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segunda-feira, 24 de abril de 2017

Para rir, num assunto sério!

Políticos, pessoas peludas!
Para rir, num assunto sério!

Ouvi algumas crianças falar de pessoas peludas! Com pelo no peito, na barriga, nos ombros, ao longo da espinha, nas pernas, na cara e na extremidade! Diziam que estas pessoas eram como selvagens!
E quem me falava eram crianças, meninos e meninas da escola primária!
Também alguns adolescentes me falavam destes homens, selvagens!
Queria saber mais!
Fiz uma intensa pesquisa!
E no final, fiquei surpreendido… Falavam dos políticos!
De todos os que nos governam selvaticamente…
Tentei explicar-lhes que não eram assim peludos e fiquei surpreso com a resposta imediata!
Disseram-me: O pelo do peito esconde-lhes o coração, o pelo da barriga esconde a gula, o pelo nos ombros seguram o fato, ao longo da espinho o pelo endireita a corcunda do remorso, o pelo das pernas enche-lhes as meias como escondem o dinheiro, o pelo da cara esconde a vergonha e a mediocridade, na extremidade o pelo de nada serve, só esconde mais uma cabeça sem cérebro!
Calei! E dei-lhes razão, pela lição que me deram, talvez cresçam e sejam o futuro.
De um mundo depilado, sem corrupção!
Eu acredito que existem homens selvagens e peludos!


José Alberto Sá

E amanhã?

Um século de naufrágios!
E amanhã?

Tenho andado assim… Assim a olhar em volta, a ver o futuro seguir pela mesma estrada, de um passado que já não é!
É extraordinário que, após um século dilacerado pela violência e tantas guerras, pelo holocausto e pelo genocídio, por gerações que devastaram o meio ambiente, por violações dos direitos humanos, por tantos radicais fundamentalistas, religiosos e políticos, por ditaduras e totalitarismo por vezes de sinal contrário, por tanta devastação, miséria e fome… E este mundo se prepara para chegar a 2018, sem conseguir uma renovada esperança, a liberdade da democracia e sem conseguir a paz!
Já não basta só esperar, é preciso sim reclamar, é preciso gritar e dizer não!
Um século governado por inteligências, ocas! Por pessoas que estudaram, nada! O dinheiro comanda a vida!
É preciso que o povo deixe de navegar no Titanic, este se afundou, venham lutar e dizer não, entrem na Arca de Noé e sejam guiados pelo amor, partilha, humildade e sabedoria… E serão salvos!
Expulsem quem nos faz mal! Ignorem quem nos aperta a mão só uma vez e por interesse! Não falem com quem vos recebe e depois vos ignora!
Tenho andado assim… Assim a olhar em volta, revoltado!


José Alberto Sá

domingo, 23 de abril de 2017

O beijo de Judas

Seres Des(umanos)
O beijo de Judas!

