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sexta-feira, 30 de maio de 2014

Sou artista...

Sou artista…

Sou artista…
Da arte consciente… Sou mística do tempo em que me sinto erótico… Por ser artista…
É nesse erotismo que me vejo inquieto… Que sonho sem contacto ao contacto por mim imaginado.
Sou artista…
Sou o voluntário sentado se te pego no colo… Sou o surreal da poesia que escrevo… Sou o que se levanta para mudar de posição… Sou poesia inquieta…
Sou artista…
Artista indecente que contrasta com o contrário, com o interior se o exterior se mantém vestido…
Sou o perdido se encontrado no vazio das palavras, carregadas de desejo e submersas pelas infiltrações oculares dos meus comentários e sentidos.
Sou artista…
Aquele que pinta os lábios carnudos, que se sentem capazes de serem meus… Meus são os lábios que me beijam… Sou eu o impregnado de mistério e medo… Medo do dedo que imagino húmido, aquele que desliza depois de passar pela língua e desfolha a página.
Sou artista…
O que se esconde na humidade de um vestido, que foge por entre as gotas que caiem do céu… Sou eu contigo no mesmo guarda-chuva, onde te vejo segurar o cabo… Minha mão na tua mão molhadas…
Sou artista…
Sou aquele que imagina um simples prego, que na sua utilidade se faz espetar, após a estucada do maço… Sou aquele que o imagina penetrado na entranha da madeira… Entranha! A fresta que me faz sentir erótico…
Sou artista…


José Alberto Sá

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Imagino-te...

Imagino-te…

Se voas nesse lugar… Andorinha…
É porque sabes contar a mais doce adivinha… Contada num céu, que sinto por não saber se um dia serás minha… Não sei responder…
E se voas nesse sonhar… Andorinha
É porque saber sentir nas tuas asas… A cor do meu desejo… O vulcão aceso dentro de mim… O fogo… A cinza… As brasas…

Sabes Andorinha? Sinto-te em cada voo… Em cada batida, em cada movimento, em cada pena tua…
Meu Deus… És a pureza nua… No teu voar…
Desnudo-me… Se me olho ao espelho das águas cristalinas do meu lago… Sonho-te…
Bebo-te… Toco-te e afago…

Cada onda que minha mão faz… Ondula a vontade… O prazer… O amor… A paz…

A paz és tu nesse longe, nesse infinito lugar… Longe… Tão longe que te sinto um pontinho negro no céu… O meu céu…

Preciso que desças daí… O teu cheiro, não sei como é… O teu toque, não sei o macio e a leveza que iria sentir… Ah… O teu sorrir, como seria bom beijá-lo… O teu corpo poder abraçar… E voar… Sim voar, sei que me levavas… Eu sou leve, poderia ir numa das tuas asas… Prometo não te tocar… Até que poises…

Depois posso brincar contigo… Mas tu…
Se voas nesse lugar… Andorinha…
É porque sabes contar a mais doce adivinha… E que eu não sei responder…
Um dia? Sim um dia… Poderá acontecer…
Adivinharei… Que voar eu também sei… Se for contigo…


José Alberto Sá

Ventos da minha luz

Ventos da minha luz

Se eu caminho nu de gravata é porque o encontro é de gala…
Eu serei a quimera dos teus seios, onde a ilusão que me mostras é o avental que somente trazes…


José Alberto Sá

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Ventos da minha luz

Ventos da minha luz

Na minha essência existe uma prioridade… A mulher.
Tal como existe a vontade que eu apalpo, nas esculturas que existem na minha observação.
Sou escultor e opino cada relevo… Na mulher que eu observo… Em cada escultura a quem chamo de Musa, Diva ou Paraíso.


José Alberto Sá

Vou pensar... Em ti

Vou pensar… Em ti

Hoje vou pensar só mais um pouco… Esse pouco é em ti… Esse pouco que vou pensar, será aí.
Irei pensar naquele beijo, naquele sentir de lábios que não conheço… Naquele salivar que tanto sonho… Sonhos de um pensar, que mesmo sendo tão pouco, eu me ponho… Somente em ti, meu amor…

Hoje vou pensar, sem saber onde parar… Se na terra, se no céu… Se no mar…
Se na cor, se no mel, se em calor… Mas vou pensar meu amor… Irei pensar, pensamentos que não sei… Pensamentos que não dei… Neste pouco, mundo louco… O meu por ti.
Serei eu o único audaz, serei eu o rapaz que pensa… Se sou o que não devo, se sou somente o que escrevo. Ou se sou o mundo além, onde vislumbro esse amor, alguém… Meu amor.

Hoje vou pensar por momentos, saborear nossos ventos e voar pelos ponteiros do pensamento… Ser a ave que voa em exploração, com asas de quem te procura, de quem te deseja e de quem te ama.
Ser a água, ser o ar… Ser o fogo, ser a chama…
Chama… Esse falar que me faz sentir, palavras que desejo ouvir e poder contigo abraçar.

Hoje só vou pensar por um segundo… Um segundo enorme de ti… Imaginar todo o mundo… Subir ao mais alto céu… E pensar que és tu e que sou eu… A descer no mais profundo… No mais puro… Da vida, ser a luz, ser o sol… Ser desejo e caricia, ser a perfeição do amor…
Hoje vou pensar, se tu pensares… Vou amar se tu me amares… Mesmo sabendo que não te vou tocar… Eu te espero, te quero e vou continuar… Hoje neste pensar… Aqui… Em ti.


José Alberto Sá

domingo, 25 de maio de 2014

Assisto, porque vivo

Assisto, porque vivo

Assisto em cada momento a um suspiro de vontades mágicas… Vivo em quereres que desejo concretizar.
E concretizar faz parte do fenómeno que se constrói em meu coração. Assisto a cada pulsar em tons vermelhos… Pois azul não é meu sangue.
Mesmo quando me imagino rei ou príncipe de quadros femininos e naturalmente direccionados aos meus sentidos.
Sentidos que na graça do ser artista, se fazem prevalecer da pena e do papel… E ali se desmascaram sem pudores… Amando cada gesto e cada traço na poesia.

Assisto a monstruosos corpos… Digo monstruosos porque me dilaceram as entranhas pelo desejo… Desejos aflorados de perfumes e essências capazes de serem normais ou anormais… Normal é o instinto carnal no animal… Eu sou…

Assisto e convido-vos a caminharem comigo pelos contornos que imagino nas musas… Nas divas que escondem a vontade e as saliências de um corpo se se vê tapado… Pois tapadas se encontram as limitações de um olhar… E eu não consigo fazê-lo… Tenho medo do meu olhar… Tenho medo de não conseguir parar… Tenho medo de cair sem que seja uma mão feminina a me levantar… Assisto a esta maleficia criatura que me ignora… O pecado…

Assisto porque peco… Já o disse tantas vezes… Peco e não tenho como evitar… Evitar seria não viver… Contudo sou inocente, sou um raro fantasma que ainda navega pelos mares de um corpo que sonho…
Simplesmente sonho… E ao acordar… Assisto… Porque vivo seguidor de imensa paz, imensa felicidade e imenso amor… Assisto porque sou… Um ser vivo… Eu… Um evoluído animal que ama a evolução do suspiro… Quando o faço por ti…


José Alberto Sá 

Ventos da minha luz

Ventos da minha luz

A roupa que vestes revela mais do que o que escondes… Amo os teus relevos que se nus seriam iguais a todos os outros… Em ti o secreto desperta-me o desejo.

José Alberto Sá