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sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Arde ao vento a loucura

Arde ao vento a loucura

E as árvores se prostraram
na imensidão de joelhos,
como pássaros que voavam
parecidos, já com os velhos
E descendo a lavareda
Saltaram poeira, fumo
e tanta asneira
Que enlouquecidas
as árvores, não deram fruto
E os pobres pássaros
eram na fuga sem rumo,
uma casa sem eira
E o fruto… Um trago sem vida
Sem gesto…
Uma lágrima
Na imensidão do tempo curto
Ao longe a sirene gemia,
com heróis numa estrada sem farda
E as árvores, as casas e a loucura
rebentavam queixume, sem lume
Sem nada!


José Alberto Sá

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Sonho

Sonho

Cobri o teu corpo!
E na doentia curiosidade, estimulei o que jamais existiu!
Sem tabus… Sonhei!
Cobrindo num sopro.
Um desejo que meu corpo sentiu!
E que um dia será, serás e serei!


José Alberto Sá

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Amor

Amor

É uma constante o amor que sinto
É febre de um artista,
que se mantem prisioneiro da carne e sentimento
É chama real,
é alma viva esta porta que mantenho aberta ao sol
É graça,
é chave sem tabus, é querer verdade no olhar
É uma constante o amor que sinto,
é a origem do universo
Sou eu, és tu… É verso


José Alberto Sá

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Conhecia e desconheço!

Conhecia e desconheço!

Homens que se negam e se separam da Igreja e do Estado!
Mentes que me dececionam, mentes que conhecia e desconheço, agora!
Vingam-se finalmente da nudez branca assexuada, quando viveram comigo num tempo puro e já passado, hoje são verdadeiros violadores da nudez negra e tresloucada! Não os quero acompanhar!
Mentes que conhecia e desconheço… Agora!


José Alberto Sá

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

A luz de uma cidade

A luz de uma cidade

Olho a luz de uma cidade e arrepio o meu sentimento perturbado!
Olho em transe, numa imensa inquietação, angústia e o equivalente ao silêncio!
Olho com asfixia o assombrado mundo de uma cidade erguida, linda, perfeita e perdida!
Olho com hesitação a conquista deste pequeno mundo, onde os adultos promulgam as leis que são preciso trair, para que se façam herdeiros da desumanidade de uma cidade!
Pressinto que não sou somente eu, o perturbado por todo o mistério que representa dois dias, o antes e o depois das eleições.
Aborreço-me majestosamente, pois vejo melancolicamente os desejos hipotecados, sei que são torpezas de um cérebro que trabalha ininterruptamente e sei que passará com ligeireza esta definhada aventura, de alguém que já não se sente ser…
Olho o exibicionismo de um fantasma que já não arrelia, ou seja, já não assusta!
Olho esta cidade e chamo-lhe: Alice no País das Maravilhas parece-me sentir o Dogson, este criador do fantástico mundo que só ele sonhou!
Olho e tenho pena da Alice, pois a cidade está sem maravilhas.
Olho e penso… Que seria da cidade ao lado da minoria capaz, daqueles que a sentem como sua, daqueles que a amam.
Olho e penso… Sou o aparente afastamento deste odor fétido, que se desprende
das paredes lodosas, onde a hipocrisia dança de mãos dadas com os inocentes do jogo, onde só ganha um, os outros são a necessidade pitoresca para o festim ou ritual demoníaco.
Olho e peço… Será necessário alterar o contexto de uma cidade sem rótulo, que um dia nasceu para viver na luz da sua gente.
E quando a Alice no País das Maravilhas deixar de sonhar, de nos aldrabar, de nos acenar como os burros com a cabeça, será a hora de sermos nós a realizar, a cidade merece e espero que aconteça!


José Alberto Sá

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Pulsa dentro de mim um “Espinho”

Vou falar de tempos de amor, de tempos que ficaram em meu coração e com certeza me acompanharão até ao destino.
Nasci numa terra de amor “Esmojães, Anta - Espinho, conheci gente de amor, brinquei em amor, partilhei em amor, dei em amor, recebi em amor… E fui crescendo com todo o amor que me foi dado!
Tinha amigos de um amor soberbo, ainda hoje tenho amigos desse tempo, ainda hoje, olho toda a gente como se eu fosse uma criança e toda agente me olha com amor… Salvo exceções, das quais vou aqui falar.

