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domingo, 31 de julho de 2011

No cantar dos anjos

No cantar dos anjos

Sentia vibrar, no fresco do ar
Ouvia os ecos dos anjos
Sons que me faziam pensar
Me davam leveza e alegria
Aleluia…Aleluia…
Rodeado de luz num verde cipreste
Ouvindo pedidos de misericórdia
A paz nas alturas, o céu celeste
No eco que ouvia, não existia discórdia
Ecos de imensa verdade
Ecos de real paixão
Momento em que nenhuma vaidade
alegrava as palavras que ouvia
Somente sentia…emoção
No entoar dos ecos, as ondas eram dia
E uma luz surgiu do eco, a Virgem Maria
Ecos que ouvia, trovões do Senhor
Soavam no ar…Aleluia, Aleluia…
E todos os ecos em meu coração eram amor
O ar fresco era o transporte
da força divinal, penetrando em mim
Lembrei-me do ser mais forte
Lembrei-me do ser mais fraco…enfim
Levantei-me e caminhei
em direcção ao eco, que me chamava
E todo aquele ar…amei
Todo aquele cantar que em mim ecoava
Eram meninos do coro
Que anjos pareciam
Cantando Aleluia, que tanto adoro
Na pureza do ar e nos ecos que se ouviam
Os meninos cantavam na sua alegria
Aleluia, Aleluia…

José Alberto Sá

sexta-feira, 29 de julho de 2011

A Ponte

A ponte

No meio da ponte, uma criatura
Que me parecia insegura
Olhava o sul, olhava o norte
Procurava uma luz, no espelho da morte
Olhava o tapete de água, lá no fundo
Estava confusa, estava nervosa
Fugia-lhe dos pés o seu mundo
Sentia cravados, os picos de uma rosa

Estava na ponte uma senhora
Frágil e deveras ansiosa
Precisava de protecção, de companhia
Uma alma protectora
Pedia que o escuro que sentia fosse dia
Àquela ponte, eu chegava
Olhou para mim com ar duvidoso
As suas mãos tremiam, o corpo varejava
Seu rosto desgarrado no tempo, revoltoso
Não sabia se devia, não sabia se falar
mas sabia que tudo podia acontecer
A ponte tem sempre dois lados
Um lado para amar
outro para sofrer

No meio, onde estava, senhora triste
Era o centro das decisões
De quando não se resiste
Nem se compreendem corações
A ponte e a tempestade do momento.
A senhora e a incerteza da verdade.
Eu tentando anular o sofrimento
Falando em amor, carinho e amizade
Olhou para mim novamente
Estendi-lhe a mão
Seu espírito estava doente
Parecia não ter coração

Mas…
Via sorrir!
Senti a sua mão na minha…que bom
A ponte estava segura pela vontade
As portas estavam abertas para o partir
As suas lágrimas saltavam…emoção
Chorou agarrada a mim…queria viver
Liberdade…
Passamos a ponte da incerteza
Da minha vontade, seu querer
O outro lado seria o renovar
Seria a continuidade, a certeza
Que existe muito mais para amar

A ponte tem dois lados
Ultrapassar não é fácil…mas…talvez
O amor vive, se nos sentimos amados
A vida é nossa fonte
Desistir…nunca…existe mais uma vez
No atravessar de uma ponte



José Alberto Sá

As rugas

As Rugas

Sentado no banco sem poder
Esperando o tempo que passa
Vendo o vazio das horas
analisando o sofrer
Sentado e moribundo, qual carcaça
Olhos encovados…já não choras
Sentado no silêncio da dor
vergado e rejeitado
Sem ninguém, sem amor
O mal amado
Velho, trapo, que já não prestas
Qual porta gasta, sem arestas
Uva pisada, caída no chão
Cigarro no lábio…só morrão
Velho mendigo sem valor
Sentado espera que o chamem
Não para lhe darem amor
Mas companhia e uma flor
Sentado ali, querendo novamente
ser menino
Deixando na terra sua semente
Velho por ter lutado
Pelos jovens, em seu ensino
Por quem agora é abandonado
Porquê?
Não se vê?
É velho, não presta
A vida é assim,
é tudo que nos resta.

