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sábado, 20 de abril de 2013

Gostava...


Gostava…

Gostava de te traduzir
Sonho meu intraduzível
Boca bela irreconhecível
Onde desejo suspender a língua
Se a tua boca se abrir

São invisíveis os contornos que te faço
Surpresa da minha mão
Esculpo-te com trepadeiras do meu abraço
Agarro-te o peito e sinto teu coração
Respiras afogadamente
A primavera sente-se pelo teu corpo
Despes-te livremente
Sentes a nau procurando um porto

Abocanhas as gotas que salpicam o cais
Gostava de te traduzir
Ouvir-te gritar em altos ais
Uma linguagem universal… Fluir

Olha-me… A boca chama por ti
És a pedra do dominó
Tombas num chão de maçãs rosadas
Rodopias sobre mim, somos um só
Duas forças que se amam em movimento,
quando paradas
És o casulo de um verme que te ama
A espuma exacta de um mar que nos olha
Gostava de te traduzir na minha cama
Um no outro sem termos escolha
Gostava…

José Alberto Sá

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