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quinta-feira, 30 de junho de 2016

Olho-te como me olhas

Olho-te como me olhas

Quero contar-te porque cintilam os meus olhos, falar-te da íris que te beija e que em tudo que ama vê ouro.
Na realidade, os meus olhos são como os meus dedos, quando estes se entrelaçam e jogam amor entre eles… Eles são as mãos numa realidade óptica, eles substituem a vontade táctil.
Quero muito contar-te… Seria hipócrita se escondesse o quantas vezes fiz amor contigo, somente num olhar puro e capaz de me transmitir verdades escondidas.
Quantas fotos levei gravadas na mente, tiradas de tão perto que quase te toquei… Meu olhar é profundo… Húmido e Louco.
A loucura está em cada partícula cristalina, que assume o papel de fazer surgir do nada, algo que jamais terei visto!
Meu olhar assim te imagina ou vê.
Quero contar-te… Talvez o que te conte não seja segredo… O teu olhar é igual ao meu, pelo menos sinto no teu cruzar de pernas, a força que empregas ao me olhar… Tão puro, fixo e carregado de promessas.
Quero muito contar-te… Espero por ti… E assim falaremos olhos nos olhos…


José Alberto Sá

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Uma estrela no Oriente!

Uma estrela no Oriente!

Apelo ao quadro que um dia pintei e que hoje guardo fechado a sete chaves, no meu coração, nasci, cresci e agora não sei!
Apelo à ideia que impingi ao mundo, a ideia que eu ao nascer tentei deixar, dizendo: Estou aqui!
Estava ainda de olhos fechados e já sentia o frio deste tempo cá fora!
Apelo finalmente ao que chorei ao nascer, prometeram-me enquanto naufragava na bolsa eterna, um mundo de inteligências!
Chorei ao nascer e não sabia porquê! Hoje apelo aos meus primeiros gritos, por não terem chegado ao destino… Ninguém os ouviu! Ou se ouviram… Ignoraram! E eu tanto chorei segundo dizem…
Apelo às testemunhas que assistiram e se ausentaram no tempo…
Apelo ao espetáculo dado gratuitamente e que eu hoje pago…
Hoje o quadro que pintei não tem valor… Hoje pinto um outro quadro!
Um quadro de amor, que revela a saudade dos gritos que dei e ninguém ouviu!
Preciso nascer de novo e gritar… Hoje quero gritar mais alto e fazer a tinta escorrer pelo mundo… A minha tinta, o meu abraço… O que sinto e não quero que morra comigo…


José Alberto Sá

Mundo nu ou sonho

Mundo nu ou sonho

Gostava de sair pela janela, numa casa sem porta e caminhar pelo telhado! Tocar com as mãos no chão e os pés a sentir as estrelas! Não é errado pensar ou sonhar!
Não é errado querer viver, nem que seja só um dia, como quem faz o pino, numa procura da imaginação, onde o meu corpo seria vestido de amor e a nudez da gente o meu reinado! Talvez pecado, secreto e belo!
Gostava que o mundo fosse nu e eu vestido… Seria rei… Seria bizarro o meu corpo, nu somente de coroa. Mas seria belo no jogo, num jogo em que os olhos jogavam e pediam… Pediam as vontades do ser pleno, do ser capaz, do ser completo, do ser amor, do ser paz, do ser homem e ser mulher!
Gostava de inventar uma forma deliciosa, uma mescla de cores onde meu corpo fosse transparente e ninguém me via!
E eu poderia andar vestido de erotismo, sorridente, completo, ereto e ninguém sabia!
E nesse mundo nu, onde todos assim viviam… Viviam felizes e eu, por ser rei!
Gostava de ser assim, sair pela janela e caminhar no telhado… Vestido com roupa de amor e toda a gente nua da mesma cor.
Como nascemos e não vivemos…


José Alberto Sá

terça-feira, 28 de junho de 2016

Ventos

Os teus cabelos longos e o teu velo púbico ondulado!
Fazem-me sentir o mar, em que as ondas fascinam o meu olhar!
Forçando os lábios e a boca a sentir… A nudez lado a lado!


