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quinta-feira, 20 de março de 2014

Calosas... Mas entregues ao amor

Calosas… Mas entregues ao amor

Minhas mãos
Magras
Definhadas
Sentidas em palavras
Perdidas e esfalfadas
Pedintes e amadas

Mãos do copo… Um trago
Mãos trémulas
Quebradiças
Mão de afago
Bêbedas pelo álcool da vida
Mãos que escrevem com amor
Palavras de sonho
Palavras de dor
Palavras de uma escrita sentida

Minhas mãos

E o tempo que passa por elas,
são horas que sinto pelas artérias do meu sofrimento
… Um tempo
Que passa na velocidade do vento
E que, como o frio, estala a pele
… Fel

Mãos que querem sentir… Hoje…
Pois amanhã se me levantar erguerei ao céu
Mãos com dedos atrofiados pelos segundos passados,
como folhas abertas em linhas cobertas, pelas minhas mãos
A minha escrita…
Tantas palavras do meu medo, minha dor, minha cor…
Minha vontade expressa
Conversa…

Minhas mãos em desgaste, unhas rompidas,
letras perdidas em amores que não conheci
Mãos que abraçam e continuarão
Uma mão… Outra mão… Por aí
Abraçando sem parar, mesmo que trémulas num corpo
Mãos sem folego, sem sopro…
Mas paralelas ao meu beijo
… Mãos de desejo

E agora, neste preciso momento… Olho-as e choro
Uma lágrima… Outra… Mais uma
Lençóis de amor, ondas de espuma
Mãos que amam, mãos que querem saber, quem tu és,
amor meu…Onde moro

São estas as mãos que vos mostro, as mãos que vos entrego
Tréguas que partilho desta guerra… A vontade de ser luz
Mãos erguidas como erguidas são as vontades da serra…
As mãos de Jesus
Estas…
As minhas mãos, que não vos nego


José Alberto Sá

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