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segunda-feira, 30 de junho de 2014

Ventos da minha luz

Ventos da minha luz

Não consigo dominar uma mulher pela minha vontade... Somente a vontade desse lado pode atravessar o oceano... E se vier eu serei recompensado com uma beldade que guardarei em meu coração.


José Alberto Sá

Nada tens... Ele tem tudo...

Nada tens… Ele tem tudo…

Dizes que és a imensidão da vida
Dizes que és o mundo sem partida
Mas eu só quero amor…

Dizes ser capaz e de tudo ter
Terás amor?
Dizes ser a terra e o apetecer
Mas eu só quero amor…

Tens um coração que sabe pulsar
Tens um olhar que sabe brilhar
Dizes ter… Mas eu só quero amor…

Tens uma boca que diz saber beijar
Tens um sorriso daqueles de embalar
Dizes ser… Mas eu só quero amor…

Dizes tu… Que és tão completa
Dizes tu… Que a candura é meta
Mas eu só quero amor…

Dizes tu que sabes cantar
Dizes tu que sabes dançar
Mas eu só quero amor…

Como vês… A vida tem tudo
Como vês… O mundo em nossa mão
Como vês… O povo é sortudo
Como vês amar é a união

Mas eu só quero amor…

Eu só quero a verdade e o calor
Eu só quero… A vida se ela trouxer amor
Dizes tu… Que tens tudo…
Mas tudo… Só O Senhor



José Alberto Sá

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Uma vez somente

Uma vez somente

Uma vez somente e deu-me vontade de subir, até à torre onde estavas de penugem macia, sedenta de mim.
Uma vez somente e quis subir até encontrar os olhos mais lindos, mais puros, pois os meus se sentiram hipnotizados pela íris de uma flor cintilante… Vi que me querias… Aí em cima…

Uma vez somente e tentei subir até te encontrar sorridente, pelas vontades gémeas das minhas loucuras… Subi querendo sentir o vento que vinha da tua boca… Um hálito fresco onde o mentol se embriagou com a vontade do meu salivar, húmido e capaz de saborear o mel da nossa possibilidade… Um beijo ardente.

Uma vez somente…
E no cimo da torre entre o nosso olhar, estava a vontade de voar… Os narizes se roçaram… Os lábios se abraçaram durante a vontade de descer, qual torre medieval, onde a rainha de coroa de ouro, descia comigo até ao tesouro…
Uma vez somente… E voamos… Já nada me importa… Estou feliz, consegui eternizar a sensação de deixar correr a minha mão e tatuar-te em mim… Voar… Sobre cada relevo… Sobre tuas asas… Penugem macia, sedenta de um sim… Qual torre que recebe a primeira flecha do inimigo e reage…
Que sente ao voar sobre as muralhas do desejo, a dor de uma flecha penetrada…

Uma vez somente… Torre sagrada, que me viste subir até ao cimo do amor… Uma vez somente… Subi, para descer numa simbiose perfeita do amar… Uma vez somente e voei contigo nesta viagem medieval, onde te senti rainha… Mulher de olhos doces… Mulher fatal… Uma vez somente… Somente porque nada mais… Me pediste… E ainda te espero…


José Alberto Sá

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Arremessos de saudade

Arremessos de saudade

Conto as pedras que atiro ao rio, vejo-as naufragar, uma e mais uma, frias, macias e arremessadas com saudade… Uma saudade pura, tal e qual a cor da íris de um sol que me espreita.
És tu que lembro em cada pedra que mergulha na água fria, tal e qual o gelo que vive dentro de mim… Dentro de mim te sinto chegar, através das ondulações que provoco na água… Cada salpico é um vislumbrar de amor.
És tu que lembro em cada pedra que se afunda, assim é o fosso entre nós… Longe… Assim renasce no meu coração o desejo de ti… A saudade.
Conto as pedras que atiro, cada batida na água me faz recordar o som da tua voz… Timbre melódico… Beleza que me leva pelas margens da minha imaginação, de mão dada.
E de mão dada sinto em cada pedra a sensação de ti… Teu corpo macio.
Ali… Tento enganar o tempo, o meu olhar tenta vaguear pelo horizonte da ausência e se faz lembrar que um dia… Um dia te terei comigo…
Mais uma pedra… Regressa a saudade.
Conto as pedras que atiro ao rio, polidas para que se façam deslizar, assim é a macieza do perfume que a natureza me dá… Sempre na esperança que regresses…Tu… Natural.
Sinto-te linda na água batida, te vejo vestida de esperança… Deslizas pelo verde puro do meu respirar.
Mais uma… São frias as pedras…
És tu que lembro quando sinto a solidão.
E são tantas as vezes… Que hoje quis atirar as pedras que acumulei nas margens do meu rio… Este rio de saudade que corre em minhas veias… Vim ver-te… Sentir-te… Olhar-te no meu espelho de água doce… Tão doce como tu.
Conto as pedras que atiro… Com amor e para amar na saudade, como se estivesse eternamente contigo.
Num rio, com a imensidão do mar… A saudade de ti.