José Alberto Sá

Sexto sentido

Sexto sentido

Estive contigo
embrulhados no calor
Medimos corpos no olhar
Dentro de ti, meu abrigo
Fizemos amor

Fizeste-me suar
Apertavas-me contra ti
Apertava-te para mim
Corada na face…eu vi
Rosa vermelha meu jardim

Traçaste as pernas nas minhas
apertando sem sufocar
Contornava tuas linhas
em ondulações de amar
Sonho real, aquele dia
em voos de mil aves
No fim tudo é magia
No amor, que só tu sabes

Sorriste de contente
Pelo amor partilhado
Loucura da nossa mente
Na vontade de ser amado
Cavei nossa amizade e amor
No plantar da nossa raiz
Nos frutos da minha flor
Disseste-me que era feliz

José Alberto Sá

Simplesmente

Simplesmente

Pensei…
Imaginei…
Escrevi…
Li…

Agora sei…
Que não sonhei…
Que o amor que escrevi.
Era todo para ti

Ganhei…
Realizei…
E não sonhei
Porque amei

Somei…
Um mais um, amor
Amaste-me, eu amei
E ganhei uma flor

Tenho-te
Para mim
Quero-te
Até ao fim

Assim escrevi
Quando te vi
E quando te li
Foi amor que senti

José Alberto Sá

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Casa, não casa

Casa, não casa

Tinhas uma flor amarela
O sol em tua mão
Beliscavas as suas pétalas, arrancando-as
Mordias as suas pétalas, devorando-as
E eu sentia em meu coração
O sol que na boca tinhas
em forma de uma flor
Era o casa, não casa, era o jogo
de promessas que eram minhas
Quando dizias sim ou dizias não,
ao nosso amor.
Casa, dizias tu e sorrias
Não casa, pensavas tu ser mentira
No chão caíam as pétalas e tu sofrias
Na esperança de um fim com alegria
Casa, não casa, continuavas
Ansiosa e convencida
Que as pétalas que roubavas
Te dariam boa vida
Casa, não casa é brincadeira
Casa, não casa é o teu jogo, tua vontade
Casar é ser responsável, outra barreira
É ter as pétalas na flor, amar de verdade
Casa, não casa, vi teu sorrir
Correu bem… o jogo teu
Pétala a pétala para descobrir
Que o teu amor, também é meu.
O sol brilhou na tua mão
Roubaste as pétalas, da bela flor
As margaridas são o que são
Eu e tu somos amor.

José Alberto Sá

Amigos

Amigos

Naquele dia estavas triste
Vi o escuro no teu olhar
Senti fraqueza em meu coração
Ao ver que não me sorriste
Cheguei perto para te falar
A minha obrigação.
Olhaste de olhos brilhantes
Em lágrimas que te escorriam…de sofrimento
Soluços de dor…sufocantes
Cheguei perto…meu lamento
Eu sabia o que tinhas perdido
O teu rosto me dizia
Queria ajudar-te e encontrar-te
Numa vontade de que o escuro,
fosse dia.
Acenas-te que sim…querias desabafar
Ouvi…tentei compreender
Difícil ultrapassar
A dor do amor…em nosso perder
Pedis-te que ficasse a teu lado
Sem hesitar, fui tua companhia
Ficaste colada no meu ombro
Calando as lágrimas por um bocado
E para meu assombro
O teu respirar me adormecia
Agradeces-te por ter estado contigo
Disseste que estavas melhor
Uma lição de quando se tem um amigo
Quando não se tem…tudo é pior.

Como é bom ter amigos
Conto-os nos meus poemas
São como se fossem abrigos
Soluções de muitos problemas.

