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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

No centro da sala

No centro da sala

Ontem foi mais um dia como tantos outros… Ontem ela estava no centro da sala despida, deitada, sorridente e atrevida…
Colocada em posição, num aroma comovente e sedosamente deleitada sobre um manto.
Ontem foi mais um dia e tanto…
E sobre a tijoleira preta, o manto cinzento se esgueirava e corpo que amava se abria, numa cor de alegria… Corpo branco…
Se aguento? Vou ser franco, tento.
Mas ontem, aquele aglomerado de curvas que assentava nos meus olhos, fazia telintar a íris em cores metálicos… Eu via ouro!
Ontem ela serpenteava para que eu a visse em cada milímetro… Esquerda… Direita… Audaz ondulação… Um pé, outro pé… Pernas, braços, uma mão e outra… Não!
Impossível resistir à eloquente e sedutora menina, que baila na sua simplicidade, mas intensa para o meu pulsar.
Os gestos delicados eram a afirmação e a confirmação directa, do seu sorriso ao que eu preciso…
O peso que exercia na sensualidade fazia transpirar as vontades da corporalidade… da minha vontade…
Foi ontem que me vi nu no centro da sala, nem lembro o tempo em que me despi… O sentimento e o físico se atreveram naquela sala, onde a vi…
Serpenteamos, nos agarramos e fizemos a função de vedante… Nos unimos naquele instante.
Ontem eu vi ouro… E os sons metálicos eram os sussurros que se evidenciavam e celebravam o amor…
Ontem foi mais um dia… A mesma intensidade… A mesma cor…
Ontem foi no centro da sala… Amo a visita guiada pelo corpo, às divisões de quem não me cala…


José Alberto Sá

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