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terça-feira, 31 de março de 2015

Beijo que nunca dei...

Beijo que nunca dei…

Beija-me pela primeira vez… Suavemente…
O nariz sentirá o toque do teu respirar, sentirá a pele de ti.
Na testa os teus cabelos serão penas que me acordam a mente… E eu quero-te… Imenso…
E a boca… É tudo em que penso…
Que posso eu dizer dessa tua boca… Beija-me e me catalisa esse sabor… Esse meu desejo… Esse amor.
A sensação é beijar e não abdicar da fuga… Não deixar que essa tua língua deslize sem destino… Beija-me…
Amo a luz que se acende dentro deste pedaço de coração que te ama… Beija-me…
Pela primeira vez sentirei os olhos nos olhos… Teu nariz no meu… Tua boca na minha… E ambos no mesmo céu… Beija-me.
Poderia imaginar este primeiro beijo com algo mais, algo muito mais… Mas…
Não quero ser a brincadeira, se não queres brincar… Quero-te completamente feliz comigo… Serei o adolescente que nada sabe… Mas que tudo te quer ensinar… Pois dentro deste primeiro beijo, está o que te direi, em silêncio…
Beija-me… Serei imaculadamente o ser limpo de palavras, te beijarei e dormirei no sabor de um anjo, nesse teu mesclado beijo.
Pois durante o dia amarei teu beijo… Pela noite seremos continuação… Beija-me e continua… Serei teu no universo do amorMinha musa, minha admiração…
Beija-me.


José Alberto Sá

domingo, 29 de março de 2015

Onde ecoam os dentes

Onde ecoam os dentes

Procuro nos teus pés o princípio do caminho… E ao olhar-te através das penas, como se fosses a fénix que imagino, mastigo a saliva que me cresce na boca.
Ao olhar-te pelas linhas curvas de um corpo macio, mastigo nos dentes a semente que a íris devora.
E esta minha cavidade vermelha, tem sede da fervente imaginação que mastigo sem soluçar… Queria beijar-te desde aí…
Pelos pés, entre cada dedo feminino, pelo caminho dos gemidos provocados pelas cócegas da minha imaginação vermelha…
Vermelha é a cor de cada pedaço que castigo… Apertado é o escorregadio labirinto já humedecido pela boca que te degusta na imaginação… És cada pétala da flor que trago imaginada no meu pedaço... Pois meu é cada pé que agarro e me faz trepar por aí… Pelas vontades do néctar de uma voz com lábios vermelhos, aqueles que deslizam para se casarem com algo semelhante… Pois semelhante é a gémea palavra que digo por entre pernas que se cruzam e me apertam pela cintura. A aliança perfeita.
Procuro somente em ti, começando pelos pés, para terminar no timbre de uma saliência onde os dentes ecoam… Procuro o que imagino ter… Não desisto até… Encontrar…


José Alberto Sá 

domingo, 22 de março de 2015

Aqui sou... Im(perfeito)

Aqui sou…Im(perfeito)

Foi ao olhar o céu,
que fiquei a saber
Que este mundo não é meu,
nem de quem o venha a conhecer

Chorei…

Chorei ao céu cinzento,
aos anjos que vivem no pódio
Disse-lhes que na terra vivo sem tempo
para salvar os que comigo… Vivem do ódio

Chorei…

Chorei ao céu em assembleia,
aos deputados que vivem bem
Disse de minha vontade, que volta e meia
Queria fugir deste mundo, que nada tem

Chorei…

Chorei ao céu dos presidentes,
aos ministros de coisas tais
Disse que vivo no mundo dos descontentes,
porque odeio a mentira e nada mais

Chorei…

Chorei ao céu, porque na terra não há verdade
Aos ricos pedi que olhassem a pobreza
Que esta liberdade, não tem no povo igualdade
Por isso chorei ao céu, lá sou (eu) com certeza

Chorei…


José Alberto Sá

quinta-feira, 19 de março de 2015

Meu pai

Meu pai


Folha de papel… Meu pai!
Papel firme… Como pai!
Papel de Homem… Meu pai!
Folha leve e carinhosa… Pai!
Folha singela de cor do amor… Meu pai

Meu pai é papel de orgulho, para mim
Meu pai é a vontade do que aprendi
Meu pai é sina até ao fim
Meu pai é a razão do que sou e escrevi

Folha de papel… Meu pai!
Papel de fé, vestido de perfume
Papel de carinho aos olhos de um pai
Folha verde, como a esperança de ser pai
Folha de papel, vestida de letras sem queixume

Meu pai é papel, no papel de homem que é
Meu pai é vontade, na felicidade que o filho herdou
Meu pai é sina desta mão, vestida de fé
Obrigado meu pai, por seres e pelo que sou

Sou como tu, em mim alegria
És como eu, em ti poesia

José Alberto Sá

segunda-feira, 16 de março de 2015

O momento que quero...

