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domingo, 24 de maio de 2015

Gota a gota

Gota a gota

Gota a gota sabe-me a tranquilizante, a saliva que se desprende… Gota a gota sabe-me a lágrima que se prende, neste olhar com saudade ou num beijo que se tatuou para sempre na memória.
Eu não esqueço, somente por vezes isolo uma parte de ti e deixo que o meu coração te guarde… Gota a gota mastigo, por vezes em seco tentando sempre te saborear.
Gota a gota faço o meu tratamento e cada ampola que imagino, tem o teu sabor… Gota a gota sinto o teu falar no roçar de nossos lábios… Dias que ficaram para recordar nas palavras que escrevo… Gota a gota deixo cair a lágrima que dói por saber que te recordo…
Gota a gota te sinto na bebida que me refresca, na boca deixo estalar o açúcar, esse áspero adocicado que te revela dentro de mim… És doce…
Não me privo de caminhar, nem tenho medo dos rituais que deambulam no meu pensamento… São danças e cantigas que salpicam o amor que sinto… Pois gota a gota amo-te nas mais recônditas loucuras, dances ou não… Cantes ou não… Regresses ou não… Gota a gota me contagio dentro desta gaiola feita de aromas teus… Gota a gota me lembro de ti e me enclausuro nesta terra onde cada gota és tu… Gota a gota sou eu que me faço chuva só para que saibas… Jamais te esqueço, minha gota salivar que um dia quis tal como eu… Amar…


José Alberto Sá

sexta-feira, 22 de maio de 2015

A mão do amor

A mão do amor

A tua mão, acena para lá de um sol que se põe… Mas eu criei um atalho para te dar a mão e caminhar contigo…
A tua mão é macia para lá das águas de um mar que olho… Mas eu criei um atalho para as sentir rastejar, pelo meu corpo…
A tua mão não é o que mais desejo… Mas é parte de um todo que amo… Sinto-a a acenar para lá do sol que se põe…
A tua mão acena-me mesmo pela manhã… Tu sabes que pela vidraça, o sol entra e me traz um perfumado toque… Por vezes nem sinto o meu corpo, por estar completamente contigo… Eu sou completamente contigo…
A tua mão é alma que me visita… E no banho sinto-a deslizar, a espuma aromatiza a tua essência…
A tua mão me condiciona o pensamento… É impossível não pensar em ti… A tua mão é a luz que me faz levantar… Viver… Deitar… Dormir e sorrir…
A tua mão… Denuncia-me pelo caminho, meu rosto sorri e vendo esta felicidade aos outros… Esta minha vontade gratuita, que vendo sem preço… A tua mão, aquela mão que me segura e me diz… Estou aqui…
A tua mão é essa parte que me toca, mesmo que ausente… Eu sinto-a em todos os movimentos… E hoje… Vi-as no sol… Hoje vi-as no vento e pela estrada que seguia, senti-me de mãos dadas… Deus é quem me segura… E tu também… Meu amor… A tua mão faz parte da minha…


José Alberto Sá

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Sinto as tuas batidas

Sinto as tuas batidas

Ciente é o pulsar meu amor
São as batidas que sinto…
Pulsares que pinto
Meu amor, que pulsa forte
Que no pulsar me dá sorte
E me cativa numa flor

Ciente sou, pois tu és no pulsar,
o rebento de uma rosa
Aberta pelo desabrochar
Numa batida que sinto
Que sinto na alma
Num poema ou numa prosa

Pulsares que batem delicadamente,
como sonho e aventura
Meu amor que docemente
Em mim pulsa e é leitura

Pulsas na luz…
Pulsas e sentes…
Sentes e amas… O coração fala
Pulsas e vives… O silêncio não cala
E no amor pulsas e abraças…
Tudo estala

Pulsas em meu amor
e sentes mais além
Pulsas como eu… Se digo vem
Pulsas e vibras…
Vives como ninguém

Tu e eu, somente um pulsar


José Alberto Sá

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Hoje...

