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quinta-feira, 25 de maio de 2017

O futuro fabril (febril)

O futuro fabril (febril)

O mundo de mim nada sabe
Nem a voz de quem ordena é exactidão
Eu vivo o amor que em mim cabe
Dando ao mundo o suor de cada mão

E mesmo sabendo que não me escutam
Digo de mim a sabedoria
Trabalho arduamente pelos que permutam
O amor suado com alegria

É assim o mundo das inteligências corrosivas
É assim o corroer de altiva voz bruta
Fazer sentir um milagre pedido ao mendigo salva vidas
Que sem opinião se vê frouxo na sua luta

Dizem alguns que é mudança
Para outros o dinheiro é soberano
Para quem grita e mendiga o trabalho é esperança
De um teatro sem artistas ao fechar do pano

Assim é o dia entre obstáculos e paredes
Assim é a evolução des(humana), sem amanhã
É assim o mundo trabalhador preso entre redes
É assim o poder de um mundo, que talvez será!

O mundo de mim nada sabe, nem quer saber
É por essa razão que somente sou eu
Um ser humano capaz de compreender
Que a morte é igual, desde que o mundo nasceu


José Alberto Sá.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Viver...

Viver…

E quando te deitares no deserto…
Olha o horizonte e imagina o céu estrelado!
Sentirás um oásis tão perto…
Que a fartura da vida a sentirás a teu lado!

Assim vivo neste chão poeirento…
Assim o céu me chega, tal como a chuva da fonte!
Assim sinto o deserto, o horizonte e o sentimento…
Assim me vejo oásis, contigo amor, aqui defronte!

E quando te deitares sobre o mar…
Olha a maré e sente os aromas da maresia!
Sentirás nas ondas do amar…
O calor de uma mãe, como Jesus sentiu o de Maria!

Assim sou na humildade, neste meu canto
Assim me vejo sorrir nos braços de quem abraça
Assim sou pai, poeta, amigo e nunca santo
Assim me dou, assim vos peço… Amor e Graça


José Alberto Sá

domingo, 14 de maio de 2017

Trocam-se amigos!

Trocam-se amigos!

Não são os amigos! Nem o cigarro
Nem a sirene ao fundo da estrada
São os gritos por amigos!
De um quase morto,
pelas cordas bocais da imensa dor, sentidas como catarro!
São gemidos tais,
que o som na encruzilhada,
é ser vivo, é ser vinho, ser amigo e na mesa posto!
Num posto sem carinho e sem nada!

Não é o roncar do motor
Nem os amigos que se esqueceram,
nem os travões sem calços
São meros latidos de um mundo baldio!
Pelas manhãs sem amigos,
pelas tardes sem amor
São grunhidos e percalços
É o sangue por amigos!
É a vontade de um eu, em todos derramado!
Nas manadas de foragidos!

Não é o respirar sem garganta
Nem os amigos com vaidade,
nem o ventre que gritou para nascer
São caminhos de agora, com amigos,
sem amigos! Sem futuro!
São vozes nas cinzas e a tarde é tanta!
Que a noite são lágrimas escorridas a sofrer
Pelos amigos que a sorrir!
Me vêm escrever atrás de um muro!

E eu pergunto aos amigos: Porque vos alterais?
Se para mim a alteração, não é mais que estar perdido!
Em mais que um coração! Em mais que um pedido!
Não é pelo rio que corre, nem pelo mar que recebe!
É pela mão de um pobre, que vos ama e persegue!

