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domingo, 12 de fevereiro de 2017

Um sonho de criança

Um sonho de criança
“Interdito a maiores de dezoito anos”

Estava escrito numa velha tábua, por cima de uma porta, que fechada, nada deixava ver…
Morri de curiosidade, queria ver, sentir cada mistério que do outro lado, me fazia ferver a cabeça.
Queria bater à porta, talvez me deixassem entrar, talvez lá dentro nada fosse importante, talvez esteja cheio, talvez vazio, talvez seja eu o único a querer lá ir.
Continuava a morrer de curiosidade, sei que sou já velho, mas… Talvez me deixassem tomar um copo, talvez estejam a fazer muito barulho, talvez o silêncio impere, talvez esteja fechado e não abra, ou talvez abra para alguém sair.
Estava curioso “Interdito a maiores de dezoito anos”, talvez seja um bar gay, ou lá dentro estejam somente mulheres de alterne, talvez seja unissexo, talvez um bar de jogo, talvez uma casa de coisas proibidas… Talvez!
Nunca tinha passado naquela rua, não tinha ouvido falar daquela casa e hoje quase morro de curiosidade!
Coragem… Pedi a mim mesmo, coragem… Talvez batesse e me abrissem a porta, talvez me convidassem a entrar com todo o respeito, talvez abrissem e me agredissem, talvez me dissessem que era velho, talvez me levassem e não me deixassem sair, talvez eu não esteja bem vestido, talvez o dinheiro que tenho não chegue, talvez só tenham bebidas alcoólicas e eu só bebo sumo!
Coragem… A porta estava mesmo ali, era verde, uma maçaneta de metal do formato de uma mão fechada, uma fechadura moderna, um postigo na parte de cima e uma soleira de mármore… Pormenores que eu via cá fora, lá dentro era o que me fazia morrer de curiosidade!
Estava com medo, talvez me fosse embora sem bater, talvez bata só para olhar para dentro, talvez com sorte alguém saia e eu veja o interior, talvez tenha cortinas para lá da porta e nada possa ver, talvez…
Quase morria! A porta abriu, uma menina saiu, fiquei a imaginar, tinha razão, talvez estejam mais meninas lá dentro, talvez eu entre com ela, talvez ela me pergunte alguma coisa, talvez eu tenha coragem e lhe pergunte eu!
Ela olhou para mim e sorriu. Olhei para ela e apontei a tábua onde dizia: “Interdito a maiores de dezoito anos”, ela sorriu novamente, abriu a porta e mandou-me entrar!
Meu Deus! Desci um degrau, outro e outro, mandaram-me tirar os sapatos e as meias, o chão era de veludo preto, caminhei descalço até a um balcão, passei por entre anjos femininos e masculinos, mulheres de sonho traziam uma bacia com água, mandaram-me sentar, para que lavasse os pés, coloquei os pés lá dentro e senti a água fria subir por mim acima… Acordei, acendi a luz e…! Eu estava no meu quarto, com os pés no bacio e urina até aos calcanhares!
Isto sim… Interdito para maiores de dezoito anos!


José Alberto Sá

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