José Alberto Sá 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Ventos da minha luz

Ventos da minha luz

Fechei os olhos e por momentos pensei que nada existia... Estava suspenso no ar, seguro pelos braços de quem imagino asas de amor... Voei...


José Alberto Sá

Fado na minha voz

Fado na minha voz

Eu… Não sei cantar
E quando o faço é do abraço
Ao copo de vinho
E a voz que tonta entoa
Por vezes se entorna na toalha de linho
Soluçada no meu fado,
na canção que me embebedou
E sozinho sei, que ninguém repara
Que o fado que canto
Sai do copinho

Eu… Não sei cantar
Somente o trago me alivia a saudade
Mais um copinho
e a música é história
Canto mais uma,
num tinto de espuma
E a alma canta vitória

Pareço um cantor,
Numa voz que encanta… O meu soluçar
Nunca dá para esquecer
Pois a canção faz lembrar
Que um bêbedo pode não ser
O que a canção nos diz a chorar

Mas como não sou cantor
Posso cantar para mim
e amar… Para ti
Como quem bebe mais um copinho
Sangue da vida e do amor
Vozes que amam o meu sim
Bêbedo… Por não te ter…
No fado que canto…
Sozinho



José Alberto Sá

terça-feira, 24 de junho de 2014

Flor que o mundo repartiu comigo

Flor que o mundo repartiu comigo

Uma pétala que em minha mão cai, num ritual de perfeito sentir, do perfeito voar pela sina da minha pele.
E a pele absorve, sente a frescura tonificada de fragrâncias suaves, se o toque for enaltecido pelo olhar…
Olho e cativo-me perdido na sensualidade da cor, em cada saliência que exala perfume da sua sensualidade.
Sinto-me o frasco de elixir rejuvenescido, sinto-te na impregnação, no tacto que minha pele deseja.
Sou o desejo de um olhar penetrante e que me faz levitar pelas contas de marfim, feitas para ornamentar os desejos de um homem de coração pulsante.
Pois pulsante é cada batida numa pétala em minha mão, cada perfume em meu olfacto, cada essência em palavras dirigidas ao meu consciente e perfeito sentir.
Pétala que em minha mão cai, sinto-te capaz de te ver despida, agora que sozinha, fora do alcance das tuas irmãs… Na minha mão te peço… Despe-te…
Somente nua és a perfeição, como quando em botão… Te fizeste ao mundo, como quando ao florescer te apresentas no meu jardim… Somente para mim.
Para mim é um amor que me faz sonhar, ser flor, ser a razão de uma mão segura…
Ser a terra que te fez crescer, ser o mar que te separa de mim… Em fim… Ser o céu que nos aproxima… Ser a mão que te sente… Ser a pétala que me quer… Como eu te quero… Pura.
Flor que se abriu para me dar, como quem dá ao outro… O amor.


