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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Moço


Moço


Sou do campo

Sou o aroma do centeio

Aroma do pão da mãe, encanto

Sou da terra encharcada, meu recreio

Sou terra onde enterro meus prazeres

Sou da terra regada

Sou o alvorecer, da terra de mil saberes

Dos campos de milho, terra amada

De roupa amarrotada, herdada da vida

Dos campos onde nasci

Da terra que me cultiva

Terra que nunca desiludi

Pulso firme no tirar da água do poço

Vê-la correr regos fora

Qual rio correndo, no tempo de moço

Tempos que foram, saudade de agora

Meus pés na lama foram raízes

Calos nas mãos, da minha sachola

Sou do campo, dos tempos felizes

Das recordações que a mente consola

O fumo anunciava, saído da chaminé

O estômago anunciava ruidoso

Pedia o pão, pedia o queijo e o café

Sou do campo, moço vaidoso

Sou do campo de sorrisos e afectos

Sou o recordar da memória, minha revolta

Sou do campo, no recordar aos netos

Um tempo de moço, que já não volta

Sou do campo

Sou da terra

Do mar meu encanto

Do sol e da serra


José Alberto Sá

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