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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Quando artista!

Quando artista!

Quando artista não nos exibimos, ou exibimo-nos somente a nós próprios, para que os outros nos sintam e se unam a nós!
Na verdade, somos como a teoria do orgasmo! Ou conseguimos, ou não conseguimos.
Ou temos aptidão para ser artista, ou nos rendemos somente ao amor que a arte e a cultura nos oferece. É nesse ponto que por vezes me sinto, com amor, com arte, cultura e aptidão… Mas ser artista nunca o serei sozinho, será sempre preciso a multidão.
Quando descobri a sexualidade, pensei na sociedade e na cultura! Ser artista de mim mesmo!
Na sociedade damos as mãos ao ato como obrigação e esperamos que tudo seja passado como silhueta, como se nada tivesse acontecido, ou que não acontece! Na cultura damos as mãos ao ato como catedral da vida e esperamos que tudo seja passado como num palco, onde o ato é criação e um maravilhoso sentido de vida!
Quando artista não nos exibimos, ou exibimo-nos, se a multidão bater palmas, ou as mentes erécteis, as que vivem sorridentes nos disserem, bravo!
Quando artista, não o faço como negócio lucrativo, faço-o negociando como troca, como quem diz: pega lá e dá cá… Amor!
Muito amor eu levo quando artista, ou quando artista eu gasto tudo que tenho na oferta aos outros, e se não consigo melhor é porque tudo já não é meu, é de quem estava presente.
A fórmula não é um preço particular de quem luta, a fórmula é a consciência de quem soma orgasmos e sorri como os artistas que amam o que fazem!
Quando artista, também não me exibo, mas espero como todos os artistas de um aplauso, um sorriso sincero ou uma frase motivadora.
Assim vivo durante o ato, sempre eréctil com a vida! Amo a arte e quem a partilha.


José Alberto Sá

sábado, 19 de novembro de 2016

Prisioneiro deste mundo

Prisioneiro deste mundo

Sou um prisioneiro da loucura, da liberdade que sinto neste mundo com mar, com terra, com vento, com chuva… E amor!
São somente grades que vejo no horizonte, muito para além de um mar imenso, onde a loucura são ondas que vêm e vão e são sentidas na vida porque não desistem!
Sempre me torturei, sempre tive vontade de me desmembrar e sentir na descoberta tudo que existe do outro lado, do outro lado do muro que não conheço! Mesmo assim sem membros, torturado, eu queria passar o outro lado e gritar o que vai dentro de mim!
Apetece-me torcer a terra e ver espremido todo o mal, que cada gota pingada no chão fossem pedaços da minha loucura, pedaços de um pulsar louco, deste meu acelerado coração…
E ressuscitar pleno de amor, com todos os outros que olham e amam toda a cor!
Sinto que os fantasmas deambulam todas as noites e durante o dia são obsessões que habitam na prisão, onde me sinto prisioneiro… Nesta terra!
Já não me apetece brincar, os brinquedos de hoje não combinam com os meus dedos e os meus olhos já não reconhecem as formas do sorriso, de quando era criança!
E hoje preso, sou um manequim que se veste para obedecer ao ritual do dia-a-dia!
Tenho medo das partes que me chegam, quando olho o horizonte vermelho
num mar de sangue, onde me sinto impotente para o tornar em azul do céu.
É por este motivo que me sinto prisioneiro, desmontável, manuseável, transformável… Mas sempre e sempre carregado de amor!
Um dia talvez consiga ver para lá do muro e do horizonte, talvez se viva em liberdade, amizade, partilha e muito amor…. Talvez!
Vou dormir e se acordar amanhã é mais um passo e mais uma vontade de Deus, talvez seja vontade Dele que eu vejo o outro lado e vos conte as novidades da vida.
Vinde lutar comigo, soltar palavras e pedir a demolição deste muro, deste horizonte onde me sinto prisioneiro e impotente para o fazer sozinho!
O amor é tudo que conheço, o resto é algo que me contam, que eu vejo e não quero acreditar, nada mais cabe dentro de mim! O mundo não foi feito para ser assim!
Quando sair desta prisão que é o amor, vou saltar o muro, pular horizontes e sorrir com todos os que vieram! Até lá!

José Alberto Sá

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

O último dia, gravado em mim

O último dia, gravado em mim

A última chuva molhou o meu rosto
E de cara molhada escondi uma lágrima
Que ainda hoje escorre no mesmo chão
O último dia, o dia eterno deste meu corpo
Onde o teu beijo me deixou tatuada
Com a saudade de te ter de novo de coração
Hoje amo a chuva caída na terra molhada
E na lama me vejo, sem ti e apaixonada

O mar, esse nosso parceiro de tantos dias
Amamos em ondas tocadas por ti
Um amor sufocante, que na pele tu sentias
Como ondas do meu corpo, na vaga onde gemi
Hoje trago no peito uma certeza
De lembranças que ficaram em mim
Como certo é o amor do céu pela natureza
Como certo é ser eu uma flor e tu um jardim