Não entendo este mundo! Estou a escrever estas palavras, numa tentativa desumana para tentar perceber o sentido das coisas!
Num momento é um punhado audaz de pessoas, que suscitam nas multidões a convicção de que existe um amanhã que encanta!
Os resultados de tudo é o que encontramos, uma constância de esforços insensatos, o negar de ideias, o não aos valores, sonhos perdidos, raivas, ódios, medos e tudo faz mover a humanidade!
Nisto tiro uma conclusão, o futuro continua absolutamente imprevisível e nem as ideias o movem. Nisto tudo o homem é a razão do fim do mundo! Não compreendo!
Quando a sociedade é colocada ao serviço da economia e não ocorre o contrário, o funcionamento do mercado deificado, aparece muito mais importante que a felicidade dos homens!
Este sistema da vida, que se oferece como paraíso, funde-se na exploração do próximo e na aniquilação da natureza, tudo nos ataca o corpo, nos envenena a alma e nos está a deixar sem mundo!
A criatura surpreende a cada dia, estes homens que se dizem superiores só porque estudaram e não têm vergonha de passar na rua e olhar o povo nos olhos, são estes que nos querem fazer passar pela ideia, que devemos enterrar o passado e nunca imaginar que o presente nasceu desse tempo!
Tenho que viver neste mundo sabendo que a vida é curta!
O momento é fugaz e o juízo final será difícil para alguns!
Será preciso lançar muitas sementes à terra, para termos frutos dignos de saborear, pois só algumas sementes germinam!
Apelo ao respeito profundo da dignidade humana e pela consciência de que o outro é meu igual, comigo partilha o mesmo destino de viver e morrer!
Então não compreendo a vergonhosa humanidade que alguns fatos e gravatas, os vaidosos que vivem da pobreza, do povo e não lhes tem respeito!
Não compreendo como têm coragem de se olharem ao espelho.
Gostaria que me dissessem como conseguem educar os seus próprios filhos, aos olhos dos filhos dos outros? Que exemplo humano esses seres maquiavélicos dão aos seus? Como conseguem dormir?
A resposta à força e à coragem que tive para escrever estas palavras, é a seguinte:
Existe um Homem que me fala sobre a descoberta e mistério de Deus, Ele me fala do mistério do homem e sobre a visão da vida assente na liberdade, na gratuitidade, na simplicidade, no amor e na bondade, a Ele chamo de Rei, a Ele me vergo, a Ele peço e só Ele me dá. Obrigado por tudo, minha Luz… O poder é resto, é vazio de sentimento, é ausência mesmo que presente. Até um dia…
Comparo os políticos ao beijo de judas… São a mentira humana!


José Alberto Sá

Nós também somos Espinho!

Nós também somos Espinho!
E mais uma mudança se avizinha…

Enquanto fazem previsões, promessas e melhorias por interesse, gostava que a minha terra crescesse sem ter de esperar pelos próximos!
A cultura terá de ser dinamizada, terá de ser considerada, também terá de acontecer a recuperação de infraestruturas com mais-valia, com mais qualidade e com mais igualdade, uma terra para todos.
Socialmente, desportivamente e culturalmente!
Quantos jovens e adultos gostariam de ter o seu espaço, o seu momento, a sua alegria, que a minha terra tivesse movimento e um sorriso inesquecível.
Nunca é tarde para começar, mas… Porque guardam as aventuras, quando o tempo de eleições está próximo? O povo da minha terra vive todos os dias!
Alguém tem de nos olhar e nos dar ocupação, assim podemos ocupar a nossa terra e viver numa igualdade sem limites.
Não interessa obras de milhões, quando o resultado é negativo, interessa obras de caridade, harmonia, obras com a capacidade de ver os habitantes felizes, obras estas que por vezes não chegam a umas centenas de Euros.
Enfim… A minha terra, um dia terá que lhe dê a dignidade humana que merece… Vivo intensamente com esperança… E esta esperança é ver com os meus olhos Espinho uma cidade enorme, Rainha da Costa Verde e com as Freguesias de mãos dadas, estas que quase foram abandonadas pela autarquia.
Espinho não é política, Espinho é a minha terra… Espinho não precisa de um partido, Espinho precisa de um ser humano!
Espinho não precisa de obras no ano de eleições, Espinho precisa de obras todos os dias e em todas as direções.
Espinho não tem um dono, Espinho é dos Espinhenses e de quem nos visita com amor.
Espinho é abraço e não um aceno individual.



José Alberto Sá

quinta-feira, 13 de abril de 2017

A Luz da Vida

A Luz da Vida

O mundo nasceu quando morreu, quando o trovão rebentou e o mundo acordou com outro coração e de novo a luz se aproximou do céu e do chão!
Dois barrotes pregados em cruz, um lençol, lágrimas, dor, perdão, amor e um Homem de Luz… Jesus!

O mundo nasceu quando morreu!
O trovão rebentou e o chão se calou!
Outro coração renasceu de um novo céu!
Uma nova luz nos perdoou!