José Alberto Sá

Incompleta realidade

Incompleta realidade

Sonhei-te... E não evitei o envolvimento
No teu olhar me perdi, queria-te real e sensível
Por fim alcancei-te e no mais doce sentimento
Quis amar-te,
quis ser digna do meu mais apetecível
… Amor
Sonhei-te…
E hoje acordei com a sensação do teu odor,
estou aqui contigo ainda no sonho.
Olhos abertos
Com eles assim vejo-te… Quero tocar-te
Beijar-te
Abraçar-te sem uma palavra,
Sem um gesto e sem protesto…
Não sei de ti...
Chamo-te em poesia,
na esperança que meu sonho se abra
Amo-te em magia partilhada,
na mesma palavra
Por ti e por mim roubada
Dualidade por nós alcançada neste amor,
longo vai ser o caminho,
longo seremos nós próprios... Eu chamo de carinho
E nesse carinho, seguiremos na voz de mão dada
Construir em sonho a nossa estrada
Uma paixão celestial
Seres meu…
Eu ser tua, sempre tua... Musa,
num mundo e sonho real


José Alberto Sá/Musa

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Olhas-me assim

Olhas-me assim

Olho-te e sinto brilhar o sol
O luar nasce de ti e de ti nasce a lua

Sou homem…
De perfumes claros e essências de girassol
E não resisto…

Digo que vou, se vieres nua…
Pois nua...
Me fazes homem sem mal

E o brilho…
É teu se me olhas assim
Assim feita mulher
Um diamante que brilha e chama por mim
E cega a alma de quem te quer

Sou homem…
E também te olho de coração
De ti sinto, ventos de raros de mil céus
Aromas da tua candura
Sentida nos olhos meus


José Alberto Sá

terça-feira, 17 de junho de 2014

Violento governar (Parte II)

Violento governar (Parte II)

Falei de amar… Pena que até o amar é violento… Para quem não sabe viver…
Que até o amar é uma palavra sem sentido… Pelos que violentam a governar.

Palavras cancerígenas e encantadas pelo zumbido anil… Passado, presente e um futuro a mil… A mil é dizer imenso! É tanto tempo violento… E se eu aguento, é porque grito pelo melhor… O céu também grita… Ouvindo o vento da prosa que vos chega… Ouvindo o tempo de poesia que vos alivia… Palavras como jardins, onde a rainha é rosa e os espinhos a ousadia… A cantiga do vento é a vontade de quem manda, de quem arrelia o tempo… Um tempo violento.

Escapa-me a fúria da minha voz por entre as palavras… Falei do vento… Falei do tempo… Mas violento é tudo que me é roubado, que nem em prosa, nem na poesia me deixam ficar calado… Violento é o ódio… Daqueles vermes medalhados no pódio… Violento é o vazio… Vazio de um espaço por preencher… Falei de amar… Abracem as palavras e gritem… A voz é vencer… E o povo é poder…


José Alberto Sá

Violento Governar (Parte I)

Violento governar (Parte I)

Violento é o tempo que passa e me faz recordar, que agora o vento regressa num tempo com pressa de ser violento…
É na escarpa da vida, é no abismo que passa o vento sofredor, pisa o monte, pisa a terra… Pisa o tempo… Pisa o amor.
E a voz que o vento leva no seu zumbido… É tempo sem tempo para agora, num vento sofrido, num tempo que demora, a ser vento de abrigo.

Violento é o vento, como violenta é a palavra de quem governa… Tempo de uma escrita sem flores, sem arvoredos, sem cores… Sem ramos floridos… Ventos esquecidos, como palavras vestidas com nossos medos…

Violento é o poder… Daqueles que nos querem corroer… Pois… Nem aqui consegui desabafar… Porque eu… Não consigo ser violento… Não sou vento, nem sou tempo para mandar… Sou candura…Sou da terra de quem lavra… Sou amor, sou abraço… Sou palavra.
Palavra pura… E o vento… O vento é tempo que passa e me faz recordar… Que num tempo que mesmo violento, ainda se consegue amar.


José Alberto Sá

segunda-feira, 16 de junho de 2014

ventos da minha luz

Ventos da minha luz

Se um dia o búzio do mar soltar a voz... Falará de mim, de ti... De vós.

José Alberto Sá.

domingo, 15 de junho de 2014

Deixo tudo...

