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terça-feira, 25 de junho de 2013

Quero ser menino

Quero ser menino

Um dia…
Quero ser de novo, um menino de calções
Correr apressado para a escola
Quero sentir novamente o rodopiar dos piões
As brincadeiras de menino descalço e sem sacola
Um dia…
Quero sentir o caco partido de telha
Rasgar o alcatrão, com a cor vermelho salmão
Recuar ao meu mundo, onde hoje nada se assemelha
E sentir a carica do sumo, telintar no mesmo chão
Um dia…
Quero chorar pelo castigo da minha mãe
Que saudades… Das asneiras adormecidas no tempo
Um dia…
Onde quero sentir o colo, o perfume para quem já não tem
Quero pedir a insignificância dos aromas que brilham no vento
E nesse dia…
Será um dia de recordações que não quero adormecer
Aqueles dias com uma bola… E eu nem sabia jogar
Os dias com a caneta, no apetite do meu escrever
Os dias desenhados em palavras nas areias do meu mar
Um dia…
Quero abrir a janela novamente e renascer
Sentir a mão do meu pai, a pele rugosa, doce mas dura
Uma mão de leve e carinhoso sentir, de quem me soube entender
Um dia meu pai… Minha mãe… Serão tal como eu
Almas na terra que nos segura
Uma luz que vive no céu
E nesse dia…
Serei  de novo um menino para amar
Um menino que alegremente correrá de calções
Que nessa vontade de novo virá brincar
Com um mundo de amor de vermelhos corações
Um dia…
Quem sabe!



José Alberto Sá

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