crescer contigo linda menina, crescer e crescer é ver-te de véu, e mesmo sem te ter presente, é loucura num sonho, num sonho que já é meu.
Eu quero, eu quero que sejas a primeira, branca, morena ou trigueira, mesmo na mágoa, que por muito pequena, que se apague, pois eu quero amar-te e levar-te sem pena e sentir-me branco, moreno ou trigueiro à tua beira.
Eu quero, agora ou mais tarde ver-te de sorriso ou em flor, mesmo sabendo que um céu pode ser dor, eu quero, eu quero eternamente o teu amor.


José Alberto Sá

segunda-feira, 13 de março de 2017

Espero por ti

Espero por ti

Alimento-me pelas íris ao olhar o horizonte, alimento-me do mar, das ondas, da areia e volta e meia da sereia, que vem nas ondas, mesmo de fronte.
Já não me chega sentir a terra, quero mais, mais aventura, quero mar, quero sol e um brilho lá do céu que me chega da altura.
Alimento-me das estrelas, dessas sentinelas do luar, que me vêm a olhar, a sentir e a sonhar, que a donzela vem a remar numa linda caravela!
Alimento-me da criação, deste mundo vigilante, e sonho como amante, nas ondas de um mar, que me levam o coração.
Olho, vejo velas e mastros, sinto em mim muita alegria, gaivotas a adivinhar que a noite está a chegar e o mundo adormece o dia.
Olho e vejo alguém ao leme, vem a brilhar pela luz dos astros, velas ao alto abraçando os mastros e uma menina que me acena, porque já não teme.
Vem caravela, vem acender este meu pulsar, alimenta esta solidão que sempre me gela e deixa ancorar, essa linda mulher que continua a acenar.
Alimento-me desta vida, alimento-me do Deus dos homens à nossa semelhança, na certeza porém que o alimento convém até que exista esperança!
Vem ao longe no horizonte, uma donzela mesmo de fronte!


José Alberto Sá