Deixo tudo…

Deixo que faças comigo de tua vontade, veste-me ou despe-me, que seja como tuas mãos pedem, serei para ti a referência do teu olhar.
Deixo que faças… Que sintas ao deslizar as mãos pelos meus ombros, os músculos, os membros, as vértebras e o acrescentar de mil beijos… É belo quando deixo e sinto arrepio…

Eu deixo que faças de mim o essencial… Tudo…

O estremecer na intriga da tua beleza, és a imagem que trituro, que rasgo, que fragmento, que despedaço nas vontades deste corpo que te deixo explorar…
És a regra que me faz obedecer, és o grafiti que trepa pela parede, és a sensação de poder… Poder é a virtude de um momento em que me deixo para ti… Trepo contigo e no frio do cimento somos a experiência carnal…

Eu deixo que faças de mim o essencial… Tudo…

Deixo que me imagines no teu reino intermédio… Entre o sonho e a realidade…
Eu sonho contigo despida a descer devagar a escadaria que te traz até mim… E no último degrau recebo-te despida numa realidade que nos leva ao tapete… Eu deixo amor, que esta loucura seja real, pois enganadora já é tortura de não te ter e somente viajar sozinho… Sonho-te.

Eu deixo que faças de mim o essencial… Tudo…

Deixo que me interrogues, que faças todas as perguntas sobre mim… Eu deixo, porque não respondo pelos meus sonhos… Estes sonhos são deveras a realidade deste homem que deixa que o amor seja a vida… Eu deixo… Somente porque eu quero ser feliz e ser feliz é deixar o amor acontecer…

E o essencial? E tudo que seja amor.


José Alberto Sá

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Ventos da minha luz

Ventos da minha luz

Uno a alma à poesia, como um animal se une aquele que ama.


José Alberto Sá

quarta-feira, 11 de junho de 2014

O limite do amor

O limite do amor

Nunca disse ser o imortal, nem o instrumento adequado, só quero ser o limite do amor até à morte.
O meu sangue ferve comandado pelo fulgor de um coração que me realiza, sempre bombeando da mesma forma e com a mesma intensidade… Com amor e simplicidade.

Nunca disse ao amor que fique pela metade… Quero tudo… Quero todo… Quero imenso…

Nunca…
Esta é a palavra que não nos leva… Que nada nos traz, é a importância entre a pergunta e a resposta… Entre o pedido e a negação… Entre Deus e o Demo…
Nunca… É a palavra que não temo…

E mais incrível ainda, é que nunca é uma palavra vazia, quando nunca tem, ou quando nunca se esvazia… Intrigante…
Nunca disse ser imortal, por isso quero a obra acabada… O caminho a quem chamo de estrada… A minha rua… Aquela que se bifurca ao longe e me aperta o pensamento… Sempre penso, mesmo que apertado pelo nunca…

Eu sinto no meu sangue a osmose das duas vontades… Eu quero… Tu queres… Então nunca é a palavra que não cabe entre nós… Não quero ser o criador do nosso nunca… Espero que tu não sejas a vontade de o tecer em troca do nada… Já sabes nada é nunca… Vem como te peço… Irei como me queres… Só quero ser o limite do amor até à morte.


José Alberto Sá

Ventos da minha luz

Ventos da minha luz

Teu corpo é a flor que não conheço, teu cheiro é a essência que imagino de ti… Somente sou a parte existente do que me dás…


José Alberto Sá

terça-feira, 10 de junho de 2014

Ventos da minha luz

Ventos da minha luz

Quero-te intensamente em meu coração… Preciso de te respirar…


José Alberto Sá

Ventos da minha luz

Ventos da minha luz

Tu és a razão das palavras que nascem em meu coração.


José Alberto Sá

Preso a ti na arte de amar

Preso a ti na arte de amar

Prendo-me para sentir a pele polir e afiar a arma que se acha pronta a disparar… Passo uma mão pela parte que acho artista e com a outra mão declamo em teu palco.
Quero sentir cada pedaço essencial, os seios que atuam… O monte de vénus que aplaude a chegada do meu sorriso… Mesmo antes de me prender…

Prendo-me nas paredes ásperas e trepo… Sinto-me gato de um reino chamado paraíso, aguço as unhas que retraio, não quero ferir… Somente polir antes de afiar a arma… Passo um dedo pela camisa e conto as casas onde habitam os botões… Mais um dedo se mistura na festa e desato… Desato a simples existência da melhor obra… Da melhor sensação que existe ainda antes de polir…

Suave… Fantástica maravilha a quem chamo de arte… Pois a arte é a escultura nua que preencho de beijos… Abraços… Suspiros… Gemidos… A arte feminina, doce filigrana que brilha ao criador… Somente para me desinquietar e me levar pelos campos de algodão plantados no céu…

Ah obra milagrosa que amo esculpir… Arte que me leva a afiar a arma nas voltas do êxtase… Amo tornear… Beber pela fenda de uma lasca retirada… Aquela seiva que se mostra após a obra polida… Prendo-me para sentir a pele polir… Ah arte… Ah mulher que me consome… E me prende na arte de amar.


