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terça-feira, 5 de julho de 2016

Uma mentira!

Uma mentira!

Hoje quis mais uma vez ser im(perfeito), deixar fluir o grotesco que existe em mim…
Quis pela manhã sentir o horror que me provoca, o despertar do meu relógio…
E levantar-me com o alarme a desejar-me bom dia!
Quis de novo olhar o espelho e abominar-me com a remela nos olhos, os meus olhos pequenos…
Atirar água na cara e molhar este monstro capaz das maiores atrocidades que conheço!
Abro a boca, esfrego os dentes e espumo… O Mentol e Eucalipto escorrem-me pelos cantos da boca!
Mais água… E o chuveiro é louco! Salpica-me, hora quente… Hora fria… A água que me alerta!
E eu já quase acordado!
Nu! Completamente nu! A im(perfeição) branca e capaz de fazer asneiras!
Julgo-me incapaz de dormir novamente… Visto-me de trapos rasgados aos quais chamo de moderno!
O cinto aperta-me a feia cintura, já quase tenho um processo instaurado ao corpo que me faz caminhar! Obriga-me a coisas incríveis!
Não quero… Não quero mesmo…
Mas a força me leva ao Gel no cabelo, fico mais… Remelento, mais lambido!
Depois o triste café, negro, moído, que só adoça com açúcar! Uma tosta, pão recesso, o qual me faz sobreviver…
Depois…
Não quero… Não quero mesmo…
Mas tem que ser!
Vou trabalhar! Aí sou um ser na perfeição, dou o litro, o suor e desfaço-me na personagem que interpreto… Sou um bom ator…
Hoje quis ser im(perfeito) e contar o meu acordar… Detesto acordar a ouvir o horror do meu relógio… Vivo assim nesta im(perfeição)… Perfeita da minha vida!


José Alberto Sá

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