Dois barrotes erguidos levantavam o amor!
As lágrimas corriam pelo rosto sofrido!
Um lençol aconchegava a dor!
E no perdão o Homem de Luz… Não tinha partido!

Olhou o céu, pediu ao Pai por nós
Olhou a terra, fechou os olhos, ficou com Deus
Abraçou-nos com amor, não ficamos sós
Olhou e renasceu fazendo-me sentir o amor, com estes olhos meus!


José Alberto Sá

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Sinto-te, sinto-me...

Sinto-te, sinto-me…

Oh, artista de palavras.
Sinto-te, sinto-me no som de uma flauta, que constantemente se faz vento, se faz chuva, se faz amor e me faz prisioneiro da folha em branco.
Uiva-me, como um lobo uiva quando chama a alcateia.
Oh, artista que semeia, artista de lindo manto… És o momento…
Sinto-te, sinto-me neste obrigatório labirinto, nestas ondas magnéticas que soam da flauta mágica do pensamento.
Derruba-me, derruba-me o silêncio que me provoca inspiração, não consigo parar de ondular sobre o vibrar das notas, e escrevo, escrevo, escrevo,…
Oh, artista que abres e desfolhas cada página, escreve e canta, canta cada letra como se fosses voar.
Sinto-te, sinto-me em cada poetizar, em cada verso, em cada timbre que floresce por entre os teus dedos, os meus dedos quando escrevo.
Oh, artista… Sinto-te, sinto-me no som de uma flauta e escrevo, escrevo, escrevo,… É mágico!


José Alberto Sá

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Uma luz

Uma luz

Foi então que graças ao amor tudo aconteceu, carregaram as nuvens, choveram lágrimas e se rasgou o céu.
Foi então que a grandeza da história voou nas nuvens, os povos se olharam com olhos de amor e se louvou a Glória.
Foi então que a nossa existência se viu na extensão do céu, as nuvens passaram, os olhos acreditaram e a luz veio a quem ao mundo agradeceu.
Foi então que se descobriu, que as nuvens são nómadas, os olhos são da terra e a vida de quem partiu.
Foi então que se amou, acreditando que para lá das nuvens não estamos sós, que existe uma luz brilhante, que vive intensamente, porque um dia morreu por nós.
Foi então que graças ao amor tudo aconteceu, agora basta amar na terra.
A Luz nos ama do céu.


José Alberto Sá

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Poesia imortal

Poesia imortal

Olho-te meu amor, e é tão suave o vestido que esconde a pele e os contornos proibidos!
A história deste meu olhar, escrevo-a com os cinco sentidos.
E se me olhares verás a anatomia deste meu amor!
A arte na total importância, de quando te olho e me fazer sentir o teu interior.
E ao escrever estas palavras, faço em cada letra um gesto erótico, e a exuberância da minha mente imagina-te nua em cada rabisco horizontal!
A história é um olhar que te segue em poesia e se sente imortal.
Se me olhares tal como te olho, serás privilegiada pelo exibir da inocência que trago, que escrevo e falo.
A arte somos nós vestidos ou nus, quando te olho, quando me olhas.
Eu sei que o amor completo pode estar num poema que escrevo para ti e que não calo.


José Alberto Sá

sábado, 1 de abril de 2017

A mudança

A mudança

Tão jovem eras tu e sempre me encorajavas com esses teus olhos secretos.
Tão jovem eras tu e eu não resistia à circunstância dos teus apetites diretos.
Tão jovem eras tu e indefesa perante a força do meu olhar.
Tão jovem eras tu, que no frenesim arrebatado por mim, te abrias para amar.
Eram os toques obscenos aos quais me dedicava com amor.
Eram momentos de energia que se redobravam ao nos possuir.
Eram pele na pele, os dedos nervosos e apetites acetinados em flor.
Eram investidas, esforços sorridentes, suspiros contentes e lábios róseos a pedir.
Tão jovem eras tu, de mão trémula e macia, que se faziam passear.
Tão jovem eras tu, brilhante como a lua e de excitante estremecer.
Tão jovem, tão bela, tão sublime, que de perfeição nada mais era como o teu salivar.
Eram fervorosos os movimentos de cintura, que hoje lembro com ternura o nosso apetecer.


