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domingo, 5 de julho de 2015

Tu? Caminhas por aí?

Tu? Caminhas por aí?

Não sei caminhar pelo alcatrão moderno… Tenho saudades das pedrinhas que magoavam os meus pés.
Hoje os sapatos deslizam empenhados em aumentar o stress da vida…
O cérebro sente o cheiro a alcatrão, está viciado!
Tenho saudades das pedras da calçada… Estou farto desta droga…
Da inoperância dos que caminham sem sentir o chão…
Tenho saudades dos caminhos de pedras puras e limpas.
Os meninos, já não brincam na terra por onde o trânsito não se fazia, os meninos hoje são adultos num trânsito de bocas felizes, algumas por caminharem maldizendo… Outras não sendo, pensam que são, que são caminho!
Tenho saudades do tempo onde a lama cheirava a terra, hoje a lama se sente putrefacta… Não sei caminhar pelo alcatrão moderno…
O mundo caminha sem direcção… Total inquietação!
Não sei onde me encontro e tenho saudades das pedras limpas e puras.
O meu cérebro já sente a ausência do cheiro da terra.
Pobres dos que caminham no alcatrão moderno e não olham a terra dos que pisam a necessidade…
Que terra!
Que mundo!
Que povo!
Que raça!
Que porcaria de estradas sem direcção!
Tenho saudades dos caminhos trilhados, mas ainda mais saudades dos caminhos de terra e lama pura… Não tenho saudades da glória, sem vitória, sem história, sem memória de um caminho somente sonhado…
Caminho pela exactidão dos neurónios aflitos do meu cérebro… Caminho… Sem saber caminhar pelo alcatrão moderno…
Tenho saudades…


José Alberto Sá

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