José Alberto Sá

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Uma gota que sorriu

Uma gota que sorriu

Sorriu a gota de água, que vivia no fundo do oceano.
Trepou vagarosamente até chegar à superfície de um mar imenso, sorriu e feliz pensou como eu penso!
Olhou o céu e viu uma estrela, viu a lua, viu a noite, viu o vento e viu uns olhos brilhantes, uma caravela, uma silhueta nua… Era eu sozinho no meu barquinho em sonho, em doces instantes.
Sorriu novamente a gota de água, em direção ao céu, o sol nascera e a fez levitar… Sorriu tal como eu, meu sonho se fizera nos lençóis daquele mar.
Ao longe se formava uma nuvem e a gota de água queria conhecer o macio daquele algodão… E eu já na nuvem a esperava no macio do meu coração.
A gota se escondeu ao chegar à nuvem e eu, tentei em vão procurar, pois não a consegui encontrar.
De olhos tristes olhei o horizonte, estava negro e uma tempestade se fazia sentir… E ela estava ali mesmo de fronte, dentro da nuvem em verdade e eu sabia que a voltaria a ver sorrir e nas águas mergulhar.
Foi então que um trovão se fez ecoar, milhões de gotas me chegaram e se aproximaram do mar… Uma delas… Uma delas era a minha gota.
A vida é feita de sonhos e de realidades, a vida é nascer e morrer… Mas a gota que escrevi, será eterna aos olhos dos que sonham, sorriem e choram na realidade da vida e do amor!


José Alberto Sá

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Somos bichos!

Somos bichos!

Pela terra corre a besta, nasceu bicho!
É parecido com o monstro que habita o meu espaço!
É aquele! É aquele!
Aquele que fala!
Aquele que cala!
Aquele que faz, como eu faço!

Pela terra berra o animal, como lixo!
É labirinto por onde caminha e não se encontra!
É aquele! É aquele!
Aquele que me afronta!
Aquele que pelos corredores se cruza!
Aquele que abusa!

Pela terra deambula o faminto, nasceu irracional!
É parecido com Jesus! Amado na mesma luz,
se a sorte não for do mal!
É aquele! É aquele!
Que bicho morrerá!
Como o outro, que assim morreu!
Enterrado na mesma terra, num dia de amanhã!

É aquele! É aquele!
Sou eu!
Sou eu que não consigo, é ele que não consegue!
Pela terra se nasceu nu, na vida não há quem negue!
Pela terra morro eu, pela terra morres tu!
Assim a vida nos mede! Quando aqui não soubemos!
Que a vida, tudo nos deu!


José Alberto Sá

domingo, 30 de abril de 2017

Impossível nos dias de hoje!

Impossível nos dias de hoje!

É possível ver ainda hoje gravatas pavonearem-se pelos corredores, como se fossem espécimes especiais, ou criaturas capazes de salvar o mundo!
Exibem o ar de quem está acima do cidadão comum, abraçando o povo, tirando fotos, como se a minha terra fosse uma mera brincadeira fotográfica, ou uma exposição de caricaturas!
Que enormes são estas vedetas, que aparecem na minha terra, sem se darem de conta que já é habitada há muitos milhares de anos e por pessoas capazes!
É difícil olhar estes rostos moribundos, com sorrisos amarelos e sínicos, sabendo que depois do abraço e foto, recolhem-se nos processos complexos e intermináveis de esquemas que ferem os pobres, os mal pagos, os que pagam mais impostos e ainda são depois perseguidos pelas mesmas máquinas políticas, mas desta vez sem abraços ou fotos para recordar!
A pouca vergonha é tanta, que neste pequeno recanto do mundo (a minha terra), estes seres são capazes de vir oferecer mais obras megalómanas, mais elefantes brancos, sabendo eles, que nem os buracos das estradas conseguem tapar!
O poder do dinheiro amacia congressos e opiniões, mostram ao povo que se interessam por eles e depois… Nada! E engorda um imenso rebanho de ovelhas malhadas… Malhadas pela mentira, pela corrupção e pelo poderio sem governo!
Estamos a caminhar para mais um evento político, onde os atores já ensaiam a peça… O povo é o espectador, está na hora de fechar o pano e dar 3 pancadas de Molière nesta geringonça que nos persegue!
Haja esperança, creio que o mundo terá de criar novamente seres humanos!
Hoje os homens estão robotizados! Que saudades das escolas que criavam inteligências e não seres que se perdem na ignorância do poder monetário! Quero crer que por entre as mãos de um ser humano puro, floresça uma flor e que a plantemos no nosso jardim de nome Espinho (minha terra)!