Se eu pudesse seria em ti de novo um regaço
E ao fazer amor contigo, jamais seria a pecadora
Seria na lembrança, uma noite de cinema no terraço
Ou um romance perfeito ao olhos de Nossa Senhora
Hoje não tenho razão para sorrir
Fica a luta a cada noite na solidão
Beijar-te e amar-te só, numa louca união
E de novo sentir a terra e o céu a se unir

As lágrimas combinam com esta dor
Mas eu tenho comigo outra combinação
Fazer amor contigo à chuva e eternizar a recordação
De quando me rasgaste o ventre e loucos fizemos amor
Ainda sinto as tuas mãos em meu corpo a deslizar
É esse sol que sai de ti e me lembra o verão
O calor de te ter um dia e eternamente te amar
Para seremos, um céu, um mundo, o mesmo chão

José Alberto Sá

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

O grito

O grito

O grito da Ágata demonstrou,
que o final foi território desbravado,
quando gritou!
Então dela nasceu o êxtase,
no momento, no segundo em que amou!
A sala estava quente
e as sombras na parede
eram escorridos em labareda,
estava calor e a lareira estava acesa!

O grito era o sinal,
de um final sem laços apertados,
a nudez era absoluta
e a boca mostrava uns lábios,
a fome mostrava a fruta!
Aquela boca que gritou,
que humedecida se fez ouvir,
foi a boca que levou a razão a todo o meu sentir!

O grito ecoou baixinho… Eu ouvi!
A boca humedecida… Estava igual à minha!
A Ágata ofereceu seu território… Eu senti!
E no final gritou baixinho… Agora adivinha.
Quem estava com ela?

Naquela sala, num dia quente e de lareira acesa!
A sala era um céu de amor!
A lareira a faminta vontade!
O grito era o êxtase e o fervor!
O final era o amor e a liberdade!
Era eu… Era ela!


José Alberto Sá

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Terra minha, que não o é!

Terra minha, que não o é!

Terra, somente terra
Chegou cedo e não mais me deixou
nem mais um segundo
Nem sozinho ao nascer do sol,
nem sozinho ao deitar
Nem liberto neste mundo!

Terra, somente terra
Chegou cedo e sempre me ocupou
em todos os momentos
Mesmo quando o silêncio se faz
Mesmo quando o barulho existe
Sempre em todos os sentimentos

Terra, somente terra
Chegou cedo e não mais se foi
Nem nos dias de dor
Nem nos dias de amor
Nem nos dias que não contei
Nunca me deixou,
nem hoje que nada sei!

Terra, somente terra
Chegou cedo e já me habita
Até pelos pés a sinto
Até na cabeça, eu a penso
Até o coração a sente
Até que um dia que me vá,
talvez como toda a gente!

Terra, somente terra
Que tudo me deu e eu…
Tudo penso que sou e nada sou
Nesta terra, somente terra!


José Alberto Sá

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Ser... Eu

Ser… Eu

Ser…
Ser quem sempre sonhou
Quero ser…
Aquela pessoa que sempre fui
Aquela pessoa que sempre voou
Sendo eu, a pessoa que sempre sou
Ser…
Aquela pessoa que sempre amou
Ser o pedaço de um mundo, onde estou
Ter e ser,
o amor que a todos dou
Quero ser criança a quem o mundo deu
Quero ser o mundo que não se perdeu
Quero ser eu…
Quero ser o sol e a chuva fria
Quero ser a luz e a alegria
Quero ser o povo que me conheceu
Ser…
Ser a voz que me apeteceu
Quero na minha sombra o perdão
Quero ser a paz, uma alma, um coração
Quero ser
Ser a perfeição, mesmo que impossível
Quero ser o intransponível
Quero ser
Quero ser o olhar ao longe para te buscar
Quero ser a mão para te acenar
Quero ser,
a dor de um mendigo no meu abrigo
Quer ser, ser a fome sem promessa
Quero ser o abraço, ser o amigo
Ser a vida e que o mundo aconteça
Só quero ser…
Ser… Eu


José Alberto Sá

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Quando me desejas!

Quando me desejas!

Cruzas as pernas e amedrontas-te
Tu sabes de tua lucidez e desespero, apertas!
Sabes do obsceno em orgasmo sofrido!
Cruzas as pernas e flamejas-te
Tu sabes do martírio e a tenaz que se eriça!
Sabes que as cruzas e as mostras descobertas!
Cruzas as pernas e aprontas-te
Tu sabes da delícia no aperto contido!
Sabes que serras os olhos e os lábios na cobiça!
Cruzas as pernas e mostras-te
Tu sabes que a humidade é gozo de um rio
Sabes que as margens são lábios de cor
Cruzas as pernas, eriças a pele e não é frio!
Tu sabes que o prazer é corrente que atiça
Sabes que o aperto é loucura e amor!

Quando me desejas e eu não estou!
Cruzas as pernas num vai e vem…
Tu sabes, tu és, tu sabes, eu sou!
Sabes amor, sabes sentir como ninguém!



José Alberto Sá