Pára... Quero muito te imaginar em silêncio...
Teu corpo é belo demais, para que o vento das palavras o firam.
José Alberto Sá
Os meus olhos são a luz que ilumina a minha mente, eles guardam as imagens da minha vida e o que viram terá de ser relatado. Se não o fizer não faz sentido a minha existência, escreverei no papel com a luz dos meus olhos e no fim cegarei em paz.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Eco da minha rua
Eco da minha rua
A estrada é rua
Calada
Nua
É fria
Vazia
Quando tudo sem ti
É fala
É verso
Que cala
Se presto
Se não presto
Se rala
A rua é estrada
É nua
É nada
É tudo cinzento
É chuva
É vento
E o sorriso sem ti
Preciso
Na rua
Da tua
Pele crua
Da vida
Querida
O caminho
Sem terra
Sem guerra
Com chão
Sem pão
Sem eco… Sem ti
Com eco
Perdido
Se a rua é estrada
Cinzenta e nua
Se a estrada é rua
Sempre sem ti
Assim a sinto… Nua… Mas tua
José Alberto Sá
domingo, 29 de setembro de 2013
Uma janela de luz
Uma janela de luz
Se a manhã me conhecesse
O sol seria todo meu
Não deixaria que adormecesse
Deixaria que acontecesse
O amor que vem do céu
Entra…
Belo sol que me vem acordar
Bate forte na janela
É a manhã a me chamar
Com um beijo para dar
Nos braços de uma donzela
Entra…
Ó calor que me leva e me
levanta
Melodia do sol e do canto de
um passarinho
É a manhã que se encanta
Quando o sol sai da manta
E ama devagarinho
Entra…
Linda manhã que vem ficar
comigo
Fica com o sol num dia de luz
O brilho que entra pela
janela de um amigo
Se deita no colo em meu
abrigo
Querendo sentir a minha
presença,
como eu sinto o amor de Jesus
Entra…
José Alberto Sá
sábado, 28 de setembro de 2013
Eu sei...
Eu sei…
Eu não sei que fazer
Eu não sei como te falar
Não sei que me pode acontecer
Vem comigo… Vem-me amar
Eu não sei…
Que caminho caminhar
Que palavra te dizer
Eu não sei…
Se um dia, uma noite… Te vou
conseguir
Eu não sei como te posso ir
buscar
Vem comigo
Vem-me ver
Vem depressa… Vem-me sorrir
Eu não sei
Se um dia, uma noite… Te
poderei roubar
Eu não sei
Se o tempo
Se o vento
São duas formas de contar
Vem comigo
Vem-me ver
Sou castigo, sou o sofrer
Sou um mendigo por amar
Peço
Tropeço
Levanto
Danço… Canto
Mas não sei
Como te posso alcançar
Vem comigo
Vem-me ver
Meu coração é teu abrigo
Meus braços
Meus olhos
Te querem receber
É tudo tão difícil, que eu
sei…
Que seria bom demais…
Te conhecer
No silêncio e nos ais
José Alberto Sá
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
No bosque
No bosque
Era no castanho da terra,
que eu via o que não negava
O desejo que via e me
incendiava a guerra
Por ali… O bosque se
humedecia,
na cuspe como no orvalho
lacrimejado
E eu amava… Amava…
Amava pelo espelho de água
que me sorria
Submergias… Fresca e
brilhante
Desse lago de cristal… por
mim adorado
Era no verde dos muros,
que eu via o que não levava
A ti… O bosque chamava pelo
meu olhar
Sem palavras, sem gestos… Sem
sussurros
Eu amava… Amava…
Amava pelo ruído do cascalho,
no teu caminhar
A carne… Essa carne! É o
sonho… Miragem
A realidade que desejo e que
me chamou
A esta viagem
Este espreitar… De um louco
que sou
Era no branco da nudez,
que eu via o que não tenho
A ti… O bosque se misturava
na tua tez
Eu imaginava a colina entre
os dedos,
é ao que venho
Eu amava… Amava…
Amava o bosque e a sua
divindade
Sentia-te como quem olha um
pavão real
Pedi que soltasses o néctar
da tua alegria
E tudo foi simplesmente
surreal
Ficamos na terra, no verde,
no branco
Deitados naquele manto
Num bosque de fantasia
José Alberto Sá
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Apontado à luz
Apontado à luz
E os dedos hirtos apontaram o
céu
Não se ouviu relampejar
A névoa não tapou o sol
E os dedos de um ser como eu
Fizeram-me ouvir, fizeram-me
chorar
Não havia névoa, ao longe se
via o farol
E os dedos hirtos sem auréola
de luz
Fizeram-me sentir o fresco do
mar
As ondas de um mar manso
E os dedos de um ser como eu,
lembraram Jesus
Fizeram-me sorrir, fizeram-me
cantar
Não havia névoa, o céu estava
em descanso
E os dedos hirtos tremiam ao
apontar
Não se ouvia o vento
As pessoas em volta estavam
como eu
E os dedos de um ser que
sabia falar
Ergueram-se em voz alta,
compassada no tempo
Um tempo sem névoa, que
também era meu
E eu…
… Eu ouvi…
O amor de um ser, que nos
falava do céu
… Eu senti…
Que os dedos hirtos,
eram de um amor que também é
teu
José Alberto Sá
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Escrevo-te
Escrevo-te
E sobre as linhas do teu
corpo escrevi
Rendido à beleza dos
contornos perfumados
Escrevi abusos em teus seios
Escrevi… Escrevi…
Palavras contornadas pelos
afagos
Pelos sussurros perdidos
pelos meios
Qual sanguessuga penetrando
na pele
Sugando toda a tinta que
cobiçava
Escrevi sobre teu corpo
dourado, cor de mel
Palavras como beijos quando
sugava
E sobre as linhas escrevi o
amor
Assinei a paz pelo território
amado
Escrevi sobre vales e
montanhas a mesma cor
Escrevi em desertos e oásis…
Por todo o lado
Palavras que pelo teu corpo
estavam nuas
Palavra que eram a chave para
te abrir
Palavras como tu… Simples,
belas e cruas
E sobre as linhas tranquilas,
ouvia música
Sentia o vai e vem da
respiração
Escrevi palavras que
ondulavam com astúcia
Radiantes pela destreza de
uma mão
A mão,
Que as escrevia
E sobre as linhas do teu
corpo… Eu sou o dia
O dia em que escrevo sobre o
teu coração
Um pulsar doce que senti
Um corpo, uma mão… Muito amor
Nas palavras que escrevi
José Alberto Sá
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