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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Papagaio de papel


Papagaio de papel

Voei no papagaio daquela criança
Feito de palhinhas do caniçal
Jornal velho, de notícias sem esperança
Que me levaram à terra do bem, vizinha do mal
Atravessei os ventos da madrugada
Libertei os orvalhos da manhã
Aromatizei com flores a terra abençoada
Rezei pelos povos, pelo dia que não há
Não há razão, para voltar do meu voar
Quero continuar esta vontade
Voar… Voar e no papagaio de papel sonhar
Com um regresso, descendo em liberdade
Puxa menino o cordel que seguras
Eleva-me mais alto nesta viagem
Levo comigo mil cartas, quantas curas
Amores e encontros, quantas procuras
Quantos beijos e abraços levo na aragem
Corre menino pelo campo, contra o vento
Consigo ouvir o teu sorriso
Enrolas o cordel numa corrida contra o tempo
E me sobes ao céu no momento preciso
Puxa menino do papagaio
Corre pelo mundo da inocência
Sem vento, sem amor… Caio ou não caio
Puxa menino do papagaio
Corre pelo mundo da paciência
E quando recolheres o teu brinquedo
Verás notícias boas no teu jornal
Fui eu que as trouxe sem medo
Ao mundo da mentira, o mundo real
Puxa menino o teu cordel
Enrola devagar a tua consolação
Guarda no coração o teu papagaio de papel
Um dia te recordarás que no céu foste rei
Príncipe num mundo que é ilusão
Que hoje aqui recordei

José Alberto Sá

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