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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Onde estás?

Onde estás?

Não sabes sequer que sangro dos pés, dos passos que dou e não te encontro.
Tu não sabes…
Não sabes que me escondo no meu casebre, onde somente o aromático cheiro a chá de camomila, me faz olhar o céu e acreditar que vale a pena, esperar por ti.

O chão é soalho frio e cor marron, o chá doce e quente é fogo na minha mão, que me leva aos lábios que amo sem baton.
Tu sabes… Mas…
Tu não sabes…
Não sabes as vezes que olho o relógio, somente para sentir os ponteiros deslizarem, poder imaginar que o tempo passa e passa depressa!

E que nesse tempo possas abrir a porta para que te chame: Vem bebé… Vem… Estou aqui.
Aqui, é a vontade de ouvir a tua voz… Erguer este meu fado triste e cantar em vez de chorar…
Tu sabes… Mas…
Não sabes…
Não sabes, que o teu rosto é quem me segura, as tuas poesias são quem me atura e a tua beleza é na verdade a mais pura…
Tu sabes… Mas…
Não sabes, que me sinto órfão desse teu olhar, do teu sorriso… Não sabes que sou moribundo, perdido pela louca e bravia vontade do teu corpo…
Não sabes, mas estou imóvel, já nada existe no meu casebre… O fogo não tem lareira!

O chão foge-me dos pés, o relógio já não conta e o meu chá esfriou…
Tu sabes… Mas…
Não sabes dar valor ao que eu sinto… Sorris onde vais, sorris mesmo que triste, sorris mesmo que na vontade amarga da vida… Sorris mesmo na despedida!
Não sabes que sangro dos pés, dos passos que dou e não te encontro…


José Alberto Sá

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