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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Refugio-me de ti


Refugio-me por ti

Refugio-me no medo do meu caminho
Os socalcos da minha vida
Rabiscos revoltados nas pedras da minha dor
São os pés que se descalçam sem carinho
A rejeição que trago nos pés sem medida
A dureza fria nas solas duras dos pés, pele sem cor

Refugio-me no caminho que não canta
Na vereda silvestre,
onde os espinhos são rei
Caminhos de fé, de esperança num mestre
Que me dê passos de amor e alma santa
Caminhos onde o refugio, são caminhos que não sei

Refugio-me das faces que não querem sorrir
Penhasco que se desprende, o mundo que me rejeita
E descalço isolo o coração, querendo fugir
Refugiando-o nos muros, nos claustros em ruínas
Nos buracos moribundos sem fundo
Socalcos da vida, de ruas impregnadas de minas
Rasgos, brechas, gretas a tortura do mundo

Refugio-me calado sem voz em cordas vocais ensanguentadas
Pelos gritos surdos que dou e ninguém ouve
Refugio-me do tempo, não quero contar
Os caminhos que conheço, minhas peugadas
Caminhos despidos, sem sal, onde nada resolve
Ruela da vida, onde a vontade é morrer
E morrer por não conseguir olhar a luz que me envolve
Mas tem que ser…

Impossível não pensar na luz de um caminho de sol, de chuva e de lua
Ficar cego ao primeiro instante, no primeiro olhar, no primeiro passo
Refugio-me pela vontade de a ver, a sorrir, a despir… Nua
Essa luz, que incendiou o caminho que seguia, o meu espaço
Esse é o caminho que atravessa o meu coração
Caminho rebelde, que sendo de luz, abraça-me em claridade
É o caminho mais puro, mais belo, mas o caminho intocável
Refugio-me com medo do caminho, essa é a razão
Uma razão incomparável
Pois do caminho é a decisão

José Alberto Sá

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