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quarta-feira, 28 de junho de 2017

Um dia...

Um dia...

Soam os ecos de tristeza, ouço o sino
Ele que faz de mim, um ser para amar
De luto, de vida e de paz, me faço hino
Que redobra a vontade de sorrir e acordar

Batem as badaladas que se perdem no céu
Alguém que morre ou então se vai casar!
Amargo ou doce sentir, na terra ou no véu
O nascer para a vida, o silêncio e o falar

Tudo é história, memória da natureza
Faz de mim ser homem de amor altivo
As trevas que não vejo são tristeza

E o som do sino que entoa é comovido
Acelera meu coração na vontade e na certeza
De um dia não saberem que terei morrido


José Alberto Sá

terça-feira, 27 de junho de 2017

Fazei de mim terra que seja

Fazei de mim terra que seja

Fazei de mim terra que seja
Imagem de um céu que acontece
Fazei com que me veja
Numa rosa que me beija,
onde uma abelha aparece

Fazei de mim terra que seja

Fazei com que nasça em mim
Alma branca, num corpo humildemente
Fazei-me alegre, nesta estrada sem fim
Onde o sonho se eleva e me aparece,
parecendo que está ausente

Fazei de mim terra que seja

Fazei-me aliviar o sofrimento,
levai as dores deste corpo que não é meu
Fazei-me sentir doce o alimento
Alma suave pedida a outro céu
Onde me vejo nas horas sem tempo
Onde me sinto amor,
num amor que só é teu

Fazei de mim terra que seja


José Alberto Sá

sábado, 24 de junho de 2017

Aquele dia

Aquele dia

Espero-te,
numa flor de perfume a saudade
Sois pétalas de vontade
de um amor que jamais
Espero-te,
num perfume que nos sonhos embalais
Saudades daquele dia,
pois só saudades me dais
Sabendo que a saudade
jamais acabaria
De me interrogar na nostalgia
Neste coração permanente
De uma saudade de amor,
igual à saudade de toda a gente!
Igual à saudade de uma flor


José Alberto Sá

A areia morre... Sou eu...

A reia morre… Sou eu…

A areia morre… Morre e canta no seu silêncio
Afoga ao vento, no silêncio de uma onda em si diluída
Sou eu… Sou paz que reina nos horizontes
Por onde se chora em despedida
Minha terra, meu mar… Meu vento constante
Minha vida de infante, pés cansados, muralhados
Descalços, frios como paredes, que tombaram aos bocados

A areia morre… Morre e dança nos seus sonhos
Afoga a luz, sente as estrelas em mais uma canção
Sou eu… Sou liberdade de expressão
Por onde se chora em versos medonhos
Minha terra, meu mar… Meu coração a chorar
Minha vida sem ser triste… Minha vida sem alegria
Em razões que só o tempo era contar

Talvez um dia…

A areia morre… Morre e continua
Afoga a voz, a quem a vier escutar
Sou eu… Sou lembrança desta areia que canta, que dança
Por onde dançam todos os fiéis e infiéis
Minha terra, meu mar… Meu grito que não sabe parar
Minha vida, na vida de pobres, na vida de reis
Em horizontes que namoro, na areia que morre
Abraçada ao mar, aos olhos da lua

A areia morre e continua… Sou eu…

José Alberto Sá

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Porquê?

Perguntam porque razão é triste este meu verso
Perguntam porque está triste este meu coração
Perguntam pelos gritos no fogo disperso
Perguntam pelo amargo e pela impotência da razão

Pergunta a minha vida por esta triste canção
Pergunto o porquê do muralhar de injustiça
Pergunto pela frieza e inoperância no alcatrão
Pergunto pelo tombar de morte que a alma iça

Respondem sem resposta, sem valor e com dinheiro
Respondem na lembrança de corpos, num mundo bruto
Responde embriagado pelo fumo, o bombeiro

Respondo pelas vidas que lutaram, contra árvores já sem fruto
Respondo sem resposta, sem palavras, prisioneiro
Respondo em silêncio, a rezar por um Portugal, hoje de luto


José Alberto Sá

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Sempre foi assim

Sempre foi assim

Quando o meu umbigo toca no teu, regresso aos antepassados, pois o amor é eterno
Perco a moral e estimulo o primitivo que existe em mim
Não há tabus, e o amor, a paixão se fazem em arte
Sussurros que dizem sim…
Gemidos que embelezam cada parte
Isto quando o teu umbigo beija o meu e regresso ao tempo moderno


José Alberto Sá

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Pela igualdade

Pela igualdade

Resgate falso é o que vejo nas rotundas, rostos concebidos para sorrirem no cartaz, rostos que para o povo, tanto faz…
Depois do erótico gesto do voto, e digo erótico porque que votar para mim é penetrar uma folha inconsciente, numa ranhura com a convicção de que esse nome nos irá esquecer conscientemente! Poderia usar palavras menos próprias, não é que não tivesse vontade!
Por isso vejo nos cartazes figuras pornográficas, os que violam o povo com o tal sorriso, o tal abraço, a tal foto, o aperto de mão, o olá, bom dia, boa tarde, boa noite… Pelo voto hipócrita!
Depois… São seres saciados pela luxúria, pelo sorriso altivo, pelo abraço escolhido, pela foto de alta classe, pelo aperto de mão aos da mesma gamela, o olá ao povo, bom dia, boa tarde, boa noite… No pódio da hipocrisia!
Resgate falso é o que vejo nas rotundas da minha terra, publicidade enganosa, pintados minuciosamente para o momento, caricaturas ensaiadas para a mentira, alterando a paisagem natural do erotismo, das curvas e da relva que usam sem pedir!
Tanta sensualidade e mestria!
Como podre é a mente dos fetichistas, que alteram o estereótipo tradicional da verdade e da igualdade na rua que a todos pertence.
Faz-me lembrar o sexo e a cidade, todas a querem penetrar… Parecem deuses a definhar sob o jugo da ignorância, do disparate e do eterno erro da humanidade, que votam e depois criticam.
Olho-os como bonecas insufláveis, que depois de usadas são atiradas no lixo… Tenho pena de os não considerar humanos, não os vejo de carne e osso e muitos menos os vejo a amar. Que filhos criarão estas mentes humanas? Tenho pena de já não acreditar e queria tanto…
A minha terra precisa de consentimento, precisa de verdade, de igualdade, amor, de mar com sol e povo, de natureza com vento e povo, de terra com fruto e povo, de vida com alegria e povo, de muita vida feliz, pois só o povo a faz assim…
Só se consegue ser feliz, com uma geração que seja sorriso aberto ao povo, que seja abraço apertado em todas as ocasiões, que seja aperto de mão mesmo que calosa, que seja um olá sincero, bom dia, boa tarde e um boa noite sem mordomias.
A minha terra precisa de alguém presente nos grandes eventos, mas também ao lado de quem nada tem… Isto não é um alerta, é somente um desabafo de quem viveu, vive e quer viver feliz numa terra que o merece.
O meu abraço a quem é verdadeiro na minha terra, com certeza o sentirá.
Não alimentem os abutres, Espinho não tem carne putrefacta, tem gente com vontade de dar e receber e isto só se consegue com pequenas obras, com pequenos gestos, para todos em igualdade.



José Alberto Sá