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terça-feira, 4 de outubro de 2016

O sol te imagina

O sol te imagina

Quando chove, vou à janela para imaginar uma donzela a dançar.
E dança, mas dança nua!
É no meio da rua que a vejo chapinar, é no meio da rua que a sua pele molhada esculpe o chão, ela está nua!
Quando chove, sinto o esculpir da carne pelo salpicar das gotículas, como se fosse pólen ao vento.
É pelo meio que imagino, é pelo meio dos sentidos, pelo meio dos gemidos que me encontro à janela.
Quando chove é ela, é a jovem menina de vestido de cetim, humedecido e transparente, que dançando de contente, olha para mim.
E os dedos ardentes descem a parede fria e tocam a minha pele, é quando chove e eu vou à janela imaginar!
No chão feito espelho, imagino o meu corpo diluído na chuva, rebolo, danço, salto… E os dedos apertados dançam e me fazem viajar quando chove… Lá fora há movimento, cá dentro há sentimento que se move!
Aceno-lhe de lenço branco e nesse adeus ela se vai, tal como se vai a chuva.
E eu fico a olhar o meu lenço, onde a cadência se fez terminar… O sol veio para ficar é a vida quando imagino uma donzela a dançar, num dia de chuva e um lenço a acenar. São movimentos que assinalam o prazer da imaginação, a chuva, a janela, eu, uma donzela e um forte pulsar de coração.


José Alberto Sá

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