José Alberto Sá

quinta-feira, 30 de março de 2017

De ti

De ti

Não quero merecer o ódio de alguém, nem quero ser o bairro que se ergue nos embaraços de um mundo odioso.
Eu preciso de toda a gente! E ser em amor contagioso!
Não quero ser o escape ao sorriso, nem a contrapartida à tristeza e noites frias.
Eu preciso de amor todos os dias!
Não quero ser a derrota, das cartas sem trunfo, nem ser julgado pelo errado que não fiz
Eu preciso de viver, simplesmente da copa à raiz!
Não quero ser a existência de um ser fingido, não quero ser a consciência perdida, por encontrar nos outros a diferença.
Eu preciso de sentir, continuamente a presença!
Não quero ser conselheiro de uma razão que não tenho, nem ser amante de alguém que não sabe amar.
Eu preciso de alguém, de preferência humano, que saiba dar!
Não quero morrer namorado de uma espera, não quero amar e casar com a guerra.
Eu preciso abraçar e ser abraçado pelo vento… Quem me dera!
Não quero que o tempo conte em aflição, nem que as veias se preencham de sangue frio, sem coração.
Eu preciso de amor verdadeiro e compreensão!
Não quero ser egoísta por inteiro, não quero ser campeão de um jogo, nem ser uma vontade por aí.
Eu preciso e preciso muito… De ti!

José Alberto Sá

domingo, 26 de março de 2017

Uma mesa ao centro

Uma mesa ao centro

Lembras-te?
A sala estava vazia e na mesa ao centro, somente existia a distância e a frieza entre o teu e o meu olhar. Estavas sentada num dos cantos a olhar para mim, eu sentia e sabia que fazias uma breve leitura do meu corpo nu, com esses teus lábios quietos, que me inquietavam.
Somente a mesa nos separava, eu sentia tal como tu o frio do chão, o frio da parede e o frio do teu coração!
Lembras-te?
Os meus olhos sentiam-se no impossível, no mais triste sentir, também te lia com estes meus lábios entreabertos.
Era impossível não ter as mãos húmidas, trémulas, pois a tua subtileza fazia-me transpirar pela ansiedade de te abraçar.
Via que o teu coração pulsava, sentia-o querer rebentar um dos teus peitos, estavas nua, também tu sentias o frio do chão, a humidade da parede e a tua sede.
Lembras-te?
Por baixo da mesa nos observamos, o silêncio somente era perturbado pelo gritar do nosso olhar. Tu querias… Eu queria… E na verdade ambos desejávamos o mesmo…
A sala estava vazia, tu a um canto, eu noutro e a mesa ao centro.
Lembras-te? Fui eu quem vergou!
Desculpa por exagerar na minha vontade, mas eu já não aguentava mais aquela distância… Pedi que me abraçasses, lembras-te? Pedi que comigo fizesses daquela sala, um jardim colorido.
A sala continuou vazia, mas o frio passou! A mesa ao centro se ocupou com um jardim colorido, nos perdoamos, nos abraçamos, nos beijamos com tanta clareza, que fizemos amor em cima da mesa!


