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quinta-feira, 30 de março de 2017

De ti

De ti

Não quero merecer o ódio de alguém, nem quero ser o bairro que se ergue nos embaraços de um mundo odioso.
Eu preciso de toda a gente! E ser em amor contagioso!
Não quero ser o escape ao sorriso, nem a contrapartida à tristeza e noites frias.
Eu preciso de amor todos os dias!
Não quero ser a derrota, das cartas sem trunfo, nem ser julgado pelo errado que não fiz
Eu preciso de viver, simplesmente da copa à raiz!
Não quero ser a existência de um ser fingido, não quero ser a consciência perdida, por encontrar nos outros a diferença.
Eu preciso de sentir, continuamente a presença!
Não quero ser conselheiro de uma razão que não tenho, nem ser amante de alguém que não sabe amar.
Eu preciso de alguém, de preferência humano, que saiba dar!
Não quero morrer namorado de uma espera, não quero amar e casar com a guerra.
Eu preciso abraçar e ser abraçado pelo vento… Quem me dera!
Não quero que o tempo conte em aflição, nem que as veias se preencham de sangue frio, sem coração.
Eu preciso de amor verdadeiro e compreensão!
Não quero ser egoísta por inteiro, não quero ser campeão de um jogo, nem ser uma vontade por aí.
Eu preciso e preciso muito… De ti!

José Alberto Sá

domingo, 26 de março de 2017

Uma mesa ao centro

Uma mesa ao centro

Lembras-te?
A sala estava vazia e na mesa ao centro, somente existia a distância e a frieza entre o teu e o meu olhar. Estavas sentada num dos cantos a olhar para mim, eu sentia e sabia que fazias uma breve leitura do meu corpo nu, com esses teus lábios quietos, que me inquietavam.
Somente a mesa nos separava, eu sentia tal como tu o frio do chão, o frio da parede e o frio do teu coração!
Lembras-te?
Os meus olhos sentiam-se no impossível, no mais triste sentir, também te lia com estes meus lábios entreabertos.
Era impossível não ter as mãos húmidas, trémulas, pois a tua subtileza fazia-me transpirar pela ansiedade de te abraçar.
Via que o teu coração pulsava, sentia-o querer rebentar um dos teus peitos, estavas nua, também tu sentias o frio do chão, a humidade da parede e a tua sede.
Lembras-te?
Por baixo da mesa nos observamos, o silêncio somente era perturbado pelo gritar do nosso olhar. Tu querias… Eu queria… E na verdade ambos desejávamos o mesmo…
A sala estava vazia, tu a um canto, eu noutro e a mesa ao centro.
Lembras-te? Fui eu quem vergou!
Desculpa por exagerar na minha vontade, mas eu já não aguentava mais aquela distância… Pedi que me abraçasses, lembras-te? Pedi que comigo fizesses daquela sala, um jardim colorido.
A sala continuou vazia, mas o frio passou! A mesa ao centro se ocupou com um jardim colorido, nos perdoamos, nos abraçamos, nos beijamos com tanta clareza, que fizemos amor em cima da mesa!


José Alberto Sá

Lado a lado

Lado a lado

As tuas curvas melodiosas modelam volumes, vales e fazem desesperar a subtil dureza do meu mundo.
Dessa forma contemplas a obra que nos faz gostar um do outro, dessa forma sou homem inteiro, que somente se mutila quando me dou, quando me dás!
Não vale ignorar, não sou estranho, não sou o extremo, não sou a experiência… Não vale ignorar, sou do tamanho do mundo que temo, sou a inocência, por isso me dou, por isso te peço a coincidência de nós.
Sinto as tuas curvas quando deitado na cama, vejo em cada volume e cavidade o amor em cena e neste teatro invejável, beijo os lábios vermelhos abertos, como se fossem uma janela de sol em versos e os meus olhos poema.
E ao acordar sobre o azul-acinzentado de um céu que chora, abraço as curvas, contorno volumes e desço ao fundo… Ao fundo de uma loucura, de dois corpos nus que se amam lado a lado.

