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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Eu nada sei

Eu nada sei

Quando nasci, fizeram-me chorar! Mostraram-me logo ao nascer o lado triste do rosto! Claro que já não lembro, mas imagino as faces rosadas, humedecidas, ensanguentadas, pronto para a vida… Aqui estou!
Não me lembro dos meus sorrisos de bebé, mas vejo nos recém-nascidos, naquelas criaturas que ainda nada compreendem, o sorriso após uma carícia! Incrível! Quando nada conhecem da vida e já o sentimento, o amor e o carinho lhes salta da face!
Eu não nasci bom, nem mau, somente nasci!
Depois educaram-me e eu aprendi este meu lado da vida, ser na tentativa um bom homem! A vida é de tentativas, eu tento e por vezes sou feliz, outras… Melhor nada dizer!
E hoje, escavo infindavelmente o tesouro escondido que ninguém encontra!
Tenho saudades de um colo que não lembro! Saudades do Pai Natal! Saudades de brincar lá fora com os meninos!
Hoje, encontro-me com o miraculoso acidente do mundo, não lembro quando tudo era perfeito, mas sei que continuam na tentativa de estragar tudo!
Quando nasci, fizeram-me chorar! E só depois de adulto me chegaram as lágrimas da vida. Hoje eu sei que quando nasci nada sabia e sei também que hoje continuo recém-nascido, por nada saber!
Eu nasci para algo muito especial, chorar, sorrir e acima de tudo amar!
Mesmo nada sabendo de ontem, de hoje e de amanhã!
Sou eu, por um tempo sem saber, sou eu por ter nascido assim… Eu!


José Alberto Sá

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Amo para lá do sonho

Amo para lá do sonho

Falaram comigo os meninos e as meninas! O céu que tantos falam e não sentem, onde preenchem buracos negros, sabendo eu que é branca a beleza do seu fundo!
As nuvens que nos inundam de chuva, água precisa e que alguns não estimam!
O sol, esse imenso calor que me visita, que para alguns é somente utilizado para o bronze!
A lua, essa claridade ténue que me eleva à inspiração e que tantos se aproveitam para fazer mal durante a sua estadia!
O mar, esse menino de horizontes sonhadores, que me leva a sonhar, a imaginar tempos longínquos, em que milhares de anos atrás assim o viam e eu agora o olho na esperança, que outros depois de mim o sintam!
A areia plantada aos pés do mar, simbiose perfeita, que para muitos é somente a razão de uma toalha estendida!
As árvores que me fascinam, que nos aromatiza com fragrâncias de amor e leveza, que para muitos são somente plantas, flores e troncos a abater!
As estrelas, que durante a noite me piscam ao olhar, que me levam a sentir os entes queridos, que um dia partidos, hoje nelas vivem, o que para muitos são meros pontos luminosos e nada mais!
Os rios, esses corredores de fresquidão que ao mar levam a aventura percorrida, o que para muitos são o veículo para o transporte moribundo, da podre e egoísta maneira de ganhar a vida!
Os pássaros, esses meninos que me cantam baladas impossíveis copiar, que para muitos são penas que passam e sabem voar!
Os animais em geral, essas dádivas divinas que habitam um planeta que lhes foi dado e por mim respeitado, o que para alguns seres superiores, são animais a abater e esquecidos pela necessidade imunda da ganância!
O vento, esse enorme menino que sopra e ama tudo na sua passagem, não sabendo ele que para alguns é pura e simplesmente frio e nada mais!
A chuva, menina gaiteira, que ama de amor a vida dos que sorriem e choram… Esta menina que sinto e oiço, o que para outros é mais uma alteração meteorológica!
O Homem, este animal racional que sinto, vejo, cheiro, saboreio e oiço, este mesmo que tal como eu erra, tal como eu é testemunha da vida, que fala, grita, ri, chora… Estes que não compreendem a verdadeira razão da existência!
E tanta coisa mais!
E tudo para dizer: Que hoje olhei o meu silêncio, o escuro do meu quarto e tudo imagine, uma vida tranquila, um mundo perfeito.
Tudo porque para mim só existe uma razão para que tudo exista, tudo nasceu para ser poesia, os outros que assim não entendem… Não sonham, vivem unicamente para morrer e nada mais!
Amo viver para lá do sonho!


