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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Inocente

Inocente

Entre paredes enclausurado.
Sem luz, sem credo,
sem ar, sem alegria.
Entre paredes abandonado.
Sem tremuras, sem medo
sem par e sem fobia.
Entre paredes, abafado.
Sem sapatos, sem frio,
sem mesa, sem cadeira.
Entre paredes sem brio,
sem fome, sem conforto,
sem chão, sem amor.
Entre paredes, sem vida,
sinto-me morto.
Sem chuva, sem carinho,
sem roupa, sem ninguém,
sozinho.
Entre paredes, sem vontade,
sem dor, sem gritos,
sem levantar, sem piedade.
Abutres…, Vermes…, Malditos…
Entre paredes, sem riso,
sem queixume, sem olhar.
Sem ouvir, sem juízo,
sem poder, sem amar.
Entre paredes, sem trabalho.
Sem chorar, sem pedir
sem abraçar, sem cair.
Sem portas e sem atalhos.
Entre paredes…, preso!
Sem liberdade, sem tocar,
sem dinheiro…, teso!
Somente podia…, pensar.
E quando saí, escrevi o que sofri.
Entre paredes, caído no chão,
meu corpo já não existia.
Só minha alma e meu coração
lutavam, eu nada fazia.
Por isso aqui escrevo,
na saudade.
Que a Deus tudo devo,
no que eu Lhe confesso
no que Ele me diz.
Que tudo que eu queria
e aqui escrevo, era só amor
e liberdade, pois nada fiz.

José Alberto Sá

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