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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Simples nascer do êxtase

Simples nascer do êxtase.

Nasceu o êxtase quando vi a donzela virgem amarrada num laço de cetim.
Rendas… As rendas torneavam-lhe o corpo aos olhos dos que gritavam babados!… Gritos de quem queria um pouco de pele…
Os braços bracejavam em chamamentos loucos… Nasceu o êxtase aos olhos de mim.
A praxe ou o castigo ofereci ao meu coração, senti na garganta o pulsar, boca seca.
Tremia de tesoura na mão… Um laço de cetim, pele sedosa, menina vaidosa, nascida para amar, queria ser eu a cortar!
Queria! Queria tanto cortar o laço, eu gritava… Os outros também gritavam…
Balburdia num recanto de mar, onde a donzela num barco á vela acabava de chegar.

Queria eu ser o primeiro, amo a arte, o corpo… O amor.
Empurrões e palavrões saíam por entre gargantas famintas… Um corpo deslumbrante, sorriso triunfante e os olhos rebentavam ansiosos derretidos pela vertigem…
Suores, respiração ofegante… Descia a virgem.

E eu, novamente gritei o nome, quis passar na frente e desejei que ela me olhasse.
Todos!
Todos correram pela areia da minha praia, todos quiseram tocar a menina que descia sem saia… Todos! Menos eu, que fiquei paralisado!
Só… Só eu e a areia fina. Todos quiseram ver a virgem de perto, tocar-lhe, levá-la se possível.
Fechei os olhos e me ajoelhei, estava triste sem forças, sem vontade de me erguer.

Sussurros de um mar feminino perguntaram - Quem és tu?
Respondi - Sou aquele que de tesoura na mão, quis cortar as rendas e sentir um corpo nu. Sou aquele que desejou sentir um coração transparente, como as rendas e um pulsar vermelho igual ao laço de cetim.
Uma voz doce de maresia perfumou-me - Levanta-te, o coração é o teu viver, as rendas são parte de uma vida transparente, o vermelho do meu laço são a cor do teu abraço e o cetim são texturas puras que te querem por seres assim.

Olhei para cima e me ergui… A donzela deixou cair as rendas, a minha tesoura tinha cortado o laço vermelho de cetim… Virgem diante dos outros era agora uma flor em meu jardim.
Nasceu o êxtase, a donzela veio! E na louca corrida, venceu o amor diferente dos outros… Eu…
Nascido em êxtase, crescido em amor, quis falar de uma virgem que vive para os outros como vive para mim… Fui escolhido para que o amor não tenha fim.

Gritem, amem, mas não se atropelem… Não sereis vistos na multidão, o amor aparece nascido em êxtase. Simples, harmonioso e belo… Basta sentir o mundo diferente aos olhos dos que gritam obcecados.


José Alberto Sá

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