José Alberto Sá

Lado a lado

Lado a lado

As tuas curvas melodiosas modelam volumes, vales e fazem desesperar a subtil dureza do meu mundo.
Dessa forma contemplas a obra que nos faz gostar um do outro, dessa forma sou homem inteiro, que somente se mutila quando me dou, quando me dás!
Não vale ignorar, não sou estranho, não sou o extremo, não sou a experiência… Não vale ignorar, sou do tamanho do mundo que temo, sou a inocência, por isso me dou, por isso te peço a coincidência de nós.
Sinto as tuas curvas quando deitado na cama, vejo em cada volume e cavidade o amor em cena e neste teatro invejável, beijo os lábios vermelhos abertos, como se fossem uma janela de sol em versos e os meus olhos poema.
E ao acordar sobre o azul-acinzentado de um céu que chora, abraço as curvas, contorno volumes e desço ao fundo… Ao fundo de uma loucura, de dois corpos nus que se amam lado a lado.

José Alberto Sá


Simbologia real

Simbologia real

Existe na estrada, um caminho onde me entrego e deixo que o amanhã seja a vontade do resto da mesma estrada.
Existe um tempo que se chama hoje, o único momento a quem eu devo a vénia, na esperança que em agradecimento me chegue o amanhã.
Não hesito, nem demoro no viver, não pergunto para seguir, nem sigo para perguntar, hoje eu caminho e amanhã o dia se cuidará.
Então, o meu tempo vive na estrada, onde os meus olhos rastejam intensamente, onde o meu pensamento busca na terra, a luz de uma estrada que ainda não chegou.
Existe uma estrada onde sou transgressor, a mesma estrada onde sou criatura, num ontem de mente pura, num hoje que me atura e a mesma onde eu faço amor.
Alguém me grita na surdez do mundo, alguém me desperta o ouvido para que escute o que vem no vento, o que vem em cada nuvem, e que a voz da razão sacie, enriqueça a alma e o amor continuamente… Que se forme em mim um intenso amanhã.
Existe uma estrada onde derramo os meus lábios, onde abraço a luz de um corpo, onde desejo, onde tenho vergonha e onde já não me envergonho.
Escrevo hoje, pois amanhã não sei… Hoje apago do consciente algumas transgressões, como a névoa em forma de pecado, hoje sou eu na estrada que amanhã o dia cuidará, hoje sou revestido de amor e vinculado á perfeição… Existe uma estrada para lá da vida e uma porta aberta ao mundo, que o mundo nos trará… Ou não!


José Alberto Sá

quinta-feira, 23 de março de 2017

A porta se abriu

A porta se abriu

E a porta do mundo se abriu e entrou a saudade
E ao longe
Ao longe da vida
O mundo sumiu
E a porta do mundo e as mãos
Se uniram de verdade
E a porta aberta rangeu
Lembrando a mocidade

De olhos fechados e em amor
Os olhos me deixaram perder
De olhos abertos e na luz de uma flor
Teus olhos me deixaram entender

E esses teus olhos do mundo
São hoje o ar que respiro
São teus e são meus no mais belo e profundo
Em tudo que admiro

E ao longe
Ao longe o mundo também deu a mão
Fizeram amor com as rosas
Como se fossem voar no jardim do meu chão
E de olhos fechados em louvor
Se pediu compreensão
Que de olhos abertos o mundo
Me trouxesse o outro coração

E a porta do mundo se abriu e entrou a saudade
E ao longe
Ao longe da vida
O amor foi verdade

José Alberto Sá

terça-feira, 21 de março de 2017

Inseparável de mim

Inseparável de mim


Inseparável é a palavra que define a união,
o uso e o abuso em amor,
que eu emprego no papel com a tinta da minha caneta.
É como se de uma cópula se trate,
e jamais fosse possível a separação,
dos versos que vivem em mim.

Ela é burguesia, cortesia… Ela é rica e pobre,
simples e nobre,
ela sabe cantar como ondas do mar,
quando me fazem chegar os aromas de maresia.

Ela é pouca e em demasia,
provoca correntes de sangue
e abertos olhos de lágrimas em paralisia.
Ela me acalma e me extasia,
ela me acorda e me adormece em fantasia.

Ela faz parar a multidão
e faz correr pelas palavras momentos de melodia.
Ela é a saudade como a noite
e pureza como o dia.

