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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Flor...

Flor…

Encho o meu peito ao abrir da flor
Nasce a vontade num mar de rosas
Nasce o carinho, alma gémea do amor
Enche o prazer nas palavras silenciosas
… Flor
Flor que se abre para mim, como a boca num beijo
Doce candura de olhos meigos, delicada
Flor que guarda numa caixinha fechada
Um coração de perfume, que adoro e desejo
… Flor
Murmuro por entre meu lábio melindroso
Sussurro com o mesmo em teu ouvido
Flor de pétala cristalina e pólen delicioso
Que ao me escrever sacia o meu olhar comovido
… Flor
Encho de febre a pele por te querer
Nasce a vontade num céu de azul intenso
Nasce a primavera de um sol de apetecer
Enche a vida de orgulho porque em ti eu penso
… Flor
Flor de tons escarlate que belo é o teu dizer
És o dia na ansiedade, por não te abraçar
És a noite que me vem aconchegar
Flor que mal conheço, mas que desejo amar


José Alberto Sá

A terra treme...

A terra treme…

A terra reclama
Treme pelo medo
Pela putrefacção da lama
Que sacode a entranha
Neste mundo incorrecto
Neste negro enredo

A terra treme
O pobre chama
O doente geme
É drama
É dor
É terra sem cor
Na cor suja de quem nos trama

A terra…
Treme e sacode
Treme a mão
Enche a carteira a quem pode
E quem não pode
… Não!

A terra treme sem gente
Está vazia de mentes puras
A terra treme e tudo consente
A quem não tem mente
Mas vive nas alturas

A terra treme pela mão do poder
A terra treme por uma simples razão
Nem toda a gente consegue ser
Porque para se ser homem,
 tem de se ter coração…
E eles que fazem tremer a terra…
… Não


José Alberto Sá

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Perdido num olhar

Perdido num olhar

Perdi a luz do meu olhar naquele dia
… Levaste-o
Procuro incessantemente pela volta no teu olhar
Sozinho pergunto, onde moras alegria?
Se me levaste a luz, para te namorar

Perdi o rumo que me levou até ti
Nem sei mais como caminhar
Por esse caminho de luz, que nos teus olhos… Senti
Mas que não me querem para iluminar

Fala-me mais uma vez, com essa boca de afago
Seria bom te sentir, como te sente um poeta
Como me sinto trespassado deliciosamente…
Tão deliciosamente,
como belo é o choro da guitarra pelo fado
Seria bom te sentir na tua ausência,
numa porta aberta

Encontra-me, sabes onde estou perdido
Estou aqui… Aqui neste sítio sem te ver
Aqui amor… Está frio sem teu olhar… Estou sentido
Porque não me olhas? Porque não me abraças
Estou aqui… Na guitarra que chora para te ter
Perdido desde aquele dia… E perdido dou graças

Porque me perdi
Por ti…
E em ti…



José Alberto Sá

Aceita-me como sou

Aceita-me como sou

Quero ser teu…
Pede-me as entranhas e satisfaz o teu desejo
Pede-me as estrelas, deste pecado meu
E brilha na amplitude… Vício inquieto como num beijo
Quero ser teu… Completamente humedecido
Pede-me antes de levantar… Depois peço eu
Esse impetuoso sol que me faz apetecido
Quero ser teu, como és minha neste meu céu

Quero ser teu ao levantar… Ai se me deito
Sentirei a entranha erguida no chão do lençol
Pede-me e levarás o meu calor ao teu peito
Numa dança colorida, em perfume de mentol
Quero ser teu durante o tempo que vamos contar
E nessa contagem, contigo sigo viagem
Pelas entranhas que se misturam,
na mesma forma de amar
Quero muito os teus gemidos… A mais linda imagem
E sonhar…

Quero ser teu amor
Também quero que sejas minha eternamente
Pede-me para que possa saciar as tuas vontades
Quero ser teu em calor
Ser o escravo que em ti lavra e enterra as sementes
O teu servo sem vaidades
Quero-te para mim somente… Única e perfeita
Pede-me e te darei… Pois o teu sol me levou
Mas me perdoa o meu ser que ama e me aceita
Pois assim serei teu um dia… Neste querer,
na vontade do homem que hoje sou


José Alberto Sá

sábado, 11 de janeiro de 2014

Tu és a razão

Tu és a razão

Tu és a razão do verde prado
Tu és a razão deste meu fado
Vem amor
Vem ver o verde teu
Ver o fado meu
Ver a razão

Sou o prado louco
Sou a razão que sabe a pouco
O fado do meu odor
Tu és a razão do mar azul, tão brilhante
Tu és a razão do amor a cada instante
Vem-me ver, meu amor

Vem ver o teu azul no corpo nu
Vem ver a loucura que dizes tu
A razão do meu verde esperança
Tu és a razão que me alcança
Vem amor
Vem ver como é doce a minha dança

Vem ver a razão
Porque enlouqueço
Teu corpo, tua alma o meu coração
A razão do verde que não esqueço
Tu és a razão do meu pecado
Tu és a razão em todo o lado

Vem amor
Vem ver o tresloucado
Vem ver como estou apaixonado
A razão do verde do meu olhar
Tu és a razão do sol e do mar
A razão do poema que te quero dar

Tu és o perfume das flores do prado
O perfume que me leva enamorado
A essência do amor e da razão
Meu amor… Teu amor…
A minha mão


José Alberto Sá

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Escultura

Escultura

Esculpo a videira no barro do meu pensamento
Na colheita sugo cada vago
Cada uva que bebo é alimento
Que alivia a cede à escultura que em mim trago

José Alberto Sá.

Sem tocar... Tocando

Sem tocar… Tocando

Sem tocar
Alguém sentiu
Que sem tocar
Alguém sorriu
Porque sentiu suavemente
Um toque de gente

Talvez um sopro consentido
Que sem tocar
Acordou o gemido
Tremeu o corpo inquieto
Toque liberto
Que sem tocar
Se fez notar
Por estar tão perto

E alguém suspirou
Por sentir quem não tocou
Um toque transparente
Que o calor levou
Nem me mexi
Nem ousei tocar
Em alguém que estava ali
Sentindo o meu olhar
Que sem pestanejar
Se fez sentido
Se fez presente
Pelo toque não dado
Por quem se sente
Mesmo sem lhe ter tocado

O corpo que deitado,
a meu lado
Estava nu
Nu pronto a ser tocado
A ser olhado
Um corpo belo
Tão cru…
Travei a respiração
Ela me olhou
Pegou na minha mão
E me colapsou

Tive que tocar
Pois o gemido se fazia ouvir
E agora sim… Loucura no escuro
Toquei nas partes do meu olhar
No seu fluir
No seu… No meu…  
Amor puro


José Alberto Sá