José Alberto Sá

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Sem utilidade

Sem utilidade

Vim até aqui, a esta problemática vida que me liga diretamente a todo o resto!
Aí está, entrei na casa dos factos, dos escândalos, do caos e de todo o resto!
Vim para aceitar corpos, que tal como eu deambulam por aí, e eu vim para ser mais um fragmento dessa bomba!
Serei retrato, busto talvez, símbolo quem sabe, ou serei num outro resto o nada que dou, o nada que tenho, o nada que sei, ou talvez o tudo que escrevo!
Vim até aqui, de membro fálico, sou homem, se viesse mulher, talvez viesse de vulva inquietante, ou como uma outra qualquer!
Sinto o mundo em promoção, quem compra? Quem dá mais? Sinto que alguns respondem, o poder, os outros são o resto tal como eu!
Talvez este resto onde me encontro seja a chave!
Serei a provocação imaginada numa escultura moderna, onde o sexo se torna o tema sugestivo… Uma escultura de latex ou plástico que se degrade facilmente com o tempo, que dê para derreter e se reciclar…
Vim para ser diferente, não me quiseram em monarquia e me impuseram a república, sinto nisto tudo a mesma realidade que os órgãos sexuais…
A problemática da vida, todos nascemos para sermos f… Aí está, vim para aceitar os corpos que tal como eu deambulam por aí.
Alguns pensam-se superiores e no fim… São reciclagem da vida, como uma estátua de órgãos de latex.
Eu penso assim na minha simplicidade e quem assim não pensa, é porque se misturam com os outros, esse resto sem órgãos sexuais mesmo que de latex!
Sem utilidade.


José Alberto Sá

terça-feira, 4 de outubro de 2016

O sol te imagina

O sol te imagina

Quando chove, vou à janela para imaginar uma donzela a dançar.
E dança, mas dança nua!
É no meio da rua que a vejo chapinar, é no meio da rua que a sua pele molhada esculpe o chão, ela está nua!
Quando chove, sinto o esculpir da carne pelo salpicar das gotículas, como se fosse pólen ao vento.
É pelo meio que imagino, é pelo meio dos sentidos, pelo meio dos gemidos que me encontro à janela.
Quando chove é ela, é a jovem menina de vestido de cetim, humedecido e transparente, que dançando de contente, olha para mim.
E os dedos ardentes descem a parede fria e tocam a minha pele, é quando chove e eu vou à janela imaginar!
No chão feito espelho, imagino o meu corpo diluído na chuva, rebolo, danço, salto… E os dedos apertados dançam e me fazem viajar quando chove… Lá fora há movimento, cá dentro há sentimento que se move!
Aceno-lhe de lenço branco e nesse adeus ela se vai, tal como se vai a chuva.
E eu fico a olhar o meu lenço, onde a cadência se fez terminar… O sol veio para ficar é a vida quando imagino uma donzela a dançar, num dia de chuva e um lenço a acenar. São movimentos que assinalam o prazer da imaginação, a chuva, a janela, eu, uma donzela e um forte pulsar de coração.


José Alberto Sá

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Quando eu canto!

Quando eu canto!

