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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Deixei sem vontade de deixar

Deixei sem vontade de deixar

Deixei de pensar… Não em ti
Porque em ti é impossível
És infinitamente a luz que me acorda
Deixei de pensar…
Sim… Num corpo que senti
Tão perto… Tão apetecível
Que me sufocou várias vezes…
Numa forca sem corda

Deixei de correr pelas loucuras infinitas
Sempre corridas na vontade de te ganhar
Mas…
Sempre que te revelavas…
Nas minhas palavras…
Te desejava
Num mundo que não acreditas
E eu sempre em ti acreditei… Para te amar
Sempre em palavras te levava
E tu não vieste sentir o veludo de cada palavra

Deixei de olhar com estes olhos lacrimejados
Sempre procurando o momento
Carícias de umas mãos perfumadas
Sopros de uma voz… Tua…
Meu sustento
A perfeição de um amor-perfeito…
Corpos apaixonados
E no diálogo de palavras eroticamente sonhadas
Vivemos o fim dos nossos desejos
Não eram somente beijos
Era tudo que existe dentro do meu peito

Deixei de aprender o que me ensinavas
Pois…
Não basta sofrer pela cegueira do vazio
Eu amo completamente
Tão completamente que sempre me entreguei
Tu tocavas
Tu soltavas no mar teu navio
E eu…
Eu ancorava a âncora tão docemente
Que deixei… Deixei de sofrer
Porque te quis ao amanhecer
Te quis ao anoitecer
E tu…
Simplesmente não deixaste acontecer

Deixei porque nada tinha… Palavras que dissemos
Deixei porque nada tenho… O silêncio sem tuas curvas
Deixei porque nada terei… Ficará a vontade ao que viemos
Deixei porque nada terás… Teu corpo são águas turvas
Onde me deixaste sonhar
Onde tudo me deste, sem nada para me dar


José Alberto Sá

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