Cresci como todos cresceram, só que eu ainda trago aquele amor que me deram na terra onde nasci, ainda trago o amor de menino.
Hoje sou homem, feliz, com uma família orgulhosa, pobre, honesta, simples e carregada desse amor que trago.
Vejo hoje como homem, amigos perdidos na luxuria, na vaidade, na loucura incompreendida e já sem solução para que o amor lhes acene novamente, perderam esse Dom de Deus!
Como homem faço meu voto por Portugal, pela minha terra e sempre que o faço, faço-o convicto de que pratico uma boa ação, pois acima de tudo e de todos, voto na vontade de ver o mundo melhor.
Votei faz tempo em Mário Soares, votei em Cavaco Silva e tantos outros iguais!
E quando o povo fala deles é pelas piores razões… Hoje vi cair mais um, Pedro Passos Coelho, mais um igual aos outros!
E triste, continuo a ver amigos a lutar por esta espelunca partidária, queria tanto que a nossa terra não tivesse máquinas, nem pessoas robotizadas… Queria tanto que tivesse-mos gente humana a olhar por nós!
Digo isto porque sou humano, faço coisas uteis e também falho como qualquer outro ser… Contudo, amigos dos tempos de amor, se alteraram com esta vertente hedionda, capazes de esquecer o amor que tiveram, a oportunidade que lhes deram de saber amar… Também eles um dia também definharão e serão chamados pelo mesmo nome que os outros!

Lição de vida: mais vale pobre e honesto e ser lembrado como Homem, que ser rico, vaidoso e robotizado e morrer como um mero calhau para a humanidade!
Obrigado por me ensinarem a não mudar de ideias, serei sempre eu…
Hoje vivo feliz e serei feliz até que o destino me chame.
Ser feliz é ser verdadeiro. Ser feliz é ter amigos eternamente.
A minha terra um dia compreenderá e saberá com inteligência unir o mar e a terra.
També Jesus lutou contra tudo isto e foi crucificado!
Eu lutarei com amor, na esperança que a vida se faça justa.
A mentalidade humana não se deve vender, deve sim mudar para melhor e o melhor é ser igual. Mesmo que crucificado pelo amor.
Deixem os outros serem qualquer coisa, pois qualquer coisa, tudo vale ou não!


José Alberto Sá

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Alguns não sabem abraçar!

Alguns não sabem abraçar!

Jamais arrancarei a pele para que veja o meu sangue!
Jamais…
Jamais serei o sangue que se confessa!
Jamais terei dor sobre as vértebras, sem que mereça!
Jamais olharei os membros rasgados, ou o corpo ferido!

Porque quero muito...

Sentir a pele nos braços de pelo arrepiado!
Sangue nas veias, que aquece o meu esqueleto comovido!
Olhar com olhos brilhantes, os heróis e os gigantes.
Levantar os membros vestidos de roupa com abraços!
E querer um corpo modelo pelo amor e pelos laços.

Jamais…

Jamais compreenderei a dor dos revoltados!
Jamais responderei pela dor dos artistas manipulados!
Jamais perguntarei pela dor, sem dor… Seja de quem for…
Seja qual a lei!
Não terei pena dos que gritam amor e não sabem a sua cor!

É que amor…
É luz vinda da gente… Da minha gente pela qual lutei!
E não me quiseram abraçar…
Um dia… Novamente serei! O quê não sei!
Mas pela minha gente, lutarei novamente!
Até que seus braços me saibam abraçar!


José Alberto Sá

domingo, 17 de setembro de 2017

Queremos-te renascida

Queremos-te renascida

Espinho tantas vezes flor,
Rainha da Costa Verde!
Tantas vezes amor,
Rainha unida,
hoje separada por uma parede!
Hoje olho-te,
como se fosses sexo feminino,
pois tantos te violam!
Eu te vejo possuída por membros eréteis!
Que no destruir se consolam!

Espinho tantas vezes meu mar,
tantas vezes fruto das árvores da felicidade!
Tantas vezes colorida,
Rainha vareira,
hoje acenada pela mentira e ingenuidade!
Hoje olho-te,
como se fosses procura sexual,
de um poder que se masturba sem idade!
Que possuem mentes sequiosas,
que procuram o orgasmo na vaidade!

Espinho está na hora da mudança!
Queremos em ti a virgindade!
De quem te ama como nasceste
De quem te quer na lembrança!
Rainha da Costa Verde, que tanto deste
E tanto precisa com amor
Espinho flor e rainha
Nas mãos de uma Senhora
Que de braços ganhadora
Se fará presidente!

Leonor Fonseca será de toda a gente!


José Alberto Sá

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Quem és Leonor!

