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terça-feira, 12 de julho de 2011

Sou velho

Sou velho

Tremo do escuro, do meu caminho
Tremo com medo da solidão
Procuro e nada encontro, vivo sozinho
Me olho em espelhos baços, escuridão
Sou velho, não presto, corredor sem portas
Sou velho, não presto, sou soalho gasto
Sou velho, sou telha partida, lembranças mortas
Velho sem nada…do mundo nefasto
É no frio que me agasalho, sem poder
Doem-me os pés dos socalcos, pedras ardentes
Velho que treme de mãos a doer
Das lutas da vida, dos tempos dormentes
Tremo de velho, trapo, caminho passado
Caminho de cansaço, de pele enrugada
Velho mendigo, do tempo do fado
Mas velho sabido, da vida passada
Tremo com medo, do meu abandono
Tremo do escuro, das contas do tempo
Tal e qual…cão sem dono
Tal e qual…pão sem fermento
Tremo pelos dias que me estão a fugir
Tremo pelos jovens, que ainda o são
Tremo com medo de não poder acudir
À futura geração

José Alberto Sá

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