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sábado, 3 de março de 2012

Tenho vontade


Tenho vontade


Tenho vontade de trepar paredes

Tentar fugir de algo que não sei

Tenho vontade de subir bem alto

E num salto

Furar o imaginário de coisas que amei

Furar redes

De uma pesca que não conheço

Levar as mãos acorrentadas

E arrastar-me pelo que vos peço

Para lá do muro das noites acordadas

Tenho vontade de escrever sem parar

Dizer tudo que sinto no peito

Furar sem respeito

O fundo do meu mar

Agarrar-me ao deserto sufocante

Apertar as areias movediças

Ultrapassar a palavra provocante

E gritar num ranger de dobradiças

Tenho vontade de pedir que me fales

Furar o silêncio deste momento

Pedir que não te cales

E subas comigo a parede do tempo

Tenho vontade de te ter

No cimo da íngreme parede

Furar multidões para te ver

E matar a fome e minha sede

Tenho vontade…

Mas na verdade…

É somente a saudade…

Que me invade…


José Alberto Sá

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