O momento que quero…

Arrepia-me por favor…
Toca-me a melodia que anuncia a luz, arrasa-me a miséria deste pensar sedento.
Toca-me no timbre que aguento e vem voar nas asas deste pensar adentro.
Arrepia-me por favor…
Leva-me a papila gustativa a salivar contigo, gravita comigo sobre as letras que escrevo sensuais… Toca-me nos acordes anormais e rebenta o prepúcio que te deseja.
Que ideia maligna é esta, que leva e traz os poros da pele num vai e vem depravado…
Arrepia-me por favor…
Toca-me em qualquer lado…
Mas toca-me…
Migra as tuas sensações e inflama a pele até que sangre amor…
Arrepia-me para que te sinta no corpo o teu violino e deixa-me rebentar cada corda, uma a uma…
Arrepia-me por favor…
Toca-me e voa… Voa até que o céu seja teu e meu…
Sente os poros abertos e abre-te pela noite… Deixa que te toque o dia… E depois de nua… Toca-me… Arrepia-me…
Sou teu, és minha… Curvo-me ao prazer… Ao arrepio que vem de ti… Do som melódico de cada gemido do teu violino em mim.
Arrepia-me por favor… Toca-me…


José Alberto Sá

domingo, 15 de março de 2015

Estás aí?

Estás aí?

Estás aí?
Pergunto tantas vezes a mim mesmo, meu amor… Estás aí?
As ondas magnéticas que penetram os meus ouvidos, trazem teu nome.
Eu sinto-te ali a meu lado, descalça, a caminhar pelo corredor que te alinha comigo, deixas as pegadas no chão de um passado que lembro… Deixas a marca neste coração que te deseja e te pergunta… Estás aí?
Estás sempre, mesmo sozinho te adormeço na calma do meu sangue, eu sei que te tenho, só não sei se tu me tens.
Ainda sonho que no corredor por onde te sinto, me possas levar junto com os passos que ficaram gravados, nas paredes brancas por onde o eco dos teus tacões ressalta aos meus tímpanos… Estás aí?
Precinto que sim… Sempre estás meu amor…
Escrevo hoje para que saibas que acordei juntamente com um raio de sol, entrou pela vidraça e me tocou… Estás aí? Pensei que fosses tu meu amor, neste raiar de dia, nesta luz que me subia, me aquecia e me fez levantar.
Mais um dia sozinho, na esperança porém que os passos deixados no chão deste ser, voltem a acontecer e que sejas tu… Pergunto tantas vezes a mim mesmo, meu amor… Estás aí?
Sempre estás no corredor das minhas vontades carnais… Esquecer-te jamais…
Estás aqui no meu coração, nesta saudade, nesta verdade que te sinto… E sei que um dia serás e eu serei contigo… Estás aí?


José Alberto Sá

sábado, 14 de março de 2015

Escrevo

Escrevo

Rebentam as luzes que me levam a escrever… Rebentam pela sua incapacidade, por eu ser a intensidade do meu ser… A intolerante voz que me domina e me transporta a vos dizer…
Escrevo!
Escrevo pela voz que rebenta os desejos da carne, pela razão deste meu paladar que arde dentro de mim… Rebentam os neurónios que ponho à prova… É tudo que quero abraçar… É novo… É nova… É a escrita do meu poema.
Escrevo!
Os tímpanos escutam a velocidade da luz, que se evapora de dentro deste carrasco das palavras, deste que vejo como servo da sombra, que se crava no chão reflectida pela luz dos meus olhos e são os olhos a luz que rebenta…
Escrevo!
O ruído que faz a minha folha branca, parece gemer, o deslizar agudo e estridente da minha unha no teclado… Rasga a pele e mostra a carne… Arde o cérebro que vos escreve… Ardo eu!
Escrevo!
Espero que seja pelo infinito da palavra, que tudo valha a pena e que não seja alucinação… Brota esta vontade de mim, a luz que rebenta num amanhecer celestial, aquele que pelo raciocínio se faz chuva e vos molha com poemas que rebentam deste animal.
Rebentam as luzes…. A minha luz, o meu calor para vós…
Escrevo!