José Alberto Sá

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Uma lágrima numa rosa, um pedido

Uma lágrima, numa rosa, um pedido

Uma lágrima caiu
e o amor estremeceu
Quando pediu a esperança
A uma luz lá do céu
E esta vestida de vento, amou e sorriu

E com os lábios,
pediu à lembrança
Uma chuva de amor
Um beijo e um carinho teu
E a lágrima caiu, abraçando
de flor em flor

E uma rosa vermelha
Que a um cravo se assemelha
Na beleza e na cor
Recebeu gota a gota
toda a candura do amor

Outra lágrima caiu
E quando no chão se viu
Pediu ao mundo a vida
E a luz da bondade
Deu-lhe a bênção pedida
Deu-lhe amor, muito amor em liberdade

Essa lágrima que caiu
Pediu ao mundo compreensão
E a luz chegou-nos aos olhos
Como lágrimas aos molhos
Pedindo a paz e a união


José Alberto Sá

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Para rir, num assunto sério!

Políticos, pessoas peludas!
Para rir, num assunto sério!

Ouvi algumas crianças falar de pessoas peludas! Com pelo no peito, na barriga, nos ombros, ao longo da espinha, nas pernas, na cara e na extremidade! Diziam que estas pessoas eram como selvagens!
E quem me falava eram crianças, meninos e meninas da escola primária!
Também alguns adolescentes me falavam destes homens, selvagens!
Queria saber mais!
Fiz uma intensa pesquisa!
E no final, fiquei surpreendido… Falavam dos políticos!
De todos os que nos governam selvaticamente…
Tentei explicar-lhes que não eram assim peludos e fiquei surpreso com a resposta imediata!
Disseram-me: O pelo do peito esconde-lhes o coração, o pelo da barriga esconde a gula, o pelo nos ombros seguram o fato, ao longo da espinho o pelo endireita a corcunda do remorso, o pelo das pernas enche-lhes as meias como escondem o dinheiro, o pelo da cara esconde a vergonha e a mediocridade, na extremidade o pelo de nada serve, só esconde mais uma cabeça sem cérebro!
Calei! E dei-lhes razão, pela lição que me deram, talvez cresçam e sejam o futuro.
De um mundo depilado, sem corrupção!
Eu acredito que existem homens selvagens e peludos!


José Alberto Sá

E amanhã?

Um século de naufrágios!
E amanhã?

Tenho andado assim… Assim a olhar em volta, a ver o futuro seguir pela mesma estrada, de um passado que já não é!
É extraordinário que, após um século dilacerado pela violência e tantas guerras, pelo holocausto e pelo genocídio, por gerações que devastaram o meio ambiente, por violações dos direitos humanos, por tantos radicais fundamentalistas, religiosos e políticos, por ditaduras e totalitarismo por vezes de sinal contrário, por tanta devastação, miséria e fome… E este mundo se prepara para chegar a 2018, sem conseguir uma renovada esperança, a liberdade da democracia e sem conseguir a paz!
Já não basta só esperar, é preciso sim reclamar, é preciso gritar e dizer não!
Um século governado por inteligências, ocas! Por pessoas que estudaram, nada! O dinheiro comanda a vida!
É preciso que o povo deixe de navegar no Titanic, este se afundou, venham lutar e dizer não, entrem na Arca de Noé e sejam guiados pelo amor, partilha, humildade e sabedoria… E serão salvos!
Expulsem quem nos faz mal! Ignorem quem nos aperta a mão só uma vez e por interesse! Não falem com quem vos recebe e depois vos ignora!
Tenho andado assim… Assim a olhar em volta, revoltado!


José Alberto Sá

domingo, 23 de abril de 2017

O beijo de Judas

Seres Des(umanos)
O beijo de Judas!

