Escultura
Esculpo a videira no barro do meu pensamento
Na colheita sugo cada vago
Cada uva que bebo é alimento
Que alivia a cede à escultura que em mim trago
José Alberto Sá.
Os meus olhos são a luz que ilumina a minha mente, eles guardam as imagens da minha vida e o que viram terá de ser relatado. Se não o fizer não faz sentido a minha existência, escreverei no papel com a luz dos meus olhos e no fim cegarei em paz.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Sem tocar... Tocando
Sem tocar… Tocando
Sem tocar
Alguém sentiu
Que sem tocar
Alguém sorriu
Porque sentiu suavemente
Um toque de gente
Talvez um sopro consentido
Que sem tocar
Acordou o gemido
Tremeu o corpo inquieto
Toque liberto
Que sem tocar
Se fez notar
Por estar tão perto
E alguém suspirou
Por sentir quem não tocou
Um toque transparente
Que o calor levou
Nem me mexi
Nem ousei tocar
Em alguém que estava ali
Sentindo o meu olhar
Que sem pestanejar
Se fez sentido
Se fez presente
Pelo toque não dado
Por quem se sente
Mesmo sem lhe ter tocado
O corpo que deitado,
a meu lado
Estava nu
Nu pronto a ser tocado
A ser olhado
Um corpo belo
Tão cru…
Travei a respiração
Ela me olhou
Pegou na minha mão
E me colapsou
Tive que tocar
Pois o gemido se fazia ouvir
E agora sim… Loucura no
escuro
Toquei nas partes do meu
olhar
No seu fluir
No seu… No meu…
Amor puro
José Alberto Sá
Ser perfeito
Ser perfeito
Eu queria ser, o perfeito das
cinzas de onde nasci
Mas a mãe terra me abraça de
maneiras diferentes
Abraços com mistura de
beijos, a terra onde caí
Quedas de amor, nas palavras
que me são crentes
Crente como a vontade, na
perfeição do que queria ser
Ser razão na terra mãe e
perdão nas cinzas que me trouxeram
Fortes abraços que me levam a
crescer
Pelas quedas de amor, nas
palavras que me escreveram
Eu queria ser perfeito, mas
sou somente eu
Inquieto e perdido por vezes
sem saber quem me tem
Quem me ama ou adora, anjos
do céu
Palavras poesia que gritam de
mim, ouvidas por alguém
Damas ou donzelas, que me
olham com redes de véu
E me fazem querer ser
perfeito, como não vejo ninguém
José Alberto Sá
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Escolhi estas duas
Escolhi estas duas
Duas palavras incendeiam o
meu coração… Luz e amor
Duas…
Poderia dizer imensas
palavras, uma de cada cor
Mas são estas duas… Simples e
nuas
Nuas porque são puras, são
únicas, são a imensidão
Coloco nelas o meu caminho…
As pedras que conheço
Duas…
Poderia lavrar todo um campo
de palavras, encher o mar
Encher o céu… Encher a terra
com meu endereço
Luz e amor… Encher o olhar e
encher as ruas
Choro comovido, quando as
palavras luz e amor… Sofrem vontades
Duas…
Duas vontades para que o mundo
seja feliz… Duas simplicidades
Coloco nelas a minha mão… Sem
pactuar com atrocidades
Mentes sem razão, seres sem
coração… Criaturas cruas
E são somente duas… Duas
palavras imensas
Luz e amor
Tão fácil não chorar… Que
choro sem saber o que pensas
Se pensas na felicidade… Ou
pensas na dor
Duas… São duas as minhas
escolhidas e as tuas?
Também são estas duas?
José Alberto Sá
Sonho real
Sonho real
Eu disse-te, que hoje seria
para ti… Já não aguento
Já me apertava o coração… Não
sentia o meu pulsar
Que bom sentir que meu olhar,
ainda te tem… No azul ciumento
Que belo ouvir a voz que me
falou e me levou a sonhar
… Única
Eu disse-te que eras única e hoje…
Matei as saudades do mar
Teu sorriso… Meu Deus! Teu
sorriso… Tua boca rasgada
Soltou-me a vontade de te ir
buscar
E te levar pelo caminho que
sempre me negou a morada
… Pura
Eu disse-te que eras pura…
Ligaste-me… Esperei… Obrigado!
Senti a minha bebé novamente…
Linda e pura… Docemente
Tanto para dizer que
esquecia-mos as palavras…
Ecos sem voz de um apaixonado
Bela partilha de carinho…
Falamos de poesia… Completamente
… Musa
Eu disse-te que eras a musa
que te queria de volta…
Um café ou um jantar
Não aguento as horas que
passam sem te olhar
Eu disse-te que não te iria
esquecer… Tu também não
E hoje fomos felizes juntos…
tão juntos que senti tua mão
… Bebé
Eu disse-te tantas vezes bebé
e hoje… Dissemos a ambos… Foi imotivo
Soltas-te uma lágrima… Que
limpei
Sinto-me com vontade de voar…
Ainda comovido
Eu disse-te e tu disseste…
Que bom… E foi tão querido
Eu amei…
José Alberto Sá
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
domingo, 5 de janeiro de 2014
Amo sonhar... Contigo
Amo sonhar… Contigo
Tenho dias… Que nem dou por
mim acordado
Levanto-me do sono e me
arrependo… Sentido ousado
Nem o sol me responde às
perguntas que faço, talvez não haja resposta
Visto-me para de novo me
despir, pedinte nu, de um pensamento vazio
Sinto que as margens se
desmoronam… O rio enche e transborda a costa
Dou por mim cantarolando ecos
de uma voz rouca… Mio eriçado
Tenho dias assim… Que nem dou
por mim…
… Sonâmbulo de uma voz
sussurrante
Caminho sem atar os sapatos…
Os pés doem… Não do cansaço
Mas… Pelo sentido perdido,
onde a estrada é labirinto
Eu tenho dias que nem sinto…
Tenho dias que nada faço…
E tudo acontece…
… Sonâmbulo de uma voz
sussurrante
A manhã aparece… A tarde
aquece… E logo após… Escurece
Regras… Tenho medo de não ter
medo… O frio não sopra violento
O zumbido conheço-o de cor…
São as sereias de um mar sem sal
Água doce que escorre pelo
meu rosto… Onde o sal…
Se agarra aos meus olhos
Tenho dias que sou impossível
aturar… Ninguém me fala
… Sonâmbulo de uma voz
sussurrante
Belisco-me para saber se
estou vivo… Não sinto dor
Sinto vontade de apertar ainda
mais… A voz não se cala
A voz grita calma e serena…
Vale a pena… Se depois de gritar
Um braço me acena…
Alguém… Alguém de corpo tão
completamente…
Tão completamente… Que tenho
dias que dou por mim acordado
… Sonâmbulo de uma voz
sussurrante
E a meu lado… O lençol está
molhado… Transpiro
Alguém de corpo tão
completamente me acordou… Talvez sonhasse
Que alguém poderia estar
comigo… Tenho dias…
Que me sinto completamente…
Tão completamente… que acordo
Assim… Transpirado…
Tenho dias assim… Viver e
sonhar
… Sonâmbulo de uma voz
sussurrante
Que me faz ter dias assim…
Apaixonado pela saudade…
De quem me vem sussurrar… A
todo o instante
José Alberto Sá
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