Quem és Leonor!

Tu te ergues Leonor!
De tanto Espinho viver
Eu diria mesmo em amor
Que ergues nos braços todo o ser
Que brilha em teu sorriso

Assim te abraça a vida
Sem abandono, àquele que te cerca
Quem és tu? Leonor!
Que de alma querida
Se veste com o peito
Espinho com respeito
O povo com amor

Oh rapariga que acompanho
Que vivo como que a cantar
Peixe na rede que é do nosso mar
Vida da terra, de todo o tamanho
Vida que escuta a voz da verdade
Mulher guerreira, mulher sem vaidade

Oh Leonor! Diz-me quem és?
Grita ao povo de tua bravura
Mostra à cidade onde vive a loucura
Grita aos ventos, à maresia, da proa ao convés
Grita no barco do povo vareiro
E mostra a verdade quando se é o primeiro

Tu te ergues Leonor!
E na canção que se cantar
Grita na quadra refrão
Que és mulher de amar
Igual à água e ao pão
Mas sempre com a gente do mar
E com a gente em amor


José Alberto Sá

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

O chafariz

O chafariz

Salpicam-se as pedras numa calçada portuguesa!
A luz vem da varanda, da beleza e da altura
E há homens, naquele canto da cidade!

Salpicam-se é verdade!
Dizem uns, que são vaidades de sua alteza!
Há homens, naquele canto de amargura!

Ao longe,
Casas inclinadas como vénia ao senhor!
Pobres salpicados sem água e sem brio
Vivem como homens, como homens do doutor!
Sentinelas debruçados sobre a fome e o frio

Barcos ancorados ao longe no horizonte
Quando homens de verdade se fazem ao mar,
mesmo defronte…
Mesmo defronte à calçada portuguesa!
Onde os homens da vaidade
São mentes na puberdade
Salpicados pela gula, pelas árvores sem raiz
Onde vivem homens que amam a cidade
Em redor do chafariz!

Salpicam as pedras de uma calçada portuguesa!
Onde a luz é uma certeza
Pois há homens, que não o sabem ser
Iguais… Iguais à igualdade da minha cidade,
que tem vontade de crescer!

Há homens naquele canto, onde nada habita!
Há homens… E uma mulher que grita!
Vamos vencer!

José Alberto Sá

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Assim desejo!

Assim desejo!

A cidade escolheu um homem
E na sua vontade
Desejou que fossem todos iguais

Depois,
Acreditou com esperança
E pediram que os tratassem,
diferente dos animais!

Acreditaram nas suas convicções
Deram-lhe o Município para tratar
A boca dos pobres para sentir
E deram amor por mil razões!

Assim cresceu o homem
Com tudo isto e muito mais
Depois,
O povo deixou-o entregue ao seu destino!
Viu-o acenar e nada se fazer!
Viu-o livre nos sorrisos, como menino…

Mas era tarde demais!
Tudo era desigual, e a humildade evaporou!
E fez-se grande!
E pretendia ser imortal!
Mas o povo não gostou!

E afinal,
Será pequeno este pobre animal!

O povo que lá o meteu
Será na vontade de alguém
Que mesmo sem vintém
O verá sentir o erro que cometeu!


José Alberto Sá

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Beijo-te

Beijo-te

Escavo o infindável num beijo,
quando o amor escondido
é o azul céu.
Línguas no colo
tocando o céu da boca,
lábio teu,
lábio meu…
Flores de saliva
e a mente se faz louca!


José Alberto Sá

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Quando tudo...

Quando tudo…

O mundo aos meus olhos minga!
O mundo cresce!
A vida se torna pequena!
O suor pinga!
O tempo falece!
Quando tudo, tudo vale,
ou tudo não vale a pena!


José Alberto Sá

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Bailado

Bailado

Curvas-te sedenta
E os pés altivos te fazem revelar
Curvas para quem não aguenta
A dança das calcinhas
Por entre pernas a cantar
Curvas tuas… Curvas minhas!

Curvas-te com ternura
E os pés sonâmbulos são a chave
Curvas que levam à fechadura
Portas de um salão
Por entre balsas, tangos e quem sabe…
Penetrar nas curvas desta canção!


José Alberto Sá

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Deste-me um dia...