José Alberto Sá


Simbologia real

Simbologia real

Existe na estrada, um caminho onde me entrego e deixo que o amanhã seja a vontade do resto da mesma estrada.
Existe um tempo que se chama hoje, o único momento a quem eu devo a vénia, na esperança que em agradecimento me chegue o amanhã.
Não hesito, nem demoro no viver, não pergunto para seguir, nem sigo para perguntar, hoje eu caminho e amanhã o dia se cuidará.
Então, o meu tempo vive na estrada, onde os meus olhos rastejam intensamente, onde o meu pensamento busca na terra, a luz de uma estrada que ainda não chegou.
Existe uma estrada onde sou transgressor, a mesma estrada onde sou criatura, num ontem de mente pura, num hoje que me atura e a mesma onde eu faço amor.
Alguém me grita na surdez do mundo, alguém me desperta o ouvido para que escute o que vem no vento, o que vem em cada nuvem, e que a voz da razão sacie, enriqueça a alma e o amor continuamente… Que se forme em mim um intenso amanhã.
Existe uma estrada onde derramo os meus lábios, onde abraço a luz de um corpo, onde desejo, onde tenho vergonha e onde já não me envergonho.
Escrevo hoje, pois amanhã não sei… Hoje apago do consciente algumas transgressões, como a névoa em forma de pecado, hoje sou eu na estrada que amanhã o dia cuidará, hoje sou revestido de amor e vinculado á perfeição… Existe uma estrada para lá da vida e uma porta aberta ao mundo, que o mundo nos trará… Ou não!


José Alberto Sá

quinta-feira, 23 de março de 2017

A porta se abriu

A porta se abriu

E a porta do mundo se abriu e entrou a saudade
E ao longe
Ao longe da vida
O mundo sumiu
E a porta do mundo e as mãos
Se uniram de verdade
E a porta aberta rangeu
Lembrando a mocidade

De olhos fechados e em amor
Os olhos me deixaram perder
De olhos abertos e na luz de uma flor
Teus olhos me deixaram entender

E esses teus olhos do mundo
São hoje o ar que respiro
São teus e são meus no mais belo e profundo
Em tudo que admiro

E ao longe
Ao longe o mundo também deu a mão
Fizeram amor com as rosas
Como se fossem voar no jardim do meu chão
E de olhos fechados em louvor
Se pediu compreensão
Que de olhos abertos o mundo
Me trouxesse o outro coração

E a porta do mundo se abriu e entrou a saudade
E ao longe
Ao longe da vida
O amor foi verdade

José Alberto Sá

terça-feira, 21 de março de 2017

Inseparável de mim

Inseparável de mim


Inseparável é a palavra que define a união,
o uso e o abuso em amor,
que eu emprego no papel com a tinta da minha caneta.
É como se de uma cópula se trate,
e jamais fosse possível a separação,
dos versos que vivem em mim.

Ela é burguesia, cortesia… Ela é rica e pobre,
simples e nobre,
ela sabe cantar como ondas do mar,
quando me fazem chegar os aromas de maresia.

Ela é pouca e em demasia,
provoca correntes de sangue
e abertos olhos de lágrimas em paralisia.
Ela me acalma e me extasia,
ela me acorda e me adormece em fantasia.

Ela faz parar a multidão
e faz correr pelas palavras momentos de melodia.
Ela é a saudade como a noite
e pureza como o dia.

Ela se faz cobardia, ela se faz moradia
e na sua ousadia, provoca picardia,
como se fosse rebeldia,
quando na verdade se olha,
e sem escolha, se sente e se escreve somente…
Porque assim é a poesia.


José Alberto Sá

segunda-feira, 20 de março de 2017

Os meus beijos são...

Os meus beijos são…

Ser ou não ser,
um pequeno pássaro que voa,
ser ou não ser, pele nua ou plumagem sedosa,
ou ave de rapina que grita e que me entoa,
ou rosa silvestre onde meu olhar poisa,
ou pétalas que caiem, que morrem no chão
ou vivem na coroa,
como voos de pássaros, que voam de mão em mão e são…
São aves de amor, que num mundo à toa,
voam livres como quem canta, como quem voa.

Ser ou não ser,
uns lábios vermelhos que beijam,
que amam e voam
como pássaros de lábio em lábio debicando,
ser ou não ser como poetas que voam,
como asas se afirmando,
se amando em voos de tentação, são…
São anjos de sexos diferentes,
são gente que canta, que grita, que fala,
são aves que voam como gente que batalha
e não se cala.

Ser ou não ser
um pequeno poema que voa,
ser ou não ser a pomba, o tentilhão,
o rouxinol, a andorinha,…
Ser ou não ser a rosa que tomba,
num colo ou num coração,
ser um girassol que dança no campo,
ou um encanto de quem é, ou não é,
o voo de um pássaro pequeno que voa,
no meu jardim.
Ser ou não ser um pequeno pássaro
e um enorme amor dentro de mim!
São beijos meus, são assim…


José Alberto Sá