José Alberto Sá

Acompanhado com a saudade

Acompanhado com a saudade

Se acordo com a saudade, eu próprio desencadeio a procura de ti… Sozinho.
Associo-me ao volante e agarro com força… Como se andasse de bicicleta, as pernas aperto-as ao selim…
Associo-me à sela e cavalgo até à glorificação… Procuro vencer.
O objecto é somente imaginado, o corpo é somente sonhado, real é a saudade e o domínio da minha máquina.

Consigo por entre a saudade ir mais além… Mais além do uso específico, porque me exalto e transpiro.
Funciona, o sol se afirma em meu corpo que escalda… Fenómeno amoroso da saudade, quando preciso de te tocar e tu não estás…

O espaço é a perfeita paisagem que transporto até ao momento, tenho-te embrulhada em meus braços e sinto os relevos como se fossem dunas… Dunas reais… Sinto-te por entre vales… Relvados de penugem sublime… E a máquina funciona, se acordo e tu não estás…

Se acordo e te imagino interessante… Associo-me à cama e te levo num colo impressionante… Aperto… E o fenómeno acontece… Sempre acontece quando tu não estás e me aperta a saudade… Triunfo sozinho, porque tu existes… Espero-te…


José Alberto Sá

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Fazia-te coisas demais

Fazia-te coisas demais

Hoje quis experimentar um prazer malicioso, uma vingança de mim, para um desejo teu… Desejo ou dominação… Hoje culpo este papel onde desenho palavras que imagino criaturas sensuais… Cada curva um busto… Uma anca… Uma coxa… Um seio…

O nu por mim imaginado…

Fica sabendo que me puseste assim, quando me disseste: Fazia-te coisas demais…
Demais é o infinito das sensações que passeiam meu cérebro rebelde… Sinto-me como que empacotado, nota-se o relevo da minha vontade… Fazia-te coisas demais… Digo eu também.

O nu por mim imaginado…

Estou pronto para o assalto em que as muralhas são um simples cinto, que nasceu para enclausurar o meu pecado perante o feminino. Só um adereço…
Não esqueço a tua vontade… Fazia-te coisas demais… O entusiasmo amoroso… Interdito… O desejo prolongado que falamos…

Belo pelo prazer das nossas consequências humanas e sensuais no acto… Fazia-te coisas demais… Fazia-te, era a mim direccionado… Coisas, eram todas as que imagino… Demais, as que imaginamos no momento sem pudor, sem fronteiras…

O nu por mim imaginado…

Hoje quis experimentar um prazer malicioso… E fiz coisas… Que nunca são demais… Eu e tu… Hoje… Imaginado por mim… Nu.



José Alberto Sá 

Ventos da minha luz

Ventos da minha luz

Para que eu goze livremente a poesia, concedo-lhe alguns desabafos meus.


José Alberto Sá

domingo, 8 de junho de 2014

Sons

Sons

É quando chega a noite, que sinto a tonteira nos ouvidos, turbinas que me soam, vozes de um além potente e vagabundo.
Vagabundo é o frio que me faz sentir num casulo, se a noite chega devagar e com sons fora de si… Fora do tempo, quando a noite chega e recomeças a falar sem que estejas presente… Nunca estás presente fisicamente… Somente te imagino nos sons da noite…

É quando chega a noite, que ocupas o espaço e te diluis nas paredes do meu quarto… Consigo ver a tua imagem no escuro… És o candeeiro a meu lado que mantenho apagado… Frio… Só… E só pela manhã nasce o silêncio… Acordo… Lavo-me… Nada se ouve…

Minto…

Os sons ecoam livres pela vulnerabilidade da minha óptica… Vejo-te ali… Aqui… Pois é ali onde te aponto o dedo, por saber que estás aqui… Branca e de ranhura provocante…
Como provocante és em suspiros, gemidos… Sons que me visitam pela noite…

É quando chega a noite… A tonteira é o amor que se envaidece pela ranhura, pela busca incessante das nuvens do meu consciente… Só na luz do dia consigo abrir a realidade e acordar…

É quando chega a noite que tudo acontece… É quando durmo enroscado num casulo… Os sons… Deixa para lá… Eu aguento… Geme, suspira… Grita…

É dia…

Meus sonhos, só os vivo nos sons da noite.


