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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Pureza

Pureza

Lembras-te de quando partiste o candeeiro, que repousava na mesinha de cabeceira?
Tu lembras-te com certeza, estava-mos num jogo que inventamos naquele dia. Para tua e minha alegria!
Foi belo olhar as lágrimas que tilintavam, quando os dedos de um dos teus pés dedilharam o candeeiro!
Lembras-te?
A outra perna permanecia do outro lado, o jogo que inventamos era de génio! Fabulosos gemidos soltamos quando sorria-mos e logo era-mos socorridos pelos nossos beijos.
A mesinha de cabeceira moldara-se ao requinte do nosso jogo, do nosso momento, as massas debatiam-se, os volumes permitiam que pertencesse-mos à loucura do jogo!
Lembras-te das lágrimas de cristal tombadas na mesinha?
Tu lembras-te com certeza, daquele noite com arte, acima de tudo com leveza e suavidade… Não fosse o candeeiro partir!
Ah! Trocamos de lugar!
Lembro-me do esplêndido em que os braços se perdiam no teu corpo, lembro os abraços, as trocas incessantes, que nos levaram quase a fazer igual ao candeeiro do outro lado! Estava-mos diante do espelho e a transparência levava-nos a emoções para lá das lágrimas de cristal!
Lembras-te?
E a luz continuava acesa… A minha e a tua claridade!
É assim meu amor, quando nos inclinamos para um jogo de olhos abertos, sem querer ver nada! Tudo acontece no perfeito momento, no espaço ideal, na vontade suprema… Tudo acontece, até que as lágrimas brilhem com o dedilhar dos dedos, perante o contorcionismo de dois corpos descontrolados, mas apaixonados.
Lembras-te? Lembras-te com certeza, ainda hoje lá estão as lágrimas que partilharam este amor.


José Alberto Sá

domingo, 25 de setembro de 2016

Existem humanos na minha terra!

Existem humanos na minha terra!

Se existe alguém com amor fecundo, que grite e repele os que não existem.
Se existe alguém em que a labareda se acende sem matéria, que seja o primeiro a me abraçar!
Preciso tanto de alguém que exista verdadeiramente!
Preciso muito de tenacidade criadora, do entusiasmo acima da erupção vulcânica neste meu tempo.
Orgulho-me de ter nascido na terra que amo e digo: Se existe alguém que a ame a minha terra como eu, seja a existência de um clarão feito de obediência e amor.
Se existe alguém, esse alguém que tire da pira a maravilhosa chama do amor.
Tantas palavras ouvi! Tantos olhares eu gravei! Tantos sorrisos entendi! Tantos apertos de mão acomodei! Tantos abraços se criaram! E não existiu um ser humano capaz de mostrar amor à terra onde nasci!
Porque a terra onde nasci, não é feita de momentos onde o amor é fecundado com interesse, porque a terra onde nasci, não aceita ser de meros momentos opacos, onde a nitidez se faz aos olhos de alguns… Minha terra é de toda a gente e eu sou um deles!
Hoje fiquei feliz por alguns, hoje fiquei completamente por outros, hoje senti um abraço enorme e saudável… Mas hoje também senti a ausência, a ferida, a tristeza, a raiva, a angústia de outros tantos que existem.
Tudo isto para dizer que fecundo é o amor dos que são puros e não o dizem, tudo isto para dizer que fecundo é o olhar dos que se olham cara na cara e todos os dias da mesma forma, tudo isto para dizer que, fecundo é aquele que existe para todos sem escolha e hoje alguns enormes seres humanos da minha terra não estavam e existem completamente no amor e na paz.
Se existe alguém com amor fecundo, que grite, pois repelar não vai ser possível… Os outros tal como eu existem e são parte do amor fecundo de Esmojães, Anta e Espinho.
Se existe alguém que grite!

