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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Na viela

Na viela

No fundo da rua, daquela rua estreita… Onde os pés e pernas se alinham… Existe uma viela, nua, só e atraente.
Tantas vezes de mãos na parede e joelhos no chão, fugia da violação num encontro modelo.
Sempre nos encontrávamos ali e rebolávamos pelos sonhos que já levávamos de casa.
Amava sentir-me de olhos vendados… Rimos tantas vezes, as cócegas cegas de tactos loucos e perdidos em nossos corpos.
Na viela…

Guardo como quem guarda um retrato, desenhos com formas de amor que ainda perpetuam os meus neurónios… A presença de ti como modelo… Bela.
Na viela…
Nas rugas daquela parede velha, injectava as vontades de um artista sequioso… Pintava-te com cada dedo… Línguas sobre a tela… A arte de uma deusa, vestida de viela… Nua.

Contamos histórias, representamos, escrevemos naquele chão, tantas vezes de joelhos sentimos a terra… Quantos traços se desenharam pelos corpos roliços… Provocações que guardo no meu íntimo.
No fundo da rua, ainda hoje desfruto o espectáculo vivido intensamente, tão completamente que somente me limito a amar aquela viela… Nua e húmida… Ainda húmida de vontade…


José Alberto Sá

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