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sexta-feira, 1 de julho de 2016

O meu poema

O meu poema

Queria dar vida a este meu reino, a mais uma obra poética, já tentei moldar, já tentei ornamentar, já tentei uma relação… Poeta, palavra e poesia.
Ménage à troi… Em palavras… Sem saber se dá!
Já tentei agarrar adjetivos, para os usar em prazer, nas linhas, no corpo e no poema… Já tentei usá-los empregando substantivos, coisas, objetos… Sempre a pensar no prazer, diluindo as vontades em amores concretos.
Dou bastante importância a este reino, onde me sinto tão pequeno… A obra nunca está completa, falta o essencial… Falta-me a inspiradora, quem me inspire, quem se desnude, para que eu a descreva primitivamente.
Queria dar vida ao calor irresistível, que desprende dos dedos, as delicias que seguram o lápis… Este objeto pontiagudo que uso e sempre tem necessidade de ser afiado! Qual afia se veste deste que queima as linhas, as curvas, na dança das palavras…
Queria dar vida…
O poema julgar-me-á, este será escrito por instinto, dou-lhe a liberdade que eu não tenho, a irritação que não quero, a solidão que não preservo…
Dar vida…
Sabendo que a obra nunca se acaba… Ama-se como a uma mulher, que dá vida e me faz escrever palavras do verbo amar… O poema? É o meu reino sem fim… Até que um dia, alguém o acabe!


José Alberto Sá

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