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quarta-feira, 26 de julho de 2017

Bailado

Bailado

Curvas-te sedenta
E os pés altivos te fazem revelar
Curvas para quem não aguenta
A dança das calcinhas
Por entre pernas a cantar
Curvas tuas… Curvas minhas!

Curvas-te com ternura
E os pés sonâmbulos são a chave
Curvas que levam à fechadura
Portas de um salão
Por entre balsas, tangos e quem sabe…
Penetrar nas curvas desta canção!


José Alberto Sá

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Deste-me um dia...

Deste-me um dia…

Deste-me um dia, uma esmola num beijo!
Um amor recompensa e um olhar diluído
Deste-me um sorriso que já não vejo
Um abraço, um olá… Hoje partido

Dei-te a distância pela esmola sem receio
Uma prece te ditei, um sussurro puro e sincero
Dei-te a bondade e o carinho que anseio
Um novo sorriso, um novo beijo, que muito quero

Dar e receber é em mim coisa de infância
Querer é amar essa vontade sem distância
Pedir é sonho, uma esmola de amor

Passar por ti é sentir que nada é em vão
Deste-me um olhar, um sorriso, um louvor
Dei-te a escolha de me seres… Um sim ou um não!


José Alberto Sá

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Amontoados

Amontoados

São sapatos amontoados,
no tapete do meu quarto… São quatro
Uma jóia no pescoço, doce tatuagem
São pés descalços apaixonados,
na cadeira do pecado… São beijos
Uma perna, outra perna, corpos em viagem
São gemidos de gargantas e desejos
São seios na gravata
São almas puras… É belo
Uma cintura apertada, encanto e beleza
São loucuras de quem se tapa
Numa mistura de gestos em caramelo
Bocas sedentas e braços apertados
Como sapatos amontoados


José Alberto Sá

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Beija-me... Beijo-te

Beija-me… Beijo-te

Tenho as mãos presas,
no teu rosto
E o meu olhar é tão violento,
dentro do teu
Que sinto os lábios humedecidos,
pelos teus
E a língua a subir
a escarpa dos sentidos


José Alberto Sá

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Um dia...

Um dia...

Soam os ecos de tristeza, ouço o sino
Ele que faz de mim, um ser para amar
De luto, de vida e de paz, me faço hino
Que redobra a vontade de sorrir e acordar

Batem as badaladas que se perdem no céu
Alguém que morre ou então se vai casar!
Amargo ou doce sentir, na terra ou no véu
O nascer para a vida, o silêncio e o falar

Tudo é história, memória da natureza
Faz de mim ser homem de amor altivo
As trevas que não vejo são tristeza

E o som do sino que entoa é comovido
Acelera meu coração na vontade e na certeza
De um dia não saberem que terei morrido


José Alberto Sá

terça-feira, 27 de junho de 2017

Fazei de mim terra que seja

Fazei de mim terra que seja

Fazei de mim terra que seja
Imagem de um céu que acontece
Fazei com que me veja
Numa rosa que me beija,
onde uma abelha aparece

Fazei de mim terra que seja

Fazei com que nasça em mim
Alma branca, num corpo humildemente
Fazei-me alegre, nesta estrada sem fim
Onde o sonho se eleva e me aparece,
parecendo que está ausente

Fazei de mim terra que seja

Fazei-me aliviar o sofrimento,
levai as dores deste corpo que não é meu
Fazei-me sentir doce o alimento
Alma suave pedida a outro céu
Onde me vejo nas horas sem tempo
Onde me sinto amor,
num amor que só é teu

Fazei de mim terra que seja


José Alberto Sá

sábado, 24 de junho de 2017

Aquele dia

Aquele dia

Espero-te,
numa flor de perfume a saudade
Sois pétalas de vontade
de um amor que jamais
Espero-te,
num perfume que nos sonhos embalais
Saudades daquele dia,
pois só saudades me dais
Sabendo que a saudade
jamais acabaria
De me interrogar na nostalgia
Neste coração permanente
De uma saudade de amor,
igual à saudade de toda a gente!
Igual à saudade de uma flor


José Alberto Sá