Não entendo este mundo! Estou a escrever estas palavras, numa tentativa desumana para tentar perceber o sentido das coisas!
Num momento é um punhado audaz de pessoas, que suscitam nas multidões a convicção de que existe um amanhã que encanta!
Os resultados de tudo é o que encontramos, uma constância de esforços insensatos, o negar de ideias, o não aos valores, sonhos perdidos, raivas, ódios, medos e tudo faz mover a humanidade!
Nisto tiro uma conclusão, o futuro continua absolutamente imprevisível e nem as ideias o movem. Nisto tudo o homem é a razão do fim do mundo! Não compreendo!
Quando a sociedade é colocada ao serviço da economia e não ocorre o contrário, o funcionamento do mercado deificado, aparece muito mais importante que a felicidade dos homens!
Este sistema da vida, que se oferece como paraíso, funde-se na exploração do próximo e na aniquilação da natureza, tudo nos ataca o corpo, nos envenena a alma e nos está a deixar sem mundo!
A criatura surpreende a cada dia, estes homens que se dizem superiores só porque estudaram e não têm vergonha de passar na rua e olhar o povo nos olhos, são estes que nos querem fazer passar pela ideia, que devemos enterrar o passado e nunca imaginar que o presente nasceu desse tempo!
Tenho que viver neste mundo sabendo que a vida é curta!
O momento é fugaz e o juízo final será difícil para alguns!
Será preciso lançar muitas sementes à terra, para termos frutos dignos de saborear, pois só algumas sementes germinam!
Apelo ao respeito profundo da dignidade humana e pela consciência de que o outro é meu igual, comigo partilha o mesmo destino de viver e morrer!
Então não compreendo a vergonhosa humanidade que alguns fatos e gravatas, os vaidosos que vivem da pobreza, do povo e não lhes tem respeito!
Não compreendo como têm coragem de se olharem ao espelho.
Gostaria que me dissessem como conseguem educar os seus próprios filhos, aos olhos dos filhos dos outros? Que exemplo humano esses seres maquiavélicos dão aos seus? Como conseguem dormir?
A resposta à força e à coragem que tive para escrever estas palavras, é a seguinte:
Existe um Homem que me fala sobre a descoberta e mistério de Deus, Ele me fala do mistério do homem e sobre a visão da vida assente na liberdade, na gratuitidade, na simplicidade, no amor e na bondade, a Ele chamo de Rei, a Ele me vergo, a Ele peço e só Ele me dá. Obrigado por tudo, minha Luz… O poder é resto, é vazio de sentimento, é ausência mesmo que presente. Até um dia…
Comparo os políticos ao beijo de judas… São a mentira humana!


José Alberto Sá

Nós também somos Espinho!

Nós também somos Espinho!
E mais uma mudança se avizinha…

Enquanto fazem previsões, promessas e melhorias por interesse, gostava que a minha terra crescesse sem ter de esperar pelos próximos!
A cultura terá de ser dinamizada, terá de ser considerada, também terá de acontecer a recuperação de infraestruturas com mais-valia, com mais qualidade e com mais igualdade, uma terra para todos.
Socialmente, desportivamente e culturalmente!
Quantos jovens e adultos gostariam de ter o seu espaço, o seu momento, a sua alegria, que a minha terra tivesse movimento e um sorriso inesquecível.
Nunca é tarde para começar, mas… Porque guardam as aventuras, quando o tempo de eleições está próximo? O povo da minha terra vive todos os dias!
Alguém tem de nos olhar e nos dar ocupação, assim podemos ocupar a nossa terra e viver numa igualdade sem limites.
Não interessa obras de milhões, quando o resultado é negativo, interessa obras de caridade, harmonia, obras com a capacidade de ver os habitantes felizes, obras estas que por vezes não chegam a umas centenas de Euros.
Enfim… A minha terra, um dia terá que lhe dê a dignidade humana que merece… Vivo intensamente com esperança… E esta esperança é ver com os meus olhos Espinho uma cidade enorme, Rainha da Costa Verde e com as Freguesias de mãos dadas, estas que quase foram abandonadas pela autarquia.
Espinho não é política, Espinho é a minha terra… Espinho não precisa de um partido, Espinho precisa de um ser humano!
Espinho não precisa de obras no ano de eleições, Espinho precisa de obras todos os dias e em todas as direções.
Espinho não tem um dono, Espinho é dos Espinhenses e de quem nos visita com amor.
Espinho é abraço e não um aceno individual.



José Alberto Sá

quinta-feira, 13 de abril de 2017

A Luz da Vida

A Luz da Vida

O mundo nasceu quando morreu, quando o trovão rebentou e o mundo acordou com outro coração e de novo a luz se aproximou do céu e do chão!
Dois barrotes pregados em cruz, um lençol, lágrimas, dor, perdão, amor e um Homem de Luz… Jesus!

O mundo nasceu quando morreu!
O trovão rebentou e o chão se calou!
Outro coração renasceu de um novo céu!
Uma nova luz nos perdoou!