José Alberto Sá

Eternamente, amor

Eternamente, amor

Novamente falo de ti… Desde que te vi menina e hoje mulher.
Sempre te senti como margem do meu rio ou te senti rio em que as margens eram os meus braços.
Novamente as ondas do mar fazem sentido, tal como nós faz muito tempo, rebolamos e hoje lembrei-me de ti.
Magnífico o horizonte que olho, onde imagino naquele navio, um namoro meu e teu.
Tremem-me as pernas! Novamente falo de ti.
Hoje tive medo de quando comecei a escrever, tive medo de não lembrar algo especial… Tremem-me as pernas, pela felicidade… Lembro-me de tudo! E especial és tu…
E tudo és, em cada segundo de ontem, hoje tremem-me as pernas por te ter comigo… O meu coração é teu amante, eu sinto-o querer sair para ir ter contigo. Sabes? Ele contigo… Sou eu também.
Novamente falo de ti… E amanhã ou muitos anos além…
Quero que te lembres de mim, pois um dia o amanhã não vem e eu nessa viagem, quero lembrar-me de ti novamente, falar de ti e ter-te em meu colo. Nesse mundo quero abraçar-te e ser sem interrupção tal como hoje… Um homem completo, uma paixão e um amor eterno.
Novamente falo de ti… Pedindo-te que ames o que tenho e o que sonho…

José Alberto Sá

Escuto o meu coração

Escuto o meu coração

Oiço-te cantar
Oiço a água cair
Oiço o relógio a contar,
as gotas do teu sorrir
Somente te oiço
Somente te sinto no meu silêncio
A parede é testemunha
Da água que jorra,
E que no sonho te punha!
Oiço-te cantar
No silêncio da torneira fechada
Encostado à parede
Deste meu lado
Neste meu fado
De fada encantada
Amo ouvir a tua voz
E olhar o meu relógio
a contar
Sempre sais depois do banho
És linda…
És pura…
És o sonho…
És amor por mim louvado
Sempre sais depois do banho
Eu te vejo…
Da porta ao lado

José Alberto Sá

segunda-feira, 27 de junho de 2016

os dedos

os dedos

tal como eu…
alguns sonham ao olharem a palma das mãos, alguns sonham sem unhas.
alguns acordam pelos dedos, alguns acordam em sonhos, onde os dedos são objeto.
outros sonham, com dedos eretos, erguidos ao tetos, pela lei do prazer.
outros acordam, com dedos na arte de esculpir, trepam andaimes, descem degraus, sobem pelas sensações e descem com os dedos em alucinações…
tal como eu… sonho para ser.
alguns sonham, outros acordam… os dedos fundem-se, escondem-se no sonho até que acorde.
outros adormecem, enquanto alguns acordam depois da libertinagem, da miragem… da viagem sentida na ponta dos dedos…
tal como eu… acordo para ter.
alguns e os outros também.
Assim vos desejo, dedos irrequietos, com dedos unidos…ou dedos abertos.
Usem-nos.


José Alberto Sá

domingo, 26 de junho de 2016

aquela menina

aquela menina

tenho ciúme de a saber quase de cor, cada milímetro imagino, cada vontade de pele…
eu quase sei…
eu quase sei a medida no mais profundo do feminino…
tenho ciúme…
tenho-a na palavra… e nada mais!
pela primeira vez… sei-a quase de cor, sem a saber em todo o resto!
tenho ciúme do que ainda não sei… mas sei-a quase de cor…
ela é mulher!



José Alberto Sá

o mundo anda louco!

o mundo anda louco!

caem trovões no silêncio das nuvens, caem trovões que atravessam os céus e caem na terra.
surreal! sento-me para contemplar os raios e a loucura que ilumina o tempo!
matem-me as vozes que gritam austeridade, já não as consigo ouvir, já não me lembro de mentir… caem trovões… longe!
autêntico labirinto entre as estrelas, entre o povo, entre a fome, a injustiça e o medo…
caem trovões na folha branca, onde terei de assinar mais um sacrifício! mais um credo… uma cruz…
matem-me as loucuras praticadas, matem-me neste poema, os raios caem, nada mais valerá a pena… matem-me em cada quadra, em cada verso, em cada palavra… em cada prosa!
caem trovões comediantes, longe os oiço… matem-me! eles vão chegar aqui!
tenho medo do sol, não o vejo há dias! as vozes o bloqueiam, o tempo não o mostra, já sou mercadoria vendida e mal paga!
caem trovões… o amor vencerá… venham raios de longe, venham vozes de nós… de nós portugueses, mercadoria sobre a terra, na fé, na vida… em Deus… com Deus… comigo!
caem trovões na terra… levanto-me e amo o céu!