Hoje…

Como se fosse hoje… Esse tempo distante de conhecimento e mistério…
Como se eu fosse amigo da alma, amigo das dificuldades, em que o mundo me deseja pela poesia e pela carne…
E hoje… Intrigo-me sem dúvidas, como se eu fosse um amanhã, intrigo-me quando o mal não se atreve à minha altura, nem o bem quer de mim a mistura… Aventura talvez…
Rezo tantas vezes, como se fosse hoje… E hoje seria mais um pedido ao conhecimento, ao mistério… Quando sonho… Ou quando realizo…
Terrível é a imaginação sobre a carne, onde esta sempre se aproveita da minha poesia… O corpo feminino é no sonho igual à realidade… É poesia… Sonho…
Esse tempo distante de conhecimento e mistério, que carrego no desejo…
Sempre por perto… Por perto é distância entre o membro e a vulva que me arrepia…
E sempre sonho… Figuras perversas que se atravessam no meu caminho… Sabendo eu que o mundo é lindo e muito mais seria se eu… Devora-se a carne como a desejo…
Intrigo-me pela minha apatia… Não conhecem a parte de mim, que mexe… Que se dilacera sozinha… Sempre na vontade, como se fosse um amanhã de união… Como se fosse hoje…
Comer não é o bastante para me saciar… Amo a reza misteriosa sobre a carne, onde os joelhos se agacham e eu… Devoro intensamente, mesmo que num amanhã perfeito…
Como se fosse hoje…


José Alberto Sá

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Sempre comigo...

Sempre comigo…

Eu vejo o meu menino
E haja alguém que diga, que da serra não vejo o mar
E haja alguém que diga, que da serra não vejo
as caravelas
Que da serra, não vejo as gaivotas voar…
E que os olhos não são como janelas

Eu vejo o meu menino

E haja alguém que diga, que da terra
não vejo as nuvens do céu
E haja alguém que diga,
que da terra não vejo o sol a passar
Que da terra, não vejo o amor que é meu…
Meu menino nas terras além-mar

Eu vejo o meu menino

E haja alguém que diga, que da saudade não vejo
o desejo
E haja alguém que diga, que da saudade não vejo
o sentir da minha dor
Que da saudade, não vejo o sentir de cada beijo…
Meu menino, meu amor

Eu vejo o meu menino

Haja alguém que diga, que negue ou me contrarie
a saudade…
Haja alguém que diga, que não vejo no sono,
um filho como um hino
Que diga que não o vejo ao acordar…
Esse mundo que amo de verdade
Pois um coração que ama é eterno ao amor de menino

Eu vejo o meu menino…


José Alberto Sá

domingo, 10 de maio de 2015

Ser poeta!

Ser poeta!

Em uníssono digo que o tempo triunfa em segredo… Eu não sei, nem quero saber, se a dormir ou acordado, vive um tempo comigo sem tempo e sem lado.
Jamais serei vítima das palavras desferidas traiçoeiramente, por segredos em que a vítima é de um tempo, sem tempo, sem lado, sem cura, sem aventura, nesta vida de tempo sem inspiração… Onde me inspiro.
É a lei do ai e do suspiro…
A lei da vida é o contacto com o coração que se sente, que se faz, que se diz e se realiza… A lei da vida é a perfeição entre o ser e o dizer… Entre o querer e o conseguir…
Em uníssono digo… Só é verdade a vida, quando lhe damos sentido… Não basta dormir e acordar… Não basta sentir e escrever… Não basta dizer e fazer… É preciso que no sangue a vida já traga fervura, que o sangue seja a cura e a verdade mais pura de um ser humano… A poesia… O poema… A prosa… A escrita conseguida…
Em uníssono digo… Quem quer ser, tem que primeiro nascer… Depois de crescido, somente a mente nos mente num corpo perdido… Poeta é aquele que nasce com essa porta aberta… Aquele que pensa que é… É simplesmente doce na fé… Nada mais…
Ser homem é ser simples… Mesmo que em uníssono com as palavras, ao se acordar se sente, a mente renovar o ser… Poesia é tudo que a vida guardou no momento e no tempo de tudo acontecer… Não é quem deseja… A poesia é como quem beija e não como quem quer ser beijado…
Em uníssono digo… Poeta! Só o é quem flutua numa partícula de pó, quem dança com o vento, quem canta com as folhas, quem vive com os sorrisos, quem ama a humildade, quem sabe a verdade e se aceita na sua fé… Ser poeta é ser… Quando se é…
Ser poeta não é escrever… É ser um universo de amor numa vida completa… Isso é ser poeta…


José Alberto Sá

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Viagem ao deitar.

Viagem ao deitar

Saltas na terra e chegas às estrelas
Olhas o mar que voa no abraço da gaivota
Velas ao alto, mastros erguidos na caravela
Saltas na terra e me amas garota

Feres a maçã, no ventre romã
Saltas as ondas, num mundo qualquer
Fruto silvestre, num sol da manhã
Saltas na terra e me amas mulher

Gelas a luz, que apagas para se ouvir
Saltas e gemes como barcos à deriva
Saltas na areia que escalda o sentir
Frios do suor, que amo de ti… Minha diva

Saltas na terra, num mundo coragem
Força nos braços, nas pernas o farol
Mares de amor, em corpos viagem
Saltas desertos, no ventre o lençol


José Alberto Sá