José Alberto Sá

Preciso de ti

Preciso de ti

Gritei por instantes um desabafo, um sentimento que deambula pelo labirinto da razão, a razão são as luzes opacas de um olhar distante.
O labirinto de chamas que queimam o interior do meu corpo, que ali gritou… Num som bloqueado pela vontade de ti.
Gritei de punhal em punho, cortei as amarras do involucro… Gritei palavras acesas para que iluminassem as folhas brancas que rabiscava… Gritei…
Olhava o punhal a meu lado, ele escondia o arrepio, escondia a voz, escondia o olhar, o pensamento… A razão…
Escrevi…
Soletrei cada sílaba que ia escrevendo, cada letra que salpicava sobre as linhas, eram doces, belas… Virgens…
No meu grito soltei teu nome… Teu nome… Gritei antes de ser expulso, sabia da tua vontade… Abrandei o punhal… Coloquei-o sobre a almofada do meu coração, deixei que o gume brilhasse no meu vermelho… Vermelho é o meu grito…
Tirei a roupa como quem escama um peixe… Quis sentir o frio, o indivisível de ti… Abrandei as lágrimas e imaginei-me em gritos sem eco… Tu… Tu não vinhas…
Abrandei o impulso pelas entranhas… Queria-te… Queria-te no meu grito…
Gritei para não mais esquecer o som… O som sem morte e sem vida, somente o teu nome… O teu nome…
O teu nome… O teu nome… Que gritei…


José Alberto Sá

Ventos da minha luz

Ventos da minha luz

Se um coração é franco e bondoso, com certeza é escravo do amor.


José Alberto Sá

sábado, 7 de junho de 2014

Ventos da minha luz

Ventos da minha luz

Pouco a pouco a vida me acena e me vai animando na passagem… Os cordeiros passeiam pelos verdes campos… O céu não é o limite…


José Alberto Sá

Ventos da minha luz

Ventos da minha luz

E as vozes que eram dos homens, mulheres e crianças, me abraçaram de amor… Vivo na candura deste sentir…


José Alberto Sá

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Ventos da minha luz

Ventos da minha luz

E na moldura do teu retrato descobri a textura do meu amor… É ali que beijo a face quando não estás… E quando estás, sinto-me contigo emoldurado.


José Alberto Sá

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Sonho de uma vontade real

Sonho de uma vontade real

Sinto-me impregnado pela importância daquele misterioso néctar teu… Sinto-me a encenação teatral de um chapéu-de-chuva, em que o personagem principal sou eu em cada gota…

Sinto-me impregnado…

Hoje daria abraços mágicos nesse teu realismo nu… Nu é teu corpo que imagino surreal, num palco pleno de amor.
Sinto-me desejado por ti… Como uma abelha que se sente atraída pelo seu néctar… E o mel és tu…

Sinto-me…

Não esqueças a imaginação incrível da tua essência, pois eu não esqueço o perfume que empregas em cada sílaba que me ofereces… Em cada sílaba te sinto nádega perfeita… Suave, macia e completa de sensualidade… Minha perfeita verdade… Tu ondulosa e formosa criação…

Sinto-me impregnado…

Creio no pecado sem maldade, somente por te imaginar curvada, nessa ingrata violência que é não te ter… Sinto os arreios apertados como se fossem espartilhos, que anseio desapertar… Desapertar de ti… Este meu sufocado fetiche…

Sinto-me…

Por isso sinto-me impregnado pela importância, que um simples olá me pode transmitir numa realidade que assumo minha… Tão minha que tua é somente a minha fome… Desejo-te… Pois sou eu eroticamente em cada gota… Num teatro em que o chapéu-de-chuva és tu… Humedecido pela seiva de ambos…