Dois barrotes erguidos levantavam o amor!
As lágrimas corriam pelo rosto sofrido!
Um lençol aconchegava a dor!
E no perdão o Homem de Luz… Não tinha partido!

Olhou o céu, pediu ao Pai por nós
Olhou a terra, fechou os olhos, ficou com Deus
Abraçou-nos com amor, não ficamos sós
Olhou e renasceu fazendo-me sentir o amor, com estes olhos meus!


José Alberto Sá

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Sinto-te, sinto-me...

Sinto-te, sinto-me…

Oh, artista de palavras.
Sinto-te, sinto-me no som de uma flauta, que constantemente se faz vento, se faz chuva, se faz amor e me faz prisioneiro da folha em branco.
Uiva-me, como um lobo uiva quando chama a alcateia.
Oh, artista que semeia, artista de lindo manto… És o momento…
Sinto-te, sinto-me neste obrigatório labirinto, nestas ondas magnéticas que soam da flauta mágica do pensamento.
Derruba-me, derruba-me o silêncio que me provoca inspiração, não consigo parar de ondular sobre o vibrar das notas, e escrevo, escrevo, escrevo,…
Oh, artista que abres e desfolhas cada página, escreve e canta, canta cada letra como se fosses voar.
Sinto-te, sinto-me em cada poetizar, em cada verso, em cada timbre que floresce por entre os teus dedos, os meus dedos quando escrevo.
Oh, artista… Sinto-te, sinto-me no som de uma flauta e escrevo, escrevo, escrevo,… É mágico!


José Alberto Sá

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Uma luz

Uma luz

Foi então que graças ao amor tudo aconteceu, carregaram as nuvens, choveram lágrimas e se rasgou o céu.
Foi então que a grandeza da história voou nas nuvens, os povos se olharam com olhos de amor e se louvou a Glória.
Foi então que a nossa existência se viu na extensão do céu, as nuvens passaram, os olhos acreditaram e a luz veio a quem ao mundo agradeceu.
Foi então que se descobriu, que as nuvens são nómadas, os olhos são da terra e a vida de quem partiu.
Foi então que se amou, acreditando que para lá das nuvens não estamos sós, que existe uma luz brilhante, que vive intensamente, porque um dia morreu por nós.
Foi então que graças ao amor tudo aconteceu, agora basta amar na terra.
A Luz nos ama do céu.


José Alberto Sá

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Poesia imortal

Poesia imortal

Olho-te meu amor, e é tão suave o vestido que esconde a pele e os contornos proibidos!
A história deste meu olhar, escrevo-a com os cinco sentidos.
E se me olhares verás a anatomia deste meu amor!
A arte na total importância, de quando te olho e me fazer sentir o teu interior.
E ao escrever estas palavras, faço em cada letra um gesto erótico, e a exuberância da minha mente imagina-te nua em cada rabisco horizontal!
A história é um olhar que te segue em poesia e se sente imortal.
Se me olhares tal como te olho, serás privilegiada pelo exibir da inocência que trago, que escrevo e falo.
A arte somos nós vestidos ou nus, quando te olho, quando me olhas.
Eu sei que o amor completo pode estar num poema que escrevo para ti e que não calo.


José Alberto Sá

sábado, 1 de abril de 2017

A mudança

A mudança

Tão jovem eras tu e sempre me encorajavas com esses teus olhos secretos.
Tão jovem eras tu e eu não resistia à circunstância dos teus apetites diretos.
Tão jovem eras tu e indefesa perante a força do meu olhar.
Tão jovem eras tu, que no frenesim arrebatado por mim, te abrias para amar.
Eram os toques obscenos aos quais me dedicava com amor.
Eram momentos de energia que se redobravam ao nos possuir.
Eram pele na pele, os dedos nervosos e apetites acetinados em flor.
Eram investidas, esforços sorridentes, suspiros contentes e lábios róseos a pedir.
Tão jovem eras tu, de mão trémula e macia, que se faziam passear.
Tão jovem eras tu, brilhante como a lua e de excitante estremecer.
Tão jovem, tão bela, tão sublime, que de perfeição nada mais era como o teu salivar.
Eram fervorosos os movimentos de cintura, que hoje lembro com ternura o nosso apetecer.