José Alberto Sá

quinta-feira, 12 de março de 2015

Dedos e unha

Dedos e unha

Ferve-me o sentir… Eu amo sentir…
E a lua é companhia… As estrelas são testemunha… Dos beijos, dedos e unha.
Trago no fervente o teu amor, como quem traz o sol que aquece o planeta…
Faço-me ferver pela entranha… Meta ou não meta… Sempre me sinto ferver pela mesma artéria.
Ferve-me…
Ferve-me o sentir, esta experiência poética… Vontade frenética e pedra preciosa do membro que escreve!
Palavras que são o aprimorado que desliza pelo sentir… Eu amo sentir…
Ferve-me os sentidos, a coluna se ergue e me leva ao conhecimento de um futuro que me asfixia! Poesia sensual…
Ferve-me… Sempre igual!
Ferve-me pela goela a sensação da saliva, escorre-me pelos seios deste meu peito uma vontade fetal, sair por onde a posição se muda… Porque me ferve o sentir…
A mente é só a minha alma… Contigo sou o mar que ferve… A espuma é o olhar que não me deixa mentir… Ferve-me o sentir…
É esta hormona que me eriça o pêlo, ferve comigo e contigo no sonho… Ferve-me e desejo, ferve-me e ponho… Tiro… Ponho… Tiro… Ponho…
Ferve-me o sentir quando fugitivo… E se preso, me agarro às algemas que farão abrir a terra, a entranha, por onde a chave penetrará e me deixará sentir…
Serei o sentir se me ferve a vontade… Cai o dia, cai a noite e sinto… Sinto onde te pões e onde te punha… Ferve-me a cada segundo o mundo que desejo, um beijo, dedos e unha.


José Alberto Sá

quarta-feira, 11 de março de 2015

Teu nome... Cereja.

Teu nome… Cereja.

Teu nome é Cereja, pelo paladar, pelo carinho, pelo perfume.
Teu nome é para quem beija, para sentir, para fluir e se diluir sem queixume.
Teu nome é o que a boca pronuncia, é amor, é verdade, é melodia…
Escuto teu nome como se fosses Maria, uma Rosa, uma Margarida para quem deseja ou simplesmente perfeição… Cereja.

Olho-te rosada em meu futuro, teu nome é quem me acalma, é poesia, é alma… Teu nome é quem me faz doer o chamamento…
Chamar e não te ter… Somente o vento…
Ouvir-te e não sentir… Somente o momento.
Amar-te e acordar noite dentro com teu nome atravessado na garganta!
Sonâmbulo dos meus lençóis, na macieza da manta.

Teu nome não o digo, o sono espreita pela estrada do perigo… E o teu nome o guardo em meu coração.
Teu nome é a corda vocal que te grita, a voz que te chama em meu silêncio…
Sozinho ou acompanhado, sou o ser apaixonado por ti… Olho-te Cereja neste mundo onde és o aperto no peito, teu nome o meu respeito, porque te amo desse jeito.

Teu nome é a distância entre o nevoeiro do nosso olhar, entre a nuvem que passa e continua a passar…
E nesse mundo de nome Cereja, sou o bolo que te espera… Para dialogar contigo… Tu no topo do meu bolo… Sentindo o prazer do castigo… O frenesim que nos levaria ao lambuzar mano a mano…
Teu nome o guardo comigo… Cereja… Assim te chamo…




José Alberto Sá

segunda-feira, 9 de março de 2015

Olha-me...

Olha-me…

Olha-me…
Olha-me bem…
Não sou a pastora
Nem a pescadora
Que dialoga com o mar
Olha-me…
Sou a que ama
Em tempos de chuva
No amargo da uva
Na procura de um par,
que quero abraçar

Olha-me…
Olha-me bem…
Não sou a cantora
Nem a pecadora
Que dialoga com o céu
Olha-me…
Sou a menina que ama
Os tempos vadios
No amargo dos pios
Na procura de um par,
que quero meu

Olha-me…
Olha-me bem…
Não sou a senhora
Nem a perdedora
Que dialoga na melodia de um amigo
Olha-me…
Sou a poesia que ama
Em tempos cinzentos
No amargo dos ventos
Na procura de um par,
que viva comigo