José Alberto Sá

atraído

atraído

o corpo que leva a minha alma é magnético…
atrai o olhar das bonecas… atrai deusas, musas e divas, atrai sucessivamente sensações.
atrai pormenores, atrai complementos, atrai a existência e quando a alma pensa, o corpo se faz frenético…
atrai corações… pulsares de uma corrente, que rodopia sobre a recompensa.
atrai pernas, atrai braços, os pés, os dedos, o umbigo, os ombros e a boca.
atrai o nariz, atrai o ventre e muito mais que a atração de um amante,
que em cada instante, se sente atraído, pelo magnetismo da vida louca.
o delírio do corpo magnético, é o voraz sentido e exaltado da nudez, da esquina que esconde o magnetismo que me atrai.
não é publicidade, é um amor anunciado, firme, convicto, de que o ser humano vive, se for atraído e se atrair completamente o fruto de uma árvore chamada vida, erotismo, sexo… amor.
o resto… pois o resto… deixo com vocês…


José Alberto Sá

os lábios da noite

os lábios da noite

encho-me pela noite dentro de lábios femininos e famintos, encho-me de beijos.
sinto-os como estrelas, no meu céu da boca.
beijos molhados carregados de chuva, das nuvens carregadas de sonhos.
lábios de encantar os poetas, onde a língua se mostra como se fosse lua, de uma menina singela e nua.
encho-me pela noite de cores pastel, onde o branco é pele.
onde o tacto é feito por mim mesmo, sozinho a empilhar beijos no meu lençol… beijos vestidos de lábios que não conheço.
Surreal sensação no breu da noite, no meu quarto, os lábios dançam, como se de bailarinas se tratasse… eu danço e beijo cada um.
… a língua rasteja.
restará ao acordar a memória, o sol ao nascer, levará com ele os lábios que beijei… serei amor durante o dia, até que a noite regresse escura, para me fazer sonhar e outos lábios beijar.


José Alberto Sá

como seria, se eu não chorasse

como seria, se eu não chorasse

mais uma vez os aborrecimentos saciam a dor e a ausência da fonte do amor.
foge-me o pestanejar, bloqueado pelas lágrimas que indicam nuances e sensações de frio… Este arrepiar que exalta e apaga o meu olhar.
oh! como seria possível viver de olhos abertos, sem te ver.
oh! como seria desejar o chão onde me encontro e não te ter.
mais uma vez me afogo nas pálpebras pesadas, pela carne, pela fonte que não bebo.
foge-me o olhar sem brilho, sem inspiração, sem mistérios por conhecer, somente o próprio amor imortal.
oh! como seria poder ensinar-te as lágrimas que choro.
oh! como seria abraçar-te e pelo teu pescoço olhar a lágrima que escorre devagar.
mais uma vez olho o chão, qual Narciso, na esperança que flutues na água da minha vontade.
mais uma vez… talvez muitas mais.
os meus olhos não secam, por ti… oh! como seria, se eu não chorasse.


José Alberto Sá

que mundo guardas?

que mundo guardas?

só te vi uma vez e hoje abri o teu retrato
olhei os teus olhos e senti um sensível e sonoro sorriso
a tua boca fechada, escondia  a língua e mil sabores
recordo-me da tua face, desse fino trato
passei a mão sobre a moldura, toquei no paraíso
não havia físico, nem toque, somente dois amores

só te vi uma vez e hoje quis espreitar-te
que mundo guardas? Perguntei a mim mesmo, pelo segredo
que corpo escondes, para lá da blusa
recordo-me das tuas formas, quando quis amar-te
passei a mão sobre o sonho e pedi sem medo
que um dia por aí, sejas moldura do meu corpo e minha musa


José Alberto Sá

sábado, 25 de junho de 2016

Os anjos

Os anjos

os anjos na vida do homem, não são para entender
são asas que voam no céu, na terra e no mar…
a vida que voa em mim, voa para a luz se erguer
na vontade do mundo, dos anjos que querem sonhar
o tempo aos olhos claros, são vida de amor
sentidos de alguém que me voa
e que me quer viver…
a forma da alma é bela e doce é o corpo
amando a vida na dor e na vontade da luz
o corpo me grita saudade que voa no sopro
os anjos na vida do homem, são vontades de Deus
são voos perdidos nos olhos à mão de Jesus
são homens e anjos do mundo, são os gritos meus


José Alberto Sá

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Poemas pela noite

Poema pela noite

a noite é o consumidor da cópula natural
o cálice se ergue, para que se beba
sodomia e bestialidade… ímpeto colossal
entre movimentos contraídos, a noite é soberba
o estímulo pelo toque, a respiração ofegante
a noite se faz consolação, palavras de amante
no ato sagrado, entre a mente, o papel e a caneta…
nasce o poema, como se fosse erotismo puro
nasce a palavra de um cálice bebido
em algo que me desperta!
mais consumo no amor que aturo, sem medo,
sem muro, sem mal…
mas bem penetrado no seio do poeta…
não há razão, para que o aus não se atinja
não há lugar na noite, nem na pele
que não valha a pena
existe sim o amar, o amor para que não se finja
e que ao acordar se olhe o ato, a loucura…
o poema!