Uma vez mais a linha da vida me leva a cantar! No meu silêncio eu sei cantar!
Uma vez mais eu canto! Genuinamente sinto os meus lábios em palavras sonoras, em que a canção eleva os que me escutam, o meu silêncio sabe quem são!
Desde o berço que sei cantar em silêncio e sempre que fecho os olhos nasce mais uma canção!
É vocação que tenho dentro do meu consciente, é sensibilidade no meu lado esquerdo do peito! É técnica abstrata, em que só consigo definir o amor em cada sílaba que canto, quando abro o coração, os olhos e sinto a realidade! Eu sei cantar em silêncio!
Em silêncio afasto-me da terra e consigo voar, pois sou possuidor de um mundo só meu e dos outros que não sabem cantar em silêncio!
Canto facilmente nas areias do mar, canto poeticamente e honradamente o que sou!
Sou aquele que sabe cantar em silêncio, naquele silêncio que me grita aos ouvidos e me acorda para um mundo sem canções!
É vasto o mundo que me rodeia o pensamento, é crepitação constante em cada nota musical, é melodiosa a verdade deste meu coração, é pura a canção que dentro de mim, sai para vós… Em silêncio gritante!
Eu sei cantar para todos… Sozinho em silêncio!


José Alberto Sá

domingo, 2 de outubro de 2016

Saber pintar

Saber pintar

A aguarela se espraia, a água escorre, a cor se dilui e o papel humedece.
Encontro assim alguns artistas, alguns que se espraiam deslavados, que transpiram coisas pelo corpo, que se dividem em possibilidades e se mostram frágeis.
Tantos correm até à meta e não chegam!
Tantos sorriem até ao gargalhar e se escondem desta forma, de um medo que eles próprios criaram.
Tantos choram e nada surge!
A aguarela se espraia e o quadro se mantem vazio, são simples os traços, pequenos esboços de mentes perdidas.
A água escorre e a fonte faz crescer o caudal, de palavras como pinceladas sem rumo, nem o mar quererá receber esta corrente de água putrefacta.
A cor se dilui e o arco-íris reage ao poema, ao poeta, ao pintor de palavras, ao quadro que se humedece com receio de se rasgar.
A aguarela é a dor ou o amor, basta sentir a rima e fazer a escolha, o quadro é o que imaginamos e sentimos.
Na hipocrisia do mundo, os barcos navegam em telas de mar, sem água, sem remos, sem amor para caminhar e outros barcos navegam em aguarelas por conquistar!
O valor de um quadro, não é o tempo que demorou, nem o custo material, o valor do quadro é o amor nele contido e eterno ao olhar.
A aguarela se espraia num mundo de ilusão, barcos á deriva como pulsares de um coração.


José Alberto Sá

sábado, 1 de outubro de 2016

Respeito-me

Respeito-me

Respeito-me a mim próprio! Tenho uma coleção imensa que se debate com a exatidão de tudo que penso e me sucede.
Respeito também os outros géneros, as outras tendências e até as outras coisas que não existem na minha consideração.
Não esqueço, nem ignoro a luta dos que não mudam ou mudam sem saber para onde!
Respeito o meu ser simples, por saber que não está ao alcance de todos!
Respeito esta minha terrível meta, a simplicidade, onde por vezes aos meus olhos, os homens sentem, calvário, teimosia, sacrifício, por não abdicarem daquilo que não desejam, mas fazem!
Respeito tudo e todos, até o amor que lhes tenho!
A simplicidade não se obtém, nasce connosco, tal como as palavras ditas, que não se enfeitam da poesia, elas já são completas na sua simplicidade, é só amarmos e dar-lhe o amor como significado.
Respeito os que tentam a humildade e somente exprimem ingenuidade.
Não é compaixão! É respeito que sinto por todos, e isto que digo é a paixão pela minha verdade.
Respeito-me a mim próprio e me vejo glorificado na terra, me vejo completo na paz, me vejo uma vantagem sem medo de falar, respeito o amor que dou e recebo.
Respeito o mundo, como respeito as areias do mar, que deslumbra estes meus olhos, que vos ama.
Só preciso de respeito, a gente precisa de respeito e os amigos que chegam e abraçam, são caravelas de um mar de amor.
Respeito tudo e todos, e os outros que não sabem… Navegar!


José Alberto Sá