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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

A luz de uma cidade

A luz de uma cidade

Olho a luz de uma cidade e arrepio o meu sentimento perturbado!
Olho em transe, numa imensa inquietação, angústia e o equivalente ao silêncio!
Olho com asfixia o assombrado mundo de uma cidade erguida, linda, perfeita e perdida!
Olho com hesitação a conquista deste pequeno mundo, onde os adultos promulgam as leis que são preciso trair, para que se façam herdeiros da desumanidade de uma cidade!
Pressinto que não sou somente eu, o perturbado por todo o mistério que representa dois dias, o antes e o depois das eleições.
Aborreço-me majestosamente, pois vejo melancolicamente os desejos hipotecados, sei que são torpezas de um cérebro que trabalha ininterruptamente e sei que passará com ligeireza esta definhada aventura, de alguém que já não se sente ser…
Olho o exibicionismo de um fantasma que já não arrelia, ou seja, já não assusta!
Olho esta cidade e chamo-lhe: Alice no País das Maravilhas parece-me sentir o Dogson, este criador do fantástico mundo que só ele sonhou!
Olho e tenho pena da Alice, pois a cidade está sem maravilhas.
Olho e penso… Que seria da cidade ao lado da minoria capaz, daqueles que a sentem como sua, daqueles que a amam.
Olho e penso… Sou o aparente afastamento deste odor fétido, que se desprende
das paredes lodosas, onde a hipocrisia dança de mãos dadas com os inocentes do jogo, onde só ganha um, os outros são a necessidade pitoresca para o festim ou ritual demoníaco.
Olho e peço… Será necessário alterar o contexto de uma cidade sem rótulo, que um dia nasceu para viver na luz da sua gente.
E quando a Alice no País das Maravilhas deixar de sonhar, de nos aldrabar, de nos acenar como os burros com a cabeça, será a hora de sermos nós a realizar, a cidade merece e espero que aconteça!


José Alberto Sá

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