José Alberto Sá

Consciente

ao penetrar à força no consciente
… sinto o inimigo inconsciente que me faz sonhar...
aí… a penitência e a minha confissão me acelera
… este meu coração, fica como se fosse o mar a querer cavalgar
na força do prazer inconsciente que me altera
… então penetrado e de sorriso nos lábios… amo consciente


José Alberto Sá

terça-feira, 21 de junho de 2016

o saber

sabes amor… o local onde se encontra a minha sede,
é onde o negro se abre, o amarelo se beija, o vermelho humidifica…
onde a água é suor pelo chão, pelo ar… pela parede
o local onde o amor geme… O amor fica…


José Alberto Sá

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Rebentam bombas

Rebentam bombas

rebentam bombas no meu caderno
vejo os estilhaços de pau, de um lápis obsessivo
já nada invento para lá da pólvora que arde,
neste tempo que não pára,
como se fosse água bloqueada, na rede de um crivo
crivando a pureza antiga, deste pensamento moderno
rebentam as bombas no meu caderno
naturalmente, as folhas já não me fogem,
nada é tão natural, como sentir a união de um livro
quando o diálogo é entre a voz e o ouvido…
ou…
o amor entre um lápis e uma folha em branco
que amo ver a arder, a rebentar como bombas
desejosas de coitos e gemidos folheados
bombas num caderno a arder, por dois apaixonados
o meu lápis e meu caderno!
e esta guerra, eu amo… E amo tanto


José Alberto Sá

domingo, 19 de junho de 2016

Vivo depressa

Vivo depressa

magoa-me o génio que avançou a minha infância.
eu era menino, grande e queria crescer.
ser enorme, ser quem sou…
magoa-me ter crescido depressa, sem ver a distância.
entre a placenta e este ar que não se aguenta.
eu era menino e o passado sempre me alegrou

o presente me adotou, sem saber até quando.
sem saber até onde, sem um talvez afirmativo.
magoa-me ter que escavar o infindável.
moderno ou de regresso ao primitivo!
o oculto, o escondido segredo que o futuro não tem.

eu era menino de toda a gente, hoje sou alguém…
e amanhã, talvez o génio que me avançou até aqui
se lembre de mim e me leve por aí…
neste mundo de ninguém.


José Alberto Sá

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Útero mãe

Útero mãe

Nasci de ti e em ti, terra
Útero milagroso de onde não deveria ter saído!
Nasci de ti e em ti, guerra
Útero horroroso, a onde me vi em ti, caído!
Nasci de ti e em ti, neste poema que berra
Útero poderoso onde me vi renascido!
Na verdade… Nasci de ti e em ti, útero mãe
Útero amoroso de onde nasceu este poema,
Tal como eu, sentido


José Alberto Sá

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Eleito

Eleito

O eleito a presidente… Os convenceu!
O pobre o voto ofereceu!
A obra megalómana cresceu!
O pobre tudo deu!
À obra já mais alguém apareceu!
O eleito de novo diz: Serei eu
O pobre morreu!

A maior obra de um bom presidente é:
De pequenas obras, grandes feitos
O pobre era prioridade, a obra foi vaidade.
O ser humano é mais-valia
A obra poderia ser… Mas noutro dia

E assim continuamos… Sem continuar
Hipocrisia, dinheiro, mentira e ignorância
Vaidade, frieza… Cumplicidade pelo errar
Luxo, lixo nas cabeças, vazias pela ganância  



José Alberto Sá

Ela

Ela não é a única…
Ela não é somente a luz que acontece…
Não é somente a pedra que adormecida, se esquece…
Ela não é somente o olhar pela noite…
Ela não é somente a luz pelo dia…
Ela é… Para mim… Tudo…
E nela, até a noite me faz adormecer
A lua brilha, as estrelas beijam
E eu adormeço…
Depois…
Acordo para ela… Para a vida, que somente é meu o olhar…


José Alberto Sá

olhar

O mármore branco, a nitidez da carne e a luminosidade dos teus olhos.
Fazem de ti um tecido de cetim e órgãos desenhados para mim.
No translúcido olhar penetrante e meu…
Mármore, carne, aos olhos do céu…


José Alberto Sá
Quanto me sinto preso a ti
A sensibilidade viaja…
Os olhos fecham, os sentidos se apuram
… O voo acontece


José Alberto Sá

A multidão corre!

A multidão corre!