Deste-me um dia…

Deste-me um dia, uma esmola num beijo!
Um amor recompensa e um olhar diluído
Deste-me um sorriso que já não vejo
Um abraço, um olá… Hoje partido

Dei-te a distância pela esmola sem receio
Uma prece te ditei, um sussurro puro e sincero
Dei-te a bondade e o carinho que anseio
Um novo sorriso, um novo beijo, que muito quero

Dar e receber é em mim coisa de infância
Querer é amar essa vontade sem distância
Pedir é sonho, uma esmola de amor

Passar por ti é sentir que nada é em vão
Deste-me um olhar, um sorriso, um louvor
Dei-te a escolha de me seres… Um sim ou um não!


José Alberto Sá

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Amontoados

Amontoados

São sapatos amontoados,
no tapete do meu quarto… São quatro
Uma jóia no pescoço, doce tatuagem
São pés descalços apaixonados,
na cadeira do pecado… São beijos
Uma perna, outra perna, corpos em viagem
São gemidos de gargantas e desejos
São seios na gravata
São almas puras… É belo
Uma cintura apertada, encanto e beleza
São loucuras de quem se tapa
Numa mistura de gestos em caramelo
Bocas sedentas e braços apertados
Como sapatos amontoados


José Alberto Sá

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Beija-me... Beijo-te

Beija-me… Beijo-te

Tenho as mãos presas,
no teu rosto
E o meu olhar é tão violento,
dentro do teu
Que sinto os lábios humedecidos,
pelos teus
E a língua a subir
a escarpa dos sentidos


José Alberto Sá

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Um dia...

Um dia...

Soam os ecos de tristeza, ouço o sino
Ele que faz de mim, um ser para amar
De luto, de vida e de paz, me faço hino
Que redobra a vontade de sorrir e acordar

Batem as badaladas que se perdem no céu
Alguém que morre ou então se vai casar!
Amargo ou doce sentir, na terra ou no véu
O nascer para a vida, o silêncio e o falar

Tudo é história, memória da natureza
Faz de mim ser homem de amor altivo
As trevas que não vejo são tristeza

E o som do sino que entoa é comovido
Acelera meu coração na vontade e na certeza
De um dia não saberem que terei morrido


José Alberto Sá

terça-feira, 27 de junho de 2017

Fazei de mim terra que seja

Fazei de mim terra que seja

Fazei de mim terra que seja
Imagem de um céu que acontece
Fazei com que me veja
Numa rosa que me beija,
onde uma abelha aparece

Fazei de mim terra que seja

Fazei com que nasça em mim
Alma branca, num corpo humildemente
Fazei-me alegre, nesta estrada sem fim
Onde o sonho se eleva e me aparece,
parecendo que está ausente

Fazei de mim terra que seja

Fazei-me aliviar o sofrimento,
levai as dores deste corpo que não é meu
Fazei-me sentir doce o alimento
Alma suave pedida a outro céu
Onde me vejo nas horas sem tempo
Onde me sinto amor,
num amor que só é teu

Fazei de mim terra que seja


José Alberto Sá

sábado, 24 de junho de 2017

Aquele dia

Aquele dia

Espero-te,
numa flor de perfume a saudade
Sois pétalas de vontade
de um amor que jamais
Espero-te,
num perfume que nos sonhos embalais
Saudades daquele dia,
pois só saudades me dais
Sabendo que a saudade
jamais acabaria
De me interrogar na nostalgia
Neste coração permanente
De uma saudade de amor,
igual à saudade de toda a gente!
Igual à saudade de uma flor


José Alberto Sá

A areia morre... Sou eu...

A reia morre… Sou eu…

A areia morre… Morre e canta no seu silêncio
Afoga ao vento, no silêncio de uma onda em si diluída
Sou eu… Sou paz que reina nos horizontes
Por onde se chora em despedida
Minha terra, meu mar… Meu vento constante
Minha vida de infante, pés cansados, muralhados
Descalços, frios como paredes, que tombaram aos bocados

A areia morre… Morre e dança nos seus sonhos
Afoga a luz, sente as estrelas em mais uma canção
Sou eu… Sou liberdade de expressão
Por onde se chora em versos medonhos
Minha terra, meu mar… Meu coração a chorar
Minha vida sem ser triste… Minha vida sem alegria
Em razões que só o tempo era contar

Talvez um dia…

A areia morre… Morre e continua
Afoga a voz, a quem a vier escutar
Sou eu… Sou lembrança desta areia que canta, que dança
Por onde dançam todos os fiéis e infiéis
Minha terra, meu mar… Meu grito que não sabe parar
Minha vida, na vida de pobres, na vida de reis
Em horizontes que namoro, na areia que morre
Abraçada ao mar, aos olhos da lua

A areia morre e continua… Sou eu…

José Alberto Sá