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domingo, 15 de abril de 2012

Pesadelo


Pesadelo


Não dormia de confuso...

O relógio parou

Sentia-me recluso

Num labirinto de ideias

Que meu cérebro pensou

Sentia-me preso em teias

No escuro do quarto

Senti-me farto

Os signos por ali andavam

À minha volta rodavam

Os peixes caminhavam

O touro se soltou... Tinha cabeça de cavalo

O sagitário era metade homem, metade cachorro

Ao leão fiz-lhe um mimo, levei um estalo

O caranguejo voava... Pedi socorro

Gritava...

Ao meu grito chegou a menina virgem

Uma velha senhora!

Queria ela me abraçar

Senti medo uma vertigem

E naquela hora...

Apeteceu-me chorar

O carneiro estava a cantar

No espaço vazio os gémeos dançavam

Uma dança de enlouquecer

Cabeça no chão... Pés no ar

Senti sede, queria beber

Estava a sufocar

Tentei alcançar a luz, ligar o interruptor

Tinha medo do escorpião

Imaginava a sua ferrada... A minha dor

Estiquei a mão

Senti escamas e pêlo

O corpo do capricórnio! Não queria vê-lo

Gritei novamente

Não estava a aguentar

Não queria ali estar

Enlouquecia da mente

Caminhei e logo me molhei

Despejaram-me o aquário

Senti que tudo estava ao contrário

Gritei...

Corri...

Saltei...

E quase morri...

Medo da confusão

Então...

Senti um pouco de equilíbrio... Um segundo

Senti-me voar numa lança

Fiquei por ali

Parou o mundo

Parou a dança

Adormeci!

No meu signo, na minha balança.


José Alberto Sá

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