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domingo, 19 de junho de 2016

Vivo depressa

Vivo depressa

magoa-me o génio que avançou a minha infância.
eu era menino, grande e queria crescer.
ser enorme, ser quem sou…
magoa-me ter crescido depressa, sem ver a distância.
entre a placenta e este ar que não se aguenta.
eu era menino e o passado sempre me alegrou

o presente me adotou, sem saber até quando.
sem saber até onde, sem um talvez afirmativo.
magoa-me ter que escavar o infindável.
moderno ou de regresso ao primitivo!
o oculto, o escondido segredo que o futuro não tem.

eu era menino de toda a gente, hoje sou alguém…
e amanhã, talvez o génio que me avançou até aqui
se lembre de mim e me leve por aí…
neste mundo de ninguém.


José Alberto Sá

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