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domingo, 9 de outubro de 2016

Para lá do amar

Para lá do amar

Foi numa casa sem janelas, onde ao canto se amontoavam as cinzas tristes e sem ilusão.
Foi numa casa sem porta, sem telhado, por onde a chuva caía e me julgava.
Foi dentro dessas paredes, onde o chão molhado se transformava em lama, em lágrima e frio.
Foi aí que o negro me vestiu e a opaca luz desse dia me vestia o corpo.
Foi nesse chão lamacento, que de olhos avermelhados olhei o céu e vi o arco-íris.
Foi lá de cima, que me chegou uma força, um íman capaz de me atrair e me levar para lá da mente.
Foi nesse céu sem fechadura, que me senti entrar… Curioso!
Foi lá, no transparente do amor que senti, que olhei para baixo e o chão continuava comigo!
Foi lá que eu entrei, naquele céu só meu e de tantos que quero abraçar, foi lá que me apeteceu estar.
Foi naquele amor sentido, que alguém me falou ao ouvido e disse: Entra, esta casa não tem janelas, não tem porta, não tem telhado, mas tem o amor que vive dentro de ti!
Foi numa casa sem janelas, por onde a luz entrou e eu hoje quis recordar.
Que existe alguém para lá do amar!


José Alberto Sá

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