Sinto-me impregnado… Mas feliz…


José Alberto Sá 

Ventos da minha luz

Ventos da minha luz

E a beleza correu pela margem do rio ao meu chamamento… O vento trazia o seu perfume… Abracei, beijei e amei sobre as linhas do amor… Eu e Ela desfrutamos o momento…
Eu… José
Ela… A Poesia


José Alberto Sá

terça-feira, 3 de junho de 2014

O teu olhar matador

O teu olhar matador

Atravesso-me pelos raios da tua íris, é nesse olhar que me sinto atrevido, nesse teu olhar penetrante… O teu olhar matador, esse que me leva ao céu do amor.

Atravesso-me sem rodeios aos encantos do teu vermelho beijo, esse beijo que desejo abafar com o meu… O meu que se sente alma gémea de ti… E de ti é o momento que mais preciso… E o teu…
O teu sorriso encantado… Como encantado o meu atravessar pelos quatro cantos do teu corpo, se te olho de cima abaixo… E de cima abaixo és completamente… Tão completamente que me fazes perder os sentidos e não só…

Fazem perder de amor as partes de um corpo que estremece por ti… Tão completamente teu…
Este coração enamorado, que deambula na esperança de se atravessar no teu olhar… Sentir tua boca na minha, num mesmo respirar… Aqui… Aqui é sentir-te perto…
Tão longe, e tão perto de ti… É o espaço do sofrimento, a dor que se mistura num amor infinito… Tu crês… Eu acredito.

Sempre me sinto a teu lado… Sempre te deixo no meu coração…
Deixando que meu sentimento se perca no teu… Pois é no teu querer que vive intensamente o meu ser.
Ser em vontades, ser em harmonia, ser em alegria… Mesmo que na ausência te sinta no ar…Que venhas e te prendas a mim… Como se fosses parte do universo…

Que sejas o abraço, o nosso aperto… Se agarre ao vento e te encontre por aí… Por aí é o desejo perfumado que corre ao lado das nuvens… Do sol… Da lua… Completamente comigo…
Não quero ser pela metade, um todo é o poder de dois corpos que se amam e eu… Amo-te…

Um dia seremos, a nossa verdade…Verdade que já é nossa… Completamente, como completa é a palavra aqui escrita… Perfeita como se de um coito se tratasse, numa penetração levitante sobre cada linha…

Escrita sentida em verso ou em prosa… Um amor que me faz atravessar pelas pétalas de uma flor… Cravo, Malmequer, Margarida ou Rosa…
Não uma flor qualquer… Uma beldade apetitosa… Só assim me atravesso…
Em ti, atravesso-me sem rodeios… Meu olhar matador…

Dueto: José Alberto Sá/Musa

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Amo ouvir-te... Porque sonho...

Amo ouvir-te… Porque sonho!

Hoje quis ouvir-te, fechei os olhos para te sentir mais profundamente, quero muito que penetres dentro da minha alma… Quero pertencer a esse teu único som…
Suave… Intenso em perfumes... Belo em cores, aquelas que exaltam o sangue dentro de mim.
E dentro de mim é o silêncio que consigo misturar com a candura de ti… De ti é o som que me absorve a seiva dos meus sentidos… Sei que não consigo ter a tua beleza musical… Mas consigo amar intensamente o que me arrepia, como agora!
- Contínuo de olhos fechados… Sabias?
Eu sei que tu sabes… Eu sinto que tu me sentes, eu também amo sentir-te.
Pena não te poder falar.
Tenho a certeza que escutas o meu silêncio… O meu, pois o teu silêncio é vento que sopra em vibrações que me refresca o amor… Amo sentir-te.

Hoje quis ouvir-te… E ainda tenho os olhos fechados… Não quero sair sem que te escute até ao fim… Sempre escuto até ao fim… Por vezes é no fim que dou o beijo… Que abraço… Que sinto os olhos humedecidos pela despedida.
E quando acabares… Abrirei os olhos para te guardar dentro da gaveta, onde guardo os sonhos que sonho contigo… Meu amigo que amo, ouvir…
Obrigado Mozart…


José Alberto Sá