Olha-me…


José Alberto Sá

domingo, 8 de março de 2015

Assim se escreve amor

Assim se escreve amor

Escrevo com o graveto numa areia molhada, o brilho fascina cada grão e eu rasgo, como quem abre fissuras sem medo.
Escrevo desde miúdo na mesma praia, naquela praia cheia de amor, naquela que existe no meu olhar, onde cravo o graveto de uma íris de verde sentir…
Pela noite somente oiço o rasgar arrepiante do graveto, em cada pedra minúscula que devoro e separo do chão.
Escrevo pela agonia até que nasça o dia, até que adormeça o graveto na minha mão.
A enxada cava a terra numa simulação quase perfeita, quase a alma gémea do rasgar de areia fina, quando lhe cravo o graveto.
Pela manhã a maresia do sonho se faz ao mar, levanto-me e a única vontade é olhar o graveto… Belisco! Está vivo… Eu sinto.
Escrevo por saber usá-lo, por lhe querer pegar, por amar o estalo que dou na estucada de amor, numa areia fina e faminta pelo meu graveto…
A areia continua molhada… Sal! O sabor agridoce que me chega aos lábios, aromas de uma separação entre mim e meu graveto… Lados opostos.
Escrevo sobre a minha praia… O amor que tenho por ela e nela se faz a felicidade de uma parte de mim… Meu graveto se faz passear, deixando na profundeza um pouco deste que desde miúdo ama… Escrevo com o meu graveto sonhos que realizo, imagino não lhe dar descanso, ele sempre me acompanha… Escrevo mesmo ao frio, na geada, na sentinela da noite ou no calor do sol… Escrevo como quem dança… E em cada página deste mar… Sinto-me naufragar dentro de ti… Dentro de ti, é onde amo escrever com o meu graveto! E deixar que a magia aconteça… Que aconteça… Aconteça… O amor.


José Alberto Sá

sábado, 7 de março de 2015

Mulher de hoje

Mulher de hoje

Eu amo de verdade o azul do mar
As ondas revoltas… O brilho da água
na beleza da espuma,
de um louco abraçar

Mas eu quero mais…

Porque eu amo as árvores que abraçam o ar
As folhas de verde esperança,
ao voarem uma a uma
Delicadas em pontas, meninas da dança

Mas eu quero mais…

Eu amo os pássaros que voam no céu
Os cânticos lindos no seu chilrear
E a beleza das penas,
um encanto meu

Mas eu quero mais…

Eu amo o sol vestido de mil cores
A lua que de noite me abraça no sonho
As estrelas do luar,
que me beijam como amores

Mas eu quero mais…

Porque eu amo tanto
Que não amo, como um qualquer
Este amor que dentro de mim, grita em pranto
Quer amar muito mais,
nas minhas vontades reais…
O corpo de uma mulher



José Alberto Sá

Provocas-me...

Provocas-me…

E tu provocas-me…
Não sei dizer, porque não minto
Mas tu provocas-me e não te sinto

… Amo-te

Teu corpo o vejo na lua
Teu beijo o sinto no sonho…
e quando me ponho
é a vontade de te ter nua

… Amo-te

E tu provocas-me…
Não sei dizer o que desejo
Se o ventre, o corpo ou somente…
O que amo lentamente… O teu beijo

… Amo-te

E tu provocas-me…
E te digo simplesmente
Que o amor me põe louco!
A luz e a mente…
A voz e o olhar… E não é pouco…

… Amo-te

Sou de carne e osso
És um desejo colosso
Sou louco por ti…

Sempre… Agora e aqui

De dia…
Pela noite dentro
Algures na luz que me dizia
Que tu és, poema sedento

Porque me provocas
E eu amo-te

Amo-te…


José Alberto Sá

quarta-feira, 4 de março de 2015

Eu não te nego

Eu não te nego

… Que te negue
Este corpo meu
Que um dia a ti desceu
E na loucura se envolveu
Vindo nas asas de um anjo
… Que te negue
Este beijo
Descido pelo desejo
Perdido em teu olhar
Nesta terra
Neste mar
… Que te negue
Este coração
Que pulsa, que grita
Que berra
… Que te negue
O trovoar de um céu
Que sendo meu
Te faça tremer
Que te faça, para mim ser
Como quem treme
Nas águas revoltas
Nas ondas famintas do meu leme
… Que te negue
O paraíso que não vês
O amor que não sentes
O sorriso que não mentes
Este corpo meu
Descido de um céu
Nas asas de um anjo


José Alberto Sá