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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Terra


Terra


Eu vivo…

E quis saciar-me da terra

Das minhas mãos fazer um crivo

Descer aos confins da mente

Subir ao cimo da serra

Penetrar os dedos na terra como semente

Agarrar de mãos suadas

Sentir-me sujo, mas livre

Apertá-la… Deixando alguma escapar

Por entre dedos

Sentir emoções jamais imaginadas

Sensação de poder que nunca tive

Sem medos…

Na terra, no céu e no mar

Eu vivo…

E quis apaixonar-me pelo mundo

Meus dedos enterraram bem fundo

Nas entranhas da minha vida

Desci minhas mãos sem medida

E devorei o máximo de terra castanha

Terra de odor e essência

Terra sem manha, quanta paciência

No atorar de gente estranha

Eu vivo…

Sinto-me altivo

Na terra que agarro, poeira

Na vida que quero, canseira

Por isso a tenho nas mãos

Aperto-a como se fossemos irmãos

Terra que me viu nascer

Terra que me verá morrer

Minha terra, minha vida, meu ser

Eu vivo…


José Alberto Sá

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