Ela se faz cobardia, ela se faz moradia
e na sua ousadia, provoca picardia,
como se fosse rebeldia,
quando na verdade se olha,
e sem escolha, se sente e se escreve somente…
Porque assim é a poesia.


José Alberto Sá

segunda-feira, 20 de março de 2017

Os meus beijos são...

Os meus beijos são…

Ser ou não ser,
um pequeno pássaro que voa,
ser ou não ser, pele nua ou plumagem sedosa,
ou ave de rapina que grita e que me entoa,
ou rosa silvestre onde meu olhar poisa,
ou pétalas que caiem, que morrem no chão
ou vivem na coroa,
como voos de pássaros, que voam de mão em mão e são…
São aves de amor, que num mundo à toa,
voam livres como quem canta, como quem voa.

Ser ou não ser,
uns lábios vermelhos que beijam,
que amam e voam
como pássaros de lábio em lábio debicando,
ser ou não ser como poetas que voam,
como asas se afirmando,
se amando em voos de tentação, são…
São anjos de sexos diferentes,
são gente que canta, que grita, que fala,
são aves que voam como gente que batalha
e não se cala.

Ser ou não ser
um pequeno poema que voa,
ser ou não ser a pomba, o tentilhão,
o rouxinol, a andorinha,…
Ser ou não ser a rosa que tomba,
num colo ou num coração,
ser um girassol que dança no campo,
ou um encanto de quem é, ou não é,
o voo de um pássaro pequeno que voa,
no meu jardim.
Ser ou não ser um pequeno pássaro
e um enorme amor dentro de mim!
São beijos meus, são assim…


José Alberto Sá

sexta-feira, 17 de março de 2017

Uma pequena flor

Uma pequena flor

Achei-me em louca importância no agarrar do cabo, do meu chapéu-de-chuva.
E ouvi a dona cair sobre o pano preto, gota a gota rumo à indiferença que existia no chão, pois o importante era muito mais além.
Os meus sapatos brilhavam molhados, as meias de tecido azul acariciavam os meus pés, que saboreavam a humidade que também os invadia.
Pelas costas sentia o bater do vento, também ele arrastava gota a gota a transparência de um céu que chorava e tudo me entrava na pele fria.
Perdi-me sem importância no agarrar do cabo e a gravata sentiu-se irrequieta como num aviso de que deveria acelerar o passo.
A cara humedecida levava consigo um sorriso, numa das mãos um ramo de flores e agora, um passo mais apressado.
Em cada passo a chuva era mais forte, sentia o escorrer da água pela coluna, o meu chapéu-de-chuva partira-se antes da chegada, que era muito mais além.
Continuei… Até que estendi a mão e toquei à campainha, uma porta se abriu, um rosto sorriu, um beijo que ninguém viu… Entrei e ofereci dizendo: Estas flores são para ti meu amor, não há tempo que me impeça de ser eu, nem o mar, nem a terra, nem o céu… Nem o sol no seu raiar, nem a chuva em mim a cair, nem o vento me fazem recuar, nada me impede de contigo sorrir.
As flores húmidas estavam felizes, uma outra flor sentia agora a humidade e eu despido sentia a evaporação… Fizemos amor!
A vida não impede o amor, pois tudo se resume ao gesto, ao sentido, ao querer, como quer a vida uma pequena flor ou um pulsar de coração.


José Alberto Sá

quinta-feira, 16 de março de 2017

Existes e eu não sei onde!

Existes e eu não sei onde!

Onde estás sólida afirmação deste meu esperar,
onde te posso encontrar,
onde me posso unir,
onde te posso amar, amar como a sorrir.

Onde estás beleza e talento,
onde te posso encontrar
sensibilidade do meu olhar,
onde te posso amar, amar como a sonhar.

Onde estás sonho ou realidade,
onde te posso ver, auréola de luz,
onde te posso amar, amar como a Jesus.

