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domingo, 14 de maio de 2017

Trocam-se amigos!

Trocam-se amigos!

Não são os amigos! Nem o cigarro
Nem a sirene ao fundo da estrada
São os gritos por amigos!
De um quase morto,
pelas cordas bocais da imensa dor, sentidas como catarro!
São gemidos tais,
que o som na encruzilhada,
é ser vivo, é ser vinho, ser amigo e na mesa posto!
Num posto sem carinho e sem nada!

Não é o roncar do motor
Nem os amigos que se esqueceram,
nem os travões sem calços
São meros latidos de um mundo baldio!
Pelas manhãs sem amigos,
pelas tardes sem amor
São grunhidos e percalços
É o sangue por amigos!
É a vontade de um eu, em todos derramado!
Nas manadas de foragidos!

Não é o respirar sem garganta
Nem os amigos com vaidade,
nem o ventre que gritou para nascer
São caminhos de agora, com amigos,
sem amigos! Sem futuro!
São vozes nas cinzas e a tarde é tanta!
Que a noite são lágrimas escorridas a sofrer
Pelos amigos que a sorrir!
Me vêm escrever atrás de um muro!

E eu pergunto aos amigos: Porque vos alterais?
Se para mim a alteração, não é mais que estar perdido!
Em mais que um coração! Em mais que um pedido!
Não é pelo rio que corre, nem pelo mar que recebe!
É pela mão de um pobre, que vos ama e persegue!

José Alberto Sá

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Uma gota que sorriu

Uma gota que sorriu

Sorriu a gota de água, que vivia no fundo do oceano.
Trepou vagarosamente até chegar à superfície de um mar imenso, sorriu e feliz pensou como eu penso!
Olhou o céu e viu uma estrela, viu a lua, viu a noite, viu o vento e viu uns olhos brilhantes, uma caravela, uma silhueta nua… Era eu sozinho no meu barquinho em sonho, em doces instantes.
Sorriu novamente a gota de água, em direção ao céu, o sol nascera e a fez levitar… Sorriu tal como eu, meu sonho se fizera nos lençóis daquele mar.
Ao longe se formava uma nuvem e a gota de água queria conhecer o macio daquele algodão… E eu já na nuvem a esperava no macio do meu coração.
A gota se escondeu ao chegar à nuvem e eu, tentei em vão procurar, pois não a consegui encontrar.
De olhos tristes olhei o horizonte, estava negro e uma tempestade se fazia sentir… E ela estava ali mesmo de fronte, dentro da nuvem em verdade e eu sabia que a voltaria a ver sorrir e nas águas mergulhar.
Foi então que um trovão se fez ecoar, milhões de gotas me chegaram e se aproximaram do mar… Uma delas… Uma delas era a minha gota.
A vida é feita de sonhos e de realidades, a vida é nascer e morrer… Mas a gota que escrevi, será eterna aos olhos dos que sonham, sorriem e choram na realidade da vida e do amor!


José Alberto Sá

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Somos bichos!

Somos bichos!

Pela terra corre a besta, nasceu bicho!
É parecido com o monstro que habita o meu espaço!
É aquele! É aquele!
Aquele que fala!
Aquele que cala!
Aquele que faz, como eu faço!

Pela terra berra o animal, como lixo!
É labirinto por onde caminha e não se encontra!
É aquele! É aquele!
Aquele que me afronta!
Aquele que pelos corredores se cruza!
Aquele que abusa!

Pela terra deambula o faminto, nasceu irracional!
É parecido com Jesus! Amado na mesma luz,
se a sorte não for do mal!
É aquele! É aquele!
Que bicho morrerá!
Como o outro, que assim morreu!
Enterrado na mesma terra, num dia de amanhã!

É aquele! É aquele!
Sou eu!
Sou eu que não consigo, é ele que não consegue!
Pela terra se nasceu nu, na vida não há quem negue!
Pela terra morro eu, pela terra morres tu!
Assim a vida nos mede! Quando aqui não soubemos!
Que a vida, tudo nos deu!


José Alberto Sá

domingo, 30 de abril de 2017

Impossível nos dias de hoje!

Impossível nos dias de hoje!

