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sábado, 6 de outubro de 2012

O prego


O prego

O prego...
Na sua ferrugem sem estofo
Olhava para mim
Encurvado cheirando o mofo
Sentimento de algo ruim
Numa tábua molhada
De martelo na mão
Ergui-o dando-lhe uma pancada
Ritmos com o martelo
Nas batidas do meu coração
Olhei-o
Parecia-me belo
Tirei-o
E com o meu lenço
Tentei retirar a sua dor
Amei-o
É assim que eu penso
É o desabafo do meu suor
Levei-o para casa
E me lembrei...
Que um dia serei
também velho,
arrastando a asa
Lembrei-me que um dia
Estarei também curvado
E precisarei de alguém com alegria
Que me limpe do chão molhado
E me leve
Como levei aquele prego tão belo
Um simples prego que me descreve
Numa vida sem sono
Onde também quero sentir o martelo
De umas mãos,
que me tirem do abandono


José Alberto Sá

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