Onde estás espuma de amor,
onde te posso encontrar, rebeldia do meu desejo,
onde te posso amar,
amar como quem sente na boca um beijo.

Onde estás abraço que nos une,
onde te posso encontrar ritmo da minha vida,
onde te posso amar, amar para sempre,
sem despedida.

Diz-me,
pois não te encontro doce flor,
ou não me encontras,
nem sabes de mim em teu amor!


José Alberto Sá

terça-feira, 14 de março de 2017

Tanto querer

Tanto querer

Eu quero, eu quero, eu quero, …
Eu quero ter um sonho teu, que mesmo não sendo belo, será sempre na união, melhor do que o meu.
Eu quero mesmo que magrinha, branca ou morena, eu quero sonhar contigo num mesmo céu, mesmo que não me sonhes, eu sonho-me num sonho teu.
Eu quero crescer contigo linda menina, crescer e crescer é ver-te de véu, e mesmo sem te ter presente, é loucura num sonho, num sonho que já é meu.
Eu quero, eu quero que sejas a primeira, branca, morena ou trigueira, mesmo na mágoa, que por muito pequena, que se apague, pois eu quero amar-te e levar-te sem pena e sentir-me branco, moreno ou trigueiro à tua beira.
Eu quero, agora ou mais tarde ver-te de sorriso ou em flor, mesmo sabendo que um céu pode ser dor, eu quero, eu quero eternamente o teu amor.


José Alberto Sá

segunda-feira, 13 de março de 2017

Espero por ti

Espero por ti

Alimento-me pelas íris ao olhar o horizonte, alimento-me do mar, das ondas, da areia e volta e meia da sereia, que vem nas ondas, mesmo de fronte.
Já não me chega sentir a terra, quero mais, mais aventura, quero mar, quero sol e um brilho lá do céu que me chega da altura.
Alimento-me das estrelas, dessas sentinelas do luar, que me vêm a olhar, a sentir e a sonhar, que a donzela vem a remar numa linda caravela!
Alimento-me da criação, deste mundo vigilante, e sonho como amante, nas ondas de um mar, que me levam o coração.
Olho, vejo velas e mastros, sinto em mim muita alegria, gaivotas a adivinhar que a noite está a chegar e o mundo adormece o dia.
Olho e vejo alguém ao leme, vem a brilhar pela luz dos astros, velas ao alto abraçando os mastros e uma menina que me acena, porque já não teme.
Vem caravela, vem acender este meu pulsar, alimenta esta solidão que sempre me gela e deixa ancorar, essa linda mulher que continua a acenar.
Alimento-me desta vida, alimento-me do Deus dos homens à nossa semelhança, na certeza porém que o alimento convém até que exista esperança!
Vem ao longe no horizonte, uma donzela mesmo de fronte!


José Alberto Sá

sábado, 11 de março de 2017

Deixai romper, deixai...

Deixai romper, deixai…

Deixai… Deixai que o corpo rompa as flores.
Deixai que o ventre e que a semente seja fruto da seara, das flores e do amor que não pára.
Quem me dera sentir ao te embalar, esses teus gritos a ressuscitar, teus gemidos ouvir como que a cantar e despidos sentir a primavera, neste deixai romper, neste quem me dera!
Deixai-me pedir a luz e oferecer-te toda a claridade, e nesse imponente amor, sentires o meu, no teu, o que te fosse melhor.
Deixai o céu ser o mundo, deixai que o suspiro dessa tua boca, seja vento na minha e pelas mãos perdidas, se sinta no mais profundo, o amor, a paixão e que a quimera da união seja louca.
Quem me dera que o perfume de ambos ficasse tatuado no mais sagrado ventre, que um dia desejei e que ao sonhar-te pedi e prometi que te daria, tudo que é meu. E que ao romper desse dia, as flores sejam magia, sejam tudo que eu mais te pedia…
E ao pedir, quero receber o vento da tua boca e gritar: Deixai romper, deixai…


José Alberto Sá