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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Perdido


Perdido

Estou exausto, estou perdido
Sinto-me um pente sem dentes
Um mendigo sem-abrigo
Vivo palavras comoventes
Estou sem fala
Sem audição
Sou uma viagem sem mala
Um raio sem trovão
Rastejo pelo caminho
Sem as forças que tinha
Não consigo abrir os olhos
Nem um pouquinho
Comboio sem linha
Sinto-me só, de saudades aos molhos
Catarata sem água, boca sem saliva
Peixe sem mar
Um barco à deriva
Nada para amar
Perdido somente
Sou o miúdo inexistente
Ninguém me conhece, é comovente
Só queria gritar, com voz de gente
Dizer unicamente uma palavra
Arado sem terra, sem semente
Terra que já não se lavra
Mas…
Do meu mas, nada sai, não consigo
Se ela voltasse…talvez
Seria todo real, como amigo
Como da primeira vez
Encontra-me, faz-me feliz
Tira-me esta solidão
Tu és em poesia a raiz
Eu…
Sou tudo em coração
E se tudo voltar
Deixa-me então gritar
Meu mar
…meu amar


José Alberto Sá

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