José Alberto Sá

quinta-feira, 30 de março de 2017

De ti

De ti

Não quero merecer o ódio de alguém, nem quero ser o bairro que se ergue nos embaraços de um mundo odioso.
Eu preciso de toda a gente! E ser em amor contagioso!
Não quero ser o escape ao sorriso, nem a contrapartida à tristeza e noites frias.
Eu preciso de amor todos os dias!
Não quero ser a derrota, das cartas sem trunfo, nem ser julgado pelo errado que não fiz
Eu preciso de viver, simplesmente da copa à raiz!
Não quero ser a existência de um ser fingido, não quero ser a consciência perdida, por encontrar nos outros a diferença.
Eu preciso de sentir, continuamente a presença!
Não quero ser conselheiro de uma razão que não tenho, nem ser amante de alguém que não sabe amar.
Eu preciso de alguém, de preferência humano, que saiba dar!
Não quero morrer namorado de uma espera, não quero amar e casar com a guerra.
Eu preciso abraçar e ser abraçado pelo vento… Quem me dera!
Não quero que o tempo conte em aflição, nem que as veias se preencham de sangue frio, sem coração.
Eu preciso de amor verdadeiro e compreensão!
Não quero ser egoísta por inteiro, não quero ser campeão de um jogo, nem ser uma vontade por aí.
Eu preciso e preciso muito… De ti!

José Alberto Sá

domingo, 26 de março de 2017

Uma mesa ao centro

Uma mesa ao centro

Lembras-te?
A sala estava vazia e na mesa ao centro, somente existia a distância e a frieza entre o teu e o meu olhar. Estavas sentada num dos cantos a olhar para mim, eu sentia e sabia que fazias uma breve leitura do meu corpo nu, com esses teus lábios quietos, que me inquietavam.
Somente a mesa nos separava, eu sentia tal como tu o frio do chão, o frio da parede e o frio do teu coração!
Lembras-te?
Os meus olhos sentiam-se no impossível, no mais triste sentir, também te lia com estes meus lábios entreabertos.
Era impossível não ter as mãos húmidas, trémulas, pois a tua subtileza fazia-me transpirar pela ansiedade de te abraçar.
Via que o teu coração pulsava, sentia-o querer rebentar um dos teus peitos, estavas nua, também tu sentias o frio do chão, a humidade da parede e a tua sede.
Lembras-te?
Por baixo da mesa nos observamos, o silêncio somente era perturbado pelo gritar do nosso olhar. Tu querias… Eu queria… E na verdade ambos desejávamos o mesmo…
A sala estava vazia, tu a um canto, eu noutro e a mesa ao centro.
Lembras-te? Fui eu quem vergou!
Desculpa por exagerar na minha vontade, mas eu já não aguentava mais aquela distância… Pedi que me abraçasses, lembras-te? Pedi que comigo fizesses daquela sala, um jardim colorido.
A sala continuou vazia, mas o frio passou! A mesa ao centro se ocupou com um jardim colorido, nos perdoamos, nos abraçamos, nos beijamos com tanta clareza, que fizemos amor em cima da mesa!


José Alberto Sá

Lado a lado

Lado a lado

As tuas curvas melodiosas modelam volumes, vales e fazem desesperar a subtil dureza do meu mundo.
Dessa forma contemplas a obra que nos faz gostar um do outro, dessa forma sou homem inteiro, que somente se mutila quando me dou, quando me dás!
Não vale ignorar, não sou estranho, não sou o extremo, não sou a experiência… Não vale ignorar, sou do tamanho do mundo que temo, sou a inocência, por isso me dou, por isso te peço a coincidência de nós.
Sinto as tuas curvas quando deitado na cama, vejo em cada volume e cavidade o amor em cena e neste teatro invejável, beijo os lábios vermelhos abertos, como se fossem uma janela de sol em versos e os meus olhos poema.
E ao acordar sobre o azul-acinzentado de um céu que chora, abraço as curvas, contorno volumes e desço ao fundo… Ao fundo de uma loucura, de dois corpos nus que se amam lado a lado.

José Alberto Sá