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sábado, 23 de junho de 2012

Aparição


Aparição

Escutava o velho
Sentia nas rugas o suor do tempo
A mão tremula apontava
Chamou-me... Fedelho
Falou-me com poder, numa voz de vento
Boca sem dentes que sabedoria mordiscava
E eu o admirava
Não tive medo... Ele era sábio
Roupa imunda e rompida
Saliva saltitante, corte no lábio
Olhos vidrados... No olhar da vida
E eu continuava a escutar
Ele tudo sabia... Tudo...
Falava de um mundo impossível
Eu não tive medo, o saber fazia-me mudo
Falava de uma vida incorrigível
Ele sabia do passado... Tudo me contou
As unhas imundas eram pretas
Eu... Não tive medo... Ele jurou
Que o que dizia, não eram tretas
O velho... Por fim sorriu
Olhou de novo para mim, me tocou
E me chamou...
Fedelho... Um calor por mim subiu
E ao me largar, não queria acreditar
Somente no chão uma borboleta
Uma alma que se iluminou
Ficando na vez de um velho que se evaporou
Eu... Não tive medo
E não é treta
Deus era o velho sábio, que me confirmou
Que a vida de ontem já passou
A de hoje ele explicou
A de amanhã será a vida que com Ele levou
Eu... Não tive medo... Deus me amou

José Alberto Sá

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