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segunda-feira, 31 de março de 2014

Flor poesia

Flor poesia

Sou raiz que se sente submersa
pela incapacidade terrena…
Onde só o amor vale apena.

O sufoco da terra que me arrasa,
o tempo que nas horas não se atrasa…

O tempo passa…
E eu preciso submergir
Sentir o rasgar da terra pelo arado
Com os seus dentes aguados,
nas entranhas de um deus louvado

Sou raiz de uma vontade obsessiva,
o querer olhar a luz de um sol que desejo…
Desejo que me cativa
Na terra…
No ar…

Preciso me soltar do pó, preciso da chuva ao relento…
Do vento…
Do momento…
Sou raiz pronta a correr…
Quero na minha vontade, deixar florir uma flor
Sou raiz… Sou amor…

Deixem-me nascer e abandonar a terra imunda…
Sou capaz de abraçar com o meu fruto
O néctar de uma raiz que ama a luz do dia,
o luar de uma lua iluminada… A minha ambição

Serei o reflexo que imagino nos espelhos de água…
Água pura, tão pura como o beijo apaixonado
O beijo dado pela abelha na sucção do pólen,
à mais bela flor…

Quero ser, ser flor lá fora…
Lá onde os pássaros cantam,
onde o vento assobia e a luz se faz presente
Mas sou raiz somente…

Somente na espera de algo mais… Preciso sair
Preciso me soltar das amarras deste involucro,
a terra que me irá enterrar
Sou a vida de uma raiz… Que quer nascer…
Crescer… Florir… Sorrir…
Sorrir pela boca rasgada, lábios de vermelho carmim…
Ser flor de todo o jardim

E no dia que desaparecer…
Quero ser raiz novamente, a raiz das palavras cultivadas
Por mim

Ser flor… Ser a noite… Ser o dia
Ser o mar… Ser a serra…
Mas preciso de vós… Vós em alegria
Deixem-me dançar por cima da terra…
E serei flor… Flor chamada… Flor amada…
Poesia… Poesia… Poesia…


José Alberto Sá

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