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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Ganância

Ganância

A minha ganância é enorme, só te quer para mim…
E a imundice desta ganância é o que imagino e não te digo…
Raramente te desejo assim!
Mas esta minha ganância não tem fim…
E por tanto te desejar, na ganância te quero amar.


José Alberto Sá

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Está frio no mês de Agosto

Está frio no mês de Agosto

Daqui assisto a um frio que vem de ti, não sei porquê…
Mas está frio dentro de mim.
O vento que levas faz-te voar os cabelos e me mostra o nu de uma direção sem rumo.
É vento que sopra, é chama sem fogo… É fogo sem fumo.
É frio que passa, que passa e não fica… Que fica e não quer, um vento que sopra, que sopra mulher…
Daqui assisto ao desejo, ao beijo que vai, que voa no vento, que grita no tempo, num tempo que é frio… Um frio sem fim.
E dentro de mim, faz-se calor de um gelado ardor, que voa faminto no frio que sinto.
E o meu corpo está consciente, da mulher que voa no vento e sorri de contente…
Daqui assisto ao olhar em lágrimas, aos olhos que choram perdidos e se devoram, por não saberem que o frio que sinto é amor.
Daqui assisto ao limite da minha temperatura, não estás, não és, não queres, não vens…
E está frio como nunca senti, de um vento que voa sem sustento e vem de ti.
Está frio no mês de Agosto, o calor é personagem, para alguns miragem, para mim ancoragem… Num frio em mim posto.


José Alberto Sá

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Quando sozinho

Quando sozinho

Tenho tudo á minha volta, quando me sinto sozinho.
E o espaço me aperta, na largura de um caminho.
Tenho tudo e tudo tão perto,
por vezes tão longe, tão longe,
que me vejo num abismo
E o espaço me confunde, me faz crer sem acreditar
Como as águas num autoclismo,
gotas prontas a naufragar

Tenho tudo á minha volta, quando a carne me esfria
E o espaço se revolta, numa volta sem retorno
Tenho tudo, tudo sem dono,
como numa lágrima em nostalgia
E o espaço é noite, é dia,
é loucura em teu contorno

Tenho tudo á minha volta, paredes nuas caiadas
E o espaço são madrugadas, são estrelas aluaradas
Por uma lua lá no céu, que me faz ter a saudade
Que me leva pela verdade, sozinho e em liberdade
A sonhar…
Tenho tudo á minha volta, quando sozinho.
… Para te amar


José Alberto Sá

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

O meu... Mundo

O meu… Mundo

O mundo é pequeno e real,
ele é movimento
O mundo é uma constante da terra,
do mar e do vento
A vida me traz a loucura que amo sentir
E a vida me leva a bravura
que foge a sorrir
O corpo é belo e exuberante
em coisas banais
O corpo é um doce triunfante
em coisas reais
O beijo é lábio que lambe
o perfume do amor
O beijo é lábio que pede
aos outros uma flor
O mundo é meu e só meu
com outros normais
A vida me traz a criança
do tempos dos pais
O corpo cresceu e vive para ser feliz
O beijo é lábio que pede
amor a quem diz
Que o mundo, a vida e o corpo
é real no desejo
Que o mundo, a vida e o corpo
são como num beijo
Num mundo pequeno e grande
na vossa proporção
O mundo, a vida, o corpo
e o beijo são do coração… Do meu… Mundo!


José Alberto Sá

terça-feira, 2 de agosto de 2016

A dança

A dança

Bailarino é o quanto me sinto no espaço e no átrio da imaginação.
Em cada passo possuo fenómenos, de retratos que um dia me mostraram.
A moldura me faz erguer os olhos e rodopiar em êxtase, sempre te imagino deitada no chão.
O vidro estala com o frenesim de cada estucada, o amor que emprego na dança e te vejo no sonho… Imaculada.
Os braços os ergo ao céu, para que possa dançar em tua direção.
Os dedos movimentam-se e me levam a imaginar a imundice do amor.
Seja tango, balsa ou salsa eu danço pela graça do artista, sou bailarino na inquietação.
Entre corpos conscientes, abro o meu peito e me deito contigo no átrio do teu coração.
Bailado encontrado, na ignorância imunda do espaço que imagino… O teu!
Teu é todo o espaço onde me vejo dançar e inocentes são todos os espectadores que me olham e querem o meu lugar.
Muito raro é ter uma imaginação imunda, mas hoje quis dançar sem preconceitos…
Hoje sou bailarino no átrio do teu corpo, sem exceção… Todo ele me afunda… Todo ele é meu!
Pois… Bailarino é quando me sinto sozinho e sonho sem limites.
Vem e dança sem exceção… Eu acredito na dança e espero que também acredites.
Uma imundice de toda a cor… E corpos imundos no chão…
Dançando no átrio do amor.



José Alberto Sá

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Se comigo for

Se comigo for

A tua voz de certo modo
dilata-me a íris do olhar
Faz-me soltar no céu-da-boca
uma língua inquieta
A tua voz sabe dosear
o grau que faz exibir
algo que sonha e quer continuar
Na voz de um poeta

E a tua voz grita cristalina,
na língua que saboreia de boca aberta
É tão nua a tua voz,
que me apetece vestir
essa garganta de menina
De poema numa voz que me desperta

A tua voz suspende-me as ideias
e faz-me flutuar sobre os sons suaves de ti
É tão nobre e doce a tua voz,
que ao fechar os olhos te vejo nua e minha
Tão minha que não consigo falar,
somente escutar
uma voz como nunca ouvi

Uma voz que sabe sentir,
como sabe a saliva resistir
à vontade do teu amor
A tua voz na perfeição, no poema,
na canção e a falar se comigo for


José Alberto Sá

Uma metade completa

Uma metade completa

Se for preciso,
ao cobrir o corpo serei metade de mim.
Uma metade estimulará a curiosidade
e a outra será ausente.
Uma metade,
será doente pelo amor que me faz sofrer,
a outra, que será em fim?
Se for preciso, uma metade não terá tabus
e serei homem…
Pela outra metade, serei quem sente.
Uma metade será forma, será razão,
a outra será ou não.
Uma metade será simples como eu,
a outra será terra ou será céu.
Se for preciso, uma metade será luz e amor,
a outra será se for…
Uma metade será completamente,
a outra será semente.
Uma metade será meu corpo e o teu,
a outra será mente, serás tu, serei eu.
Se for preciso, numa metade serei poeta.
Talvez a outra seja, para quem me beija
uma metade completa.


José Alberto Sá