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quarta-feira, 9 de julho de 2014

No palco da nudez

No palco da nudez

Ela está nua… Também eu me sinto assim…
Nu de lábios perturbados, nu de lábios inspirados num corpo melodia.
Ela está nua…
Mas sou eu que não consigo despir este sentimento…
Nu sobre as cordas do meu violão… Amo o som… O toque da nudez cega, a nudez que imagino… Que só eu imagino.

Ela está nua, mas sou eu… Sou eu que me rasgo na euforia, no delírio da música… Quando em transe.
Quando sinto a inquietação das mãos que percorrem todo o corpo e se deliciam na nudez das cordas… E toco fugazmente o inferno vermelho, a cor delicada entre a timidez do desejo… Rasgo… Devoro… Quero intensamente… Esse corpo nu… Como quero o meu em ti.

Ela está nua… Porque assim a imagino, sempre.
Sempre a vejo despida de olhos no meu violão… Quando toco… Nu… Como nua é a visão sobre as cordas, onde deslizas dentro de cada mão…

Amo-te descontroladamente… Quero-te…
Como quero a música desse teu ondular…
Como quero a música desse teu doce sorriso…
Como quero o voraz olhar que sai de ti, num timbre que pertence ao meu violão…

Nua te vejo, te vejo flor… Nua… Imaginada enquanto toco…
Estás nua na plateia, só e despida… Assim me sinto, nu neste palco.
E me fazes… Me levas… Me transformas… Me atiças o sonho…
E nu… Te imaginado nua… Toco os acordes do meu coração… O amor da imaginação.


José Alberto Sá

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