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quinta-feira, 15 de junho de 2017

A verdade não engana

A verdade não engana

Tenho dúvidas nas imensas verdades das pessoas.
Não me consigo pronunciar perante os gritos que me soam a surdez.
Já não cesso as palavras que escrevo, já não tenho medo de fugir, já não tenho medo de me mostrar.
Existe tanta moralidade e imoralidade na arte de representar, de dizer, de fazer e nada ser perfeito neste teatro da vida.
Tenho vários disparates na mente, que me fazem semelhante ao recém-nascido, que somente chora pela incapacidade dos meus passos.
Não me consigo libertar das memórias, porque elas trazem outras memórias de coisas que nunca fiz e tanto queria fazer.
Quanta vontade de me esconder e não ver ninguém, pergunto-me por vezes, porque me vejo na rua diante de estátuas que passam e sorriem para mim, também elas perdidas no impossível da sobrevivência des(humana).
Tenho dúvidas dos quadros imortais, que se exibem para um público de indecências e de falsidades sem pudor, outros são os quadros que representam civilizações sem povo a aplaudir, num vazio constante de ideias.
Não consigo parar de pensar, que serei museu de um tempo findo, onde a memória dos outros já não interessa, pois parte de mim já é sem corpo e somente alma vagueia, sem vaguear.
Queria muito viver agora, ser o exemplo de cabelos ao vento, ser os lábios que amam, ser e ter adornos que cativem o amor.
Tenho dúvidas… Mas vou lutar mais ao menos consciente das tendências, das obras que me beijam, abraçam e vivem comigo nos temas que carrego no meu coração.
Tenho dúvidas, mas necessito viver com todos.
E todos é toda a gente que vive verdadeiramente, porque só a verdade não engana!



José Alberto Sá

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