É possível ver ainda hoje gravatas pavonearem-se pelos corredores, como se fossem espécimes especiais, ou criaturas capazes de salvar o mundo!
Exibem o ar de quem está acima do cidadão comum, abraçando o povo, tirando fotos, como se a minha terra fosse uma mera brincadeira fotográfica, ou uma exposição de caricaturas!
Que enormes são estas vedetas, que aparecem na minha terra, sem se darem de conta que já é habitada há muitos milhares de anos e por pessoas capazes!
É difícil olhar estes rostos moribundos, com sorrisos amarelos e sínicos, sabendo que depois do abraço e foto, recolhem-se nos processos complexos e intermináveis de esquemas que ferem os pobres, os mal pagos, os que pagam mais impostos e ainda são depois perseguidos pelas mesmas máquinas políticas, mas desta vez sem abraços ou fotos para recordar!
A pouca vergonha é tanta, que neste pequeno recanto do mundo (a minha terra), estes seres são capazes de vir oferecer mais obras megalómanas, mais elefantes brancos, sabendo eles, que nem os buracos das estradas conseguem tapar!
O poder do dinheiro amacia congressos e opiniões, mostram ao povo que se interessam por eles e depois… Nada! E engorda um imenso rebanho de ovelhas malhadas… Malhadas pela mentira, pela corrupção e pelo poderio sem governo!
Estamos a caminhar para mais um evento político, onde os atores já ensaiam a peça… O povo é o espectador, está na hora de fechar o pano e dar 3 pancadas de Molière nesta geringonça que nos persegue!
Haja esperança, creio que o mundo terá de criar novamente seres humanos!
Hoje os homens estão robotizados! Que saudades das escolas que criavam inteligências e não seres que se perdem na ignorância do poder monetário! Quero crer que por entre as mãos de um ser humano puro, floresça uma flor e que a plantemos no nosso jardim de nome Espinho (minha terra)!


José Alberto Sá

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Uma lágrima numa rosa, um pedido

Uma lágrima, numa rosa, um pedido

Uma lágrima caiu
e o amor estremeceu
Quando pediu a esperança
A uma luz lá do céu
E esta vestida de vento, amou e sorriu

E com os lábios,
pediu à lembrança
Uma chuva de amor
Um beijo e um carinho teu
E a lágrima caiu, abraçando
de flor em flor

E uma rosa vermelha
Que a um cravo se assemelha
Na beleza e na cor
Recebeu gota a gota
toda a candura do amor

Outra lágrima caiu
E quando no chão se viu
Pediu ao mundo a vida
E a luz da bondade
Deu-lhe a bênção pedida
Deu-lhe amor, muito amor em liberdade

Essa lágrima que caiu
Pediu ao mundo compreensão
E a luz chegou-nos aos olhos
Como lágrimas aos molhos
Pedindo a paz e a união


José Alberto Sá

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Para rir, num assunto sério!

Políticos, pessoas peludas!
Para rir, num assunto sério!

Ouvi algumas crianças falar de pessoas peludas! Com pelo no peito, na barriga, nos ombros, ao longo da espinha, nas pernas, na cara e na extremidade! Diziam que estas pessoas eram como selvagens!
E quem me falava eram crianças, meninos e meninas da escola primária!
Também alguns adolescentes me falavam destes homens, selvagens!
Queria saber mais!
Fiz uma intensa pesquisa!
E no final, fiquei surpreendido… Falavam dos políticos!
De todos os que nos governam selvaticamente…
Tentei explicar-lhes que não eram assim peludos e fiquei surpreso com a resposta imediata!
Disseram-me: O pelo do peito esconde-lhes o coração, o pelo da barriga esconde a gula, o pelo nos ombros seguram o fato, ao longo da espinho o pelo endireita a corcunda do remorso, o pelo das pernas enche-lhes as meias como escondem o dinheiro, o pelo da cara esconde a vergonha e a mediocridade, na extremidade o pelo de nada serve, só esconde mais uma cabeça sem cérebro!
Calei! E dei-lhes razão, pela lição que me deram, talvez cresçam e sejam o futuro.
De um mundo depilado, sem corrupção!
Eu acredito que existem homens selvagens e peludos!


José Alberto Sá

E amanhã?

Um século de naufrágios!
E amanhã?

Tenho andado assim… Assim a olhar em volta, a ver o futuro seguir pela mesma estrada, de um passado que já não é!
É extraordinário que, após um século dilacerado pela violência e tantas guerras, pelo holocausto e pelo genocídio, por gerações que devastaram o meio ambiente, por violações dos direitos humanos, por tantos radicais fundamentalistas, religiosos e políticos, por ditaduras e totalitarismo por vezes de sinal contrário, por tanta devastação, miséria e fome… E este mundo se prepara para chegar a 2018, sem conseguir uma renovada esperança, a liberdade da democracia e sem conseguir a paz!
Já não basta só esperar, é preciso sim reclamar, é preciso gritar e dizer não!
Um século governado por inteligências, ocas! Por pessoas que estudaram, nada! O dinheiro comanda a vida!
É preciso que o povo deixe de navegar no Titanic, este se afundou, venham lutar e dizer não, entrem na Arca de Noé e sejam guiados pelo amor, partilha, humildade e sabedoria… E serão salvos!
Expulsem quem nos faz mal! Ignorem quem nos aperta a mão só uma vez e por interesse! Não falem com quem vos recebe e depois vos ignora!
Tenho andado assim… Assim a olhar em volta, revoltado!


José Alberto Sá