Sou na multidão um poema, que grita ao escândalo!
Estou aqui… Aqui, não me vêm?
Os nus, não têm nada! Os vestidos, têm quase nada!
E os animais mostram-se vestidos por nós!

A cobardia não corre… A ignorância não corre!
Corre sim a multidão!

Fujam das carapaças sem animal.
A carne é podre quando chega ao poder…
O cérebro engravata-se e somente sabe sorrir…
Acenar… E mentir…

Corram... Corram, com eles daqui para fora!
A carapaça não presta!
Eles não sabem correr sem nós…
Nós somos a multidão e a multidão corre…

Corram com eles…


José Alberto Sá

sábado, 11 de junho de 2016

Que mundo!

Que mundo!

Ao lado da minha rua não se vive!
Gaguejam os passeios, cheios de gente sem estrada!
Bermas de porcaria política, desgovernada, passeios de gente, ao lado da minha estrada… Uma estrada que sempre tive!

Caminham os pés descalços expostos ao alcatrão pedregoso, escândalo presente onde a raiva é da gente, da gente que não tem chão!
Ao lado da minha rua, vivem imensos corações, iguais aos dos políticos, que pulsão aldrabões… Com batidas, palavras e ideias de idiotas aos tropeções!

Coram as janelas por onde espreito, batem as portas que me deixam entrar, contesto fechado em meu leito… Grito para nada, nada mais será feito! Nada mais é do meu jeito! Nada mais se chama respeito!

Ao lado da minha rua não se vive!
E toda a gente conhece este outro lado!
E todos sentem este lado impotente, aos olhos daquela gente, que tal como nós, sente!

Ao lado da minha rua não se vive! A rua é estreita e nela o medo se deita!
Do meu lado vive a fé de algo meu… Ao lado, desse lado… Vivo eu!
Na paz, na luz, no amor, que Deus me deu! Na terra que me viu crescer!

Do outro lado da minha rua… Não sou eu! Mas poderia ser!

José Alberto Sá

A dança

A dança

Danças na minha frente poderosa
Mulher do mundo, de um mundo meu
Curvas-te forçosamente airosa
Nas curvas esculpidas, do corpo teu

Ondulas na minha frente, danças nua
Fenómeno audacioso e frenético
Pernas arqueadas, braços na lua
Boca aberta na minha, amor poético

Os dedos chamam pelo deus que dança
Os olhos penetram diluídos em poesia
Danças no erotismo que me alcança

Eu danço… Eu danço como se fosse criança
A música ao longe faz da dança magia
E ambos dançamos em pontas, euforia… Euforia!


José Alberto Sá

Poesia

Poesia

É impossível não sentir a humidade, o meu coração acelera perante tal subtileza, perante a evocação e a estratégia de um louco amor… Transpiro pelos poros da minha pele, remetendo-me a um silêncio sussurrante, onde o eco são as palavras que escrevo… Amo escrever poesia.
Encontro-me numa constante frequência e absurdo vício de grandes êxtases, onde solto suaves ais sentidos.
Em cada palavra uma porta se abre, o mundo é a passagem obrigatória, eu entro e saio completo… Pois completa é a ousadia que inaugura cada poema, esta ousadia em perfumados sentires, em mares de mesclas maresias, em ventos frios que me eriçam a pele, em apertadas expressões onde a pele se aviva e se mostra rubra… Tom avermelhado de uns lábios que soletram cada palavra escrita.
É impossível não sentir a humidade, graças a um deus que imagino perfeito, defensor do erotismo que emprego em cada letra, não existe tabu, não existe medo, sempre me cubro de amor… Sempre nu, numa nudez que revela as gretas, os vales, os socalcos, as serras, as águas, o ar, o fogo e o amor… É impossível não sentir a humidade, num beijo dado por mim, poético, frenético e aplaudido de pé, após o levantar de uma batalha amorosa com as palavras escritas em poesia.
A minha poesia!


José Alberto Sá

sexta-feira, 10 de junho de 2016

A toda a hora

A toda a hora

Momento virgem… Só um momento nosso…
Lindo e sentido será, se for puro como a aurora
Um momento só, tanto meu como vosso
Aliviado nos teus braços, no momento de agora

Tende em mim vossos braços apertados
Fazei-me sentir sufocado e condenado no momento
Virgem, único, entre corpos tresloucados
Entrelaçados por pernas, lábios e sentimento

Vós… Senhora de santa íris que me devora
Vós… Menina maior cativa do meu gesto
Sois virgem aos meus olhos e sonhadora

Mulher sublime ao momento, como outrora
Hoje te sinto completamente, a ti me presto
Agora, neste momento eterno… A toda a hora


José Alberto Sá