José Alberto Sá

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Quando os pólos se desejam

Quando os pólos se desejam

Faz amor, faz-me notável, faz-me ser artista, um artista só teu, só para ti.
Faz amor, faz-me coroar frutuosamente, faz-me ser, faz-me emergir em emoção, faz com que eu não te resista.
Faz-me ser.
Ser artista!
Faz-me contagiar pelo teu corpo, pelo sortilégio de te sentir arte e espectador, faz amor… Faz!
Faz-me chegar ao ponto mais alto e dominar a aguarela, com esbatidos suaves, brandos, feitos pela língua húmida de quem quer ser artista!
Faz amor, faz-me sentir por entre… Por tudo, por mais, faz-me sentir profundamente a tua seriedade, faz-me ser teu!
Faz amor, faz-me ser consciente na escultura do teu produzido e belo ser.
Faz-me ser a exceção e deixa-me delirar com expressões de amor.
Faz amor, faz-me acreditar que sou raro na arte de amar.
Faz-me sorrir com o ideal concretizado, faz amor, faz-me espreitar o segredo para que suba alto e toque esses dois pólos, o amor e a arte de amar.
Faz amor, faz-me ser artista… Só para ti!


José Alberto Sá

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Dor e esperança

Dor e esperança

Sangram os cantos salgados, de uns olhos que desde o acordar te amam.
Sangram desde os primórdios da vida, desde que me vi respirar em teus lábios. Foi aí que a vida começou!
Sangro e me vejo no anonimato, ninguém enxerga o sal derramado desde o acordar e o deitar do sol.
Recordo o tempo contigo, desculpa mas, o teu corpo não era ficção, o teu traseiro ainda o recordo tactilmente… Sangram os cantos salgados!
Sangro sozinho pela pobreza em que estou, sem ti.
Não esqueço cada nádega em cada mão, não esqueço os seios no meu peito, não esqueço o quente, o macio, a respiração… E a tua boca se afirmava na minha!
Sangram os cantos salgados, já nada se equivale ao sonho de repetir o ato, de sermos um só.
Espero reencontrar-te e de olhos nos olhos, sentirmos o salgado da saliva na mistura com as lágrimas de saudade.
Espero que um dia, se transforme em imensos desejos.
Tu és mulher e eu sou homem, dois seres que sangram por não esquecer o tempo agridoce da vida, numa mistura de lágrimas, sangue e um amor eterno.
Sangram os cantos salgados, por ti.
Espero-te, ambos somos o que desejamos.
E só Ele sabe se merecemos o Pão e o Sangue da Vida reencontrado!
Eu somente sei que te quero de volta.
Por isso sangram os cantos salgados… Meu amor!


José Alberto Sá

sábado, 17 de setembro de 2016

Coisas que sinto...

Coisas que sinto…

Sorris quando a vontade é chorar e a tua evidência não te deixa evidenciar, a tua forma de amar.
Tens dificuldade em compreender a diferença, entre o comprimento da amizade e o cumprimento a dar a quem te ama!
Sonhas no plural e te mostras na confusão… Perdida singularmente!
Sentes-te sensível quando falas verdade e insensível quando a verdade já não te fala!
Sorris pela felicidade que procuras e choras na procura de um sorriso feliz.
Sentes-te enorme num meio sem princípios e foges pelo enorme meio sem fim.
A escolha já não é tua, é de um sentimento sem sentido, de um resultado em que a conta está errada!
Querias ser fiel na estrada por ti escolhida, mas o caminho se fez diferente e se apertou em encruzilhada!
Sorris quando a vontade é refletir sem avançar, mas… Avanças perdida sem saber de ti.
Sorris quando eu sorrio e acredito que um dia serás feliz… A origem do mundo foi quando nasceste, à tua volta tudo acontece e no fim serás tal como eu… Um sorriso que um dia existiu e na procura aconteceu!
Nada acontece por acaso, o acaso é que acontece do nada e nada é tudo que imaginas sem existir… Tu existes, não te vás…


José Alberto Sá

Sonhos!

Sonhos!

Deitado sonhei com Paris, a cidade da luz e da cor!
E quando ela chegou… Abri os olhos… A Torre Eiffel estava defronte!
Paris!
Fez-me sonhar e realizar tudo que quis!
Tocava o céu, na sede e na fonte!
E acordado sonhei quanto quis, com a menina do amor!


