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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Mais além

Mais além

Mais além… Descanso a minha voz deste barulho infernal
Deste pecado vocal, a minha vibração
Descanso o meu testamento
Um templo de voz, que fala de coração
Como vos falam as horas que passam… Mais além, o tempo

Silêncio… Vou descansar na vulva que não me fala
Adestrar o animal do pecado que me leva a acreditar
O único motivo que me leva ao silêncio que não cala
Porque a voz e o amor… Ambos aceitam e querem falar

Mais além… Vou descansar a voz pela contradição
Sem medo de dizer o que não quero… Ou quero
Pois vivo nas trilhas perigosas do meu chão
Pé na pedra de um falso abismo… Mais além, o desespero

Por vezes em descanso imagino o mais além do beijo
Querer ser normal num amor que me foge
E no deslizar não consigo agarrar a noite fria sem desejo
A nudez de um corpo doce… O mais além que quero hoje

Vou descansar dos sentimentos mais além
Colocar o pensamento e a voz em tudo que vi
Assim descanso do caos e desalinho de quem não vem
E assim serei o imbecil rapaz que vive em ti

Mais além descanso… Para sentir a chama inconformada
Um gozo que salta de uma pele que não sinto
Que vive dizendo em lágrimas, que de meus olhos é apaixonada
Descanso… Para olhar por baixo da saia do desejo que pinto
Sentir o beijo… E meter a língua molhada

Quero descansar
Hoje… Para amanhã desfrutar
Mais além…


José Alberto Sá

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