José Alberto Sá

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A CONFIRMAÇÃO

A Confirmação

Sentado e ansioso, esperava
Nervoso estava e suspirava,
quando te vi entrar!
BELEZA!
Cataratas de água vi brilharem
Estrelas reluzentes vieram espreitar
Para te verem!
Não queria acreditar!
Minha certeza!
Caminhas-te lentamente e sensual,
em minha direcção
Sorriso nos lábios…fenomenal
Vestido atraente
Como pulava meu coração
Vulcões sorriram em lava incandescente
Olá…disseste em tom suave
Olá…respondi em voz bloqueada
Senti a tua fragrância no ar
Na beleza de uma ave
O meu amar…
Sentamos e demos a mão…nada
Tudo parou…queria sentir
O corpo e a essência da minha amada
Trocamos um beijo…amor
Na verdade este era o nosso sorrir
Na partilha de um café e uma torrada
Pegou na chávena, como se fosse uma flor
Lábios singelos me arrepiaram
Olhos de cristal me penetraram
Seu corpo me fez sinal
A paixão e o amor, ali num cafezinho
Era o concerto musical
Onde dançamos em palavras baixinho
A confirmação nupcial

José Alberto Sá

terça-feira, 26 de julho de 2011

Novela

Novela

Pensei que te conhecia, mas não!
Foste meu efeito emocional
A minha personagem de ficção
No teu enredo temporal
Soubeste criar emoção em mim
Parecias viver em meio artístico
Encadeaste história do princípio ao fim
Foste algo misterioso e místico
És a intriga, a trama
És o episódio complicado
Teceste embaraço, mesmo na cama
Onde me senti embaraçado
Novela de acontecimentos em meada
Com argumento onde brilhaste
Atingiste o clímax mesmo enleada
Em trechos de intriga e não te cansaste
Filme mau, este, onde participei
Textos que não consegui decifrar
Cenários que não pintei
Desfecho sem que pudesse argumentar
Circunstâncias do momento, sem acção
Sem marcação do tempo, sem narrativa
Condução de enredo em complicação
Onde o inevitável ainda hoje me intriga
É a novela da vida
Os enredos que acontecem
Filmes de gente crescida
Daqueles que por vezes não merecem.


José Alberto Sá 

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Pomba


Pomba



Pomba branca de penas algodão
Poisaste na minha janela
Corri e estiquei minha mão
Para tocar-te menina bela
No parapeito de pedra vieste cantar
Cucurru de lindo falar
O sol começara a nascer
Bendita pomba de neve
Que me quiseste aparecer
E onde meu coração não se conteve
És autonomia e a espontaneidade
És a força da paz e esperança
És o símbolo da liberdade
És a beleza em toda pujança
Tens um voar de súbito vendaval
Tens a pureza das águas suaves
És o correio do nosso Portugal
A rainha das nossas aves
Pomba, ave de recordações
No dilúvio de Noé, trouxeste um ramo
Anunciando a terra e emoções
A liberdade do ser humano


José Alberto Sá

Luz

Luz

Ó luz, tudo no céu brilha
Ó luz, que tudo ilumina
Ó luz, tu que cantas maravilha
Ó luz, tu que és divina
Vi-te reluzir
Vi-te em raios de cristal
Vi-te estavas a sorrir
Vi-te, minha luz celestial
Iluminas todo o ser
Iluminas a minha vida
Iluminas para eu te ver
Na luz que sinto tão querida
Ó luz de mil vaidades
Vi-te na paz do meu amor
Ilumina as minhas vontades
Na luz vinda do meu Senhor
Luz que me traz serenidade
Luz que me aquece
Luz que me traz liberdade
Luz que me enaltece
És o sol do meu Verão
És o dia que me encanta
És quem alimenta meu coração
És a claridade da terra santa

José Alberto Sá

Dizem...mas...

Dizem…mas…

Dizem que sou o deserto…mas só sou o sol
Dizem que sou o mar…mas só sou a areia
Dizem que sou os pássaros…mas só sou o rouxinol
Dizem que sou os peixes…mas só sou uma sereia

Dizem que sou a música…mas só sei cantar
Dizem que sou poeta…mas só sei recitar
Dizem que sou amigo…mas só sei abraçar
Dizem que sou amor…mas só sei amar

Dizem que sou trabalhador…mas só sei dar
Dizem que sou o ar…mas só sou o vento
Dizem que sou a terra…mas só é o meu lar
Dizem que sou rápido…mas só não sou lento

Dizem que sei escrever…mas é só uma vaidade
Dizem que sou alegre…mas só sei viver
Dizem que sou dador…essa é minha vontade
Dizem que sou ambicioso…é só o meu querer

Dizem que sou amante…mas só para a mais bela
Dizem que sou apaixonado…mas só sou teu
Dizem que sou uma frota…mas só sou caravela
Dizem que sou bondoso…mas só sou eu

Dizem…mas só eu sei
Dizem…mas só eu serei
Dizem…mas só eu terei
Dizem…mas só Deus é Rei
Dizem…mas…

José Alberto Sá

Deu-me tudo

Deu-me tudo


Deus deu-me duas mãos
Deu-me um coração
Deu-me dois irmãos
Deu-me a união
Deu-me dois dedos polegares
Deu-me dois dedos indicadores
Deu-me dois dedos anelares
Deu-me dois dedos mindinhos
Deu-me uma vida sem dores
Deu-me a paz dos passarinhos
Deu-me um pai e protecção
Deu-me uma mãe e carinho
Deu-me ouvidos para audição
Deu-me pernas e um caminho
Deu-me nariz para sentir
Deu-me olhos para vos ver
Deu-me pensar para reflectir
Deu-me esperança para abraçar
Deus deu-me tudo de bom
Deu-me felicidade e harmonia
Deu-me esposa e o seu dom
Deu-me um filho, minha alegria
Deu-me paz
Deu-me liberdade, num mundo em flor
Deu-me amor
Deu-me tudo…se eu for capaz.


José Alberto Sá

sábado, 23 de julho de 2011

Abraço Infinito

Abraço infinito

Senti um abraço
Abraço de amizade
Abraço de verdade
Senti vaidade…

Esse abraço é para mim?
Abraço de amor
Não foi uma flor, foi um jardim
Abraço de carinho
Abraço de Louvor
Abraço apertadinho

Lindo abraço senti,
do tamanho do mundo
Abraço de satisfação
Abraço que escrevi
Abraço profundo
Abraço do coração

Abraço Louvado
Um abraço de quem amo,
de Deus que me abraçou
Abraço de quem chama
De quem me quer e chamou
Abraço mano a mano
Daquele que me ama

Num abraço sonhador
Um abraço que aconteceu
Senti-me amado
Num desejo só meu
Obrigado…Senhor
Pelo abraço que me foi dado.

José Alberto Sá

O abecedário do amor

O abecedário do amor

Amor…minha
Bondade
Calor
De quentura minha
Elevado
Fervor…de
Grandeza feminina…minha
Herança…minha
Incerteza…meu
Jardim…quantas as
Liberdades…quantos
Momentos delicados de grande
Nobreza…quantas
Oportunidades de fazer o
Pecado…tempos infinitos
Quantidade…momentos únicos
Raridade.
Sensualidade
Terna menina…que em
Uivos me atraíste…e eu
Vivi linda paixão…felina
Xícaras de amor…pequenina e
Zonza que conquistei


José Alberto Sá

Sede

Sede

Água do rio, tapete de prata
ontem te sonhei, senti frescura
Ias correndo noite fora, em sonho meu
ontem sonhei contigo, menina de água
Água pura
menina minha, me enlouqueceu
Sonhei contigo em tanta humidade
Correntes de água, correntes de amor
Correntes de verdade
Águas da chuva, numa flor

Transpiras por travessura
Irrequieta menina numa corrente
Frenesim de frescura, que o mar procura
Água menina de uma nascente
Feminina de beleza comovente
água  fina e transparente
Que amo na sede, o corpo sente

Lavas-me em repuxos de encantar
Cobres-me em lágrimas de doçura
Quero-te menina e em ti me molhar
Corpo sedoso linda aventura
Corrida em prantos de cristal
Sobes e desces, entre vales e montanhas
Toco-te seduzido, meu corpo animal
mergulho em ti, sem teres entranhas
Água bem dita
Sede de ti…acredita


José Alberto Sá