José Alberto Sá

Adocicada vontade

Adocicada vontade

Mais recordações e coisas… Coisas que foram, que ficaram e querem vir novamente!
O passado não se esquece de mim, um tempo de amor na montra e imenso carinho em armazém… Meu coração tem destas coisas!
Lembro os rostos macios, sorridentes e com um brilho nos olhos capaz de ser eterno!
Lembro os acessórios, não sadomasoquistas, mas interessantes ao meu olhar. Lembro a liga, lembro o decote com aquele colar em forma de apêndice!
Não sou maníaco, sou um ser que lembra com exatidão, até ao pormenor do espartilho… Coisas e recordações, que ainda hoje…
Tortura psicológica… Sim, obsessão erótica talvez, pois tu não sais de dentro de mim, feres-me até hoje e já lá vai tanto tempo sem… Coisas do tempo!
Lembro o volume, a geometria, em particular a cor e isso era guerra nuclear em meu pensamento!
Lembro o inquietante das posições, a monstruosidade da respiração, a revolta dos pés e o gigantesco frenesim luxuriante! Lembro uma juventude que ainda hoje se agarra a mim!
E hoje procuro emoções de um testemunho gravado em meu coração.
Hoje mais recordações e coisas… De um picante e adocicada vontade!


José Alberto Sá

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

E ela e eu...

E ela e eu…

E ela sentada nada me dizia! E eu de pé observava a obra-prima!
E nós somente fitamos os olhos um do outro e desfrutamos tudo que a mente quer e deseja!
Fechar o olhar não estava no horizonte de algum de nós, assim me dizia o seu e o meu sorriso!

Transe, inquietação, angústia, vontade, luxúria e mil delícias se avistavam num espelho que mostrava o outro lado do corpo! A nudez de ambos era o mundo por conquistar, vi-me adulto e adolescente por momentos…
Alguns cabelos brancos de caminhos já percorridos, e algo aventuroso se fazia notar em mim!

O motivo tinha sido o trocar de pernas, o desnudar do mistério, de uma senhora de cabelos pintados ou uma jovem capaz de me fazer sentir estático!

E ela sentada nada dizia! E eu de pé, já não observava a obra-prima… Já sentia o universo da vontade feminina, somente estava mais perto, de pé! E ela sentada!

Eu gosto de horizontes sonhados e de um sofá como testemunha!
E eu sentado observava a obra-prima! E ela de pé, por mim acima!
Fechar os olhos não estava no horizonte de algum de nós, assim me dizia o regalar de pálpebras e respirares sufocantes!

Continuamos… Mas agora ambos nos sentamos! E ela nada dizia! E eu somente sentia o que o espelho refletia!

E eu deitei e ela deitou!
O mundo é para mim um pedaço de psicologia e mestria afinada pelo amor!
E eu continuei e ela continuou!
O amor afinado pela mestria é psicologia num pedaço de mim e do mundo!


José Alberto Sá

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Sem querer

Sem querer

… fui caminhar pelos passeios da terra onde vivo e durante a caminhada lembrei dos que não se lembram!
Tenho tantos amigos, que hoje os levei na minha caminhada, passeios repletos e uma estrada!

Os outros não vieram! Os outros são aqueles que não se lembram! Ficaram no caminho mais curto e mais propenso aos trilhos de algo que sonham e que eu não sonho!
Perguntam-me porquê?
Porque os meus sonhos são vontades de amor e essa realidade já vive em mim. Já não preciso procurar, nem caminhar até à exaustão!

E enquanto caminhava, caminhava sem querer, mas a lembrar os que não lembram!

Nas bermas vi sorrisos amarelos, gargalhadas sem som, que me disseram não ser dos amigos do meu coração, esses têm sorrisos puros e sinceros.
Nas bermas vi pés descalços, de amigos calçados de peles calosas, bermas de bocas sequiosas pelo esquecimento da vida!
Nem o disfarce me faz caminhar ao lado dos que não se lembram, mesmo eu lembrando!

Fui caminhar com todos os meus amigos, lembrei de todos!
Somente ficaram na calçada da rua, os que não lembram que o abraço de ontem se faz hoje e se prepara para amanhã… São semente!
Amo caminhar com todos, numa amizade crescente.
E não na hipocrisia, a quem chamo humildade inexistente…  

Sem querer…
Fui caminhar pelos passeios da minha rua, para me lembrar que a vida é de caminhos, em que a